20 de abril de 2014 às 22:48
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Um papão chamado impotência

"Encosta-te a mim", disse ele num desabafo. Que a impotência e a raiva estão interligadas, todos sabemos. Mas que o amor é o grande elo entre as duas, eu só descobri agora.
Paula Cosme Pinto (sapato nº38) (www.expresso.pt)

Sei que costumo escrever semanalmente aquilo que muitos me dizem ser posts "picantes" ou "bem-dispostos" (gosto particularmente desta segunda descrição). Mas hoje, desenganem-se aqueles que olharam para o título e acharam que iria fazer outra dissertação irónica, com larachas de caráter duvidoso pelo meio.

Hoje sou impotente. E quando digo isto não falo do que se passa à noite debaixo dos lençóis lá de casa. Falo sobre aquela sensação que acredito que todos os que estão a ler isto algum dia sentiram: Queria poder repartir a dor de alguém e simplesmente não o posso fazer. Porque a vida é assim. Porque mesmo que eu quisesse galgar o mundo, esvaziar a conta bancária ou bater em alguém para mudar isso, não seria possível. E eu, que odeio conformismos, desta vez tenho de me conformar.

Na realidade, quantos de nós já quisemos ficar doentes para poupar alguém que amamos de o estar? Quantos já quisemos ser nós a ser despedidos, para minimizar a deceção de alguém que vê deitados por terra os anos de entrega a uma carreira? Quantos já quisemos ter uma poção mágica para curar um coração alheio partido? Quantos quisemos ter sido heróis para impedir uma morte? Quantos de nós já chorámos de raiva por uma dor que, na realidade, não é nossa?

"Encosta-te a mim"


Há alguém (entre muitos outros alguéns) que hoje está sem fazer a mínima ideia de como será o dia de amanhã. Não que algum de nós o saiba, mas quando se está entre hospitais e diagnósticos que ditam um futuro que nunca mais poderá ser igual, acredito que a sensação de indefinição seja aterradora. Alguém que na grandeza da sua coragem é capaz de dizer: "Não te preocupes. Só preciso que, assim que seja possível, te encostes a mim".

É nesses momentos que (re)descobrimos a profundidade dessa coisa tão complexa chamada coração, cujo alcance vai muito além do cliché do romance. E hoje, definitivamente sei que essa raiva que tantas vezes digo abominar, mas simplesmente não consigo deixar de sentir, é claramente uma forma de amor. Tão simples como isso: amor.


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Comentários 10 Comentar
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Impotente, eu? Tá bem. Mas a causa é exógena...
De início deu-me vontade de lhe” bater” (na rua para não ser considerado violência doméstica). Até você, já não bastavam os conflitos existenciais de algumas e a Medina Carreira da “paparoca” que nos enche de gráficos e equações alimentares.

Bolas, até você… mas depois pensei melhor e talvez seja de ignorar os problemas do “pirilau” e passar ao real-que-interessa.

Encontramo-nos numa situação de impotência popular e generalizada (tipo “chavão” revolucionário), cuja resolução se encontra em nós próprios. Necessitamos de ajuda para o tratamento “psicológico/físico”, mas de nós depende o sucesso da cura. Para justificar a disfunção eréctil, a culpa nunca é do próprio: “é aquele pinga-pinga da torneira”; o “pum” que ela deu; o jantar “pesado”; a mãe está doente; etc. – Nunca assumimos que o problema está em nós.

Tenho alguns ódios de “estimação”, até neste jornal; são os que me explicam que a culpa de tudo é “exógena”. Os “mercados” ; o grande capital; a Merkel; o BCE; o cinismo da Alemanha; a Oposição; a ganância dos Bancos; do árbitro; e por aí fora.

Os contratos fraudulentos; os “boys” incompetentes e/ou corruptos; as decisões megalómanas; as benesses imorais; a não-justiça; e mais não digo. Mas isto e muito mais originou a maior dívida da história – Desculpável porque outros também devem – É exclusivamente culpa dos outros.

Apetece-me dar um tiro a cada responsável, mas não tenho coragem, nem munições, nem arma sequer. Sou impotente. Exógeno, obviamente.
Re: Impotente, eu? Tá bem. Mas a causa é exógena.. Ver comentário
Re: Impotente, eu? Tá bem. Mas a causa é exógena.. Ver comentário
Re: Impotente, eu? Tá bem. Mas a causa é exógena.. Ver comentário
PCP
Minha cara mais do que nunca a mulher terá de ter uma maior compreensão nestes actuais dias, pois ao que vamos estar sujeitos em passar fome nem nisso vamos pensar.
Mas lanço um desafio, dêem cabo de Sócrates e do seu desgoverno pois eles são os culpados.
Há comentários...
que só vêm política pela frente mesmo em artigos de opinião completamente distantes disso. Chega a ser impressionante tal compulsão para a vulgar conversa de café.
A frigidez é muito mais vulgar do que a impotência
A frigidez feminina é muito mais vulgar do que a impotência masculina,só que é muito fácil de disfarçar.
A impotência masculina,segundo o que dizem "os antigos de experiência feita", provém sobretudo da incapacidade ou falta de atrativo e jeito feminino para despertar o sexo oposto.
Desculpas e justificações tolas pseudo científicas é o que há mais hoje.
Re: A frigidez é muito mais vulgar do que a impotê Ver comentário
Re: A frigidez é muito mais vulgar do que a impotê Ver comentário
Insensatez...
Pensei que fosse somente eu a amar na solidão! Concordo piamente: “E hoje, definitivamente sei que essa raiva que tantas vezes digo abominar, mas simplesmente não consigo deixar de sentir, é claramente uma forma de amor. Tão simples como isso: amor.”
http://www.youtube.com/wa...
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