A poucas semanas do começo do ano lectivo muitos alunos, pais, e professores ainda não sabem se o destino diário vai ser a escola "velha" a cinco minutos de casa ou um dos novos agrupamentos, que ficam provavelmente a 80 km de distância e menos três horinhas de sono.
Segundo o jornal "Público" "há alunos que não sabem o seu futuro. São eles: os estudantes das 701 escolas do 1.º ciclo que vão fechar, os candidatos ao ensino especializado da música (...) os alunos da extinta Escola Móvel, o programa de ensino à distância ( ...) Tudo somado, são alguns milhares". 14-08-2010
Talvez não fosse mal pensado o Governo, numa nova medida "estética" do plano tecnológico como foi a do pequenito 'Magalhães' (aquele que agora os pais se queixam de avariar de meia em meia hora) oferecer aos alunos um GPS com as coordenadas exactas da escola que vão frequentar no ano lectivo que se inicia. Os papás e a garotada iam apreciar a medida.
Podiam até chamar ao aparelho o 'Vasquinho da Gama'. Sempre é mais certinho. Porque se optam por um 'Pedro Álvares de Cabral' é capaz de dar mau resultado. Não queremos que os miúdos de Vila Real de Trás-os-Montes se apresentem nas escolas de Vila Real de Santo António. À imagem da viagem ainda controversa de Cabral, que acabou no Brasil não se sabe muito bem como.
Ainda bem que as personagens dos livros de Isabel Alçada "Uma Aventura" só a conhecem enquanto escritora. E que a serem reais e não apenas parte da ficção genial da autora e do imaginário de milhares (como foi o meu caso) por esta altura estariam bem longe do 1.º ciclo e por isso safos destas medidas.
O Pedro teria certamente uma bolsa no MIT e a curto prazo Nobel numa categoria qualquer. As gémeas Teresa e Luísa coqueluches das novelas da TVI. O Chico, uma espécie de Bruno Pidá da zona sul, depois de alguns anos a trabalhar na noite, como sócio-gerente em bares de alterne, estaria agora como segurança-chefe do Pingo Doce de Odivelas. O João, depois de várias entradas e saídas em clínicas de desintoxicação abriu uma escola de treino de cães para cegos. Isto tudo na melhor das hipóteses obviamente. Porque há uma forte probabilidade de todos eles estarem desempregados ou a receber subsidio. À excepção do Pedro claro que nessas circunstâncias seria Primeiro-Ministro.
Graças a Deus que tanto eles como eu e muitos outros não tivemos de sofrer na pele enquanto alunos esta faceta da Isabel "ministra", a quem reconheço simpatia e boas intenções mas não consigo entender as medidas, os avanços e os recuos. Continuo a preferir, sem sombra de dúvida, a Isabel escritora.