20 de abril de 2014 às 1:37
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Um recado lisboeta: "Amai-vos, porra!" (fotogaleria)

Paula Cosme Pinto (sapato nº38) (www.expresso.pt)

Escrito a letras garrafais vermelhas, na parede branca de uma igreja, a frase "Amo-te Teresa" ficou para história. Acredito que muitos dos que estão a ler este texto se lembram do mítico telefilme que deixou muitos portugueses de olhos pregados à televisão, há doze anos. Hoje, não é preciso  ligá-la para ver mensagens semelhantes um pouco por todo o lado: basta sair à rua.

Frase de Pablo Neruda em Alfama

Lembro-me de ter sorrido (o que ainda hoje me acontece, confesso) ao passar por uma parede de Alfama onde Neruda é citado: "Quero fazer contigo o que a primavera faz com as cerejeiras". Quantos emails e sms de amor terão sido enviados à conta da pessoa que ousou (e ainda bem!) "estragar" uma parede do bairro com esta frase? Acredito que muitos. A frase "Amai-vos porra!", também outro clássico. De Saramago a Pessoa e Eugénio de Andrade, passando por poetas anónimos e almas apaixonadas ("Amo-te! Queres namorar cmg?", deixado numa parede da Estefânia), por Lisboa há inúmeras frases de amor, inspiração, indignação, frustração, amizade, ingenuidade, deixadas em paredes numa tentativa de dar voz ao que vai dentro da alma e coração de quem as escreveu. Diria eu, igual a tanto do que vai dentro de muitos de nós.

"Amo-te pequenita!", escrito em parte incerta...


No meio de uma era de tanta indiferença e alienação, são urgentes as palavras. Mesmo que gritadas em paredes. Em muitas pode mesmo até haver um destinatário final mas, agora que fazem parte da decoração das nossas ruas, todos os olhos que nelas pousam ganham esse estatuto. A mim sempre me fizeram sorrir ou parar para pensar. Muitas vezes agarrei no telemóvel e fotografei-as para enviar aos que me rodeiam. Muitas vezes acabei mesmo a pensar que devia haver um álbum fotográfico com todas elas. E não é que afinal alguém já tinha tido pensado no mesmo?

Ana Luísa Nogueira é o salto alto responsável por tal ideia. Há uns tempos tropecei no seu projeto "Fotos de Rua", onde via Facebook reúne as imagens que capta, mais as que recebe dos seus mais de 1800 seguidores. Ao que parece tem mais de 800 imagens tiradas nos últimos quatro anos, que já deram azo a exposições e, até mesmo, a uma sequência de postais vendida pela Lisbon Lovers, intitulada "De Lisboa Com Amor". Em projecto está um livro com postais da cidade, com o mesmo nome da sua página no Facebook.

Não conheço a Ana Luisa, mas a ela só posso dedicar uma das frases de Saramago, captada numa das suas muitas fotos: "Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara". Obrigada Ana por ter reparado.E espero que não se importe que partilhe por aqui algumas das imagens.

Se quiserem dar uma vista de olhos ao projeto "Fotos de Rua", basta clicar aqui . Desfrutem!

 



A Vida de Saltos Altos em livro


Autoras: Ana Areal, Liliana Coelho, Paula Cosme Pinto, Sofia Rijo, Solange Cosme

Editora: Plátano (coleção Livros de Seda)

Preço: 11,80€ em loja, 10,62€ se for adquirido via site da Editora Plátano

Páginas: 158

ISBN: 9789727708598


Saiba mais sobre o livro:

Um livro lançado... em Saltos Altos (vídeo e fotogaleria)
Blogue mais feminino do Expresso chega às livrarias (vídeo)



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Comentários 9 Comentar
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Bem...
Se o amor não conseguisse estimular a criatividade, o que conseguiria?
...
A originalidade desse recado não é lisboeta. Trata-se da adaptação de uma frase, que se tornou bastante mediática ao aparecer em diversos pontos da cidade de São Paulo. Ali lia-se: "O amor é importante, porra!" Qualquer semelhança não será pura coincidência...
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