26/05/2012 atualizado às 23:37
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Um país porreiro

Somos provincianamente governados porque nos deixamos provincianamente governar.

Clara Ferreira Alves (www.expresso.pt)
0:00 Quinta feira, 4 de novembro de 2010

Um país pequeno e sem recursos como Portugal deve investir na rapidez dos processos e no cumprimento das regras, como fazem todos os países pequenos bem administrados. Os portugueses não são deficientes de entendimento e têm a facilidade do improviso. Têm vícios enraizados, que no estrangeiro desaparecem e em Portugal fazem parte do sistema. Um olhar pelos jornais e as notícias dão-nos um retrato desse país e desses vícios. Habituámo-nos a considerar normais comportamentos que são anormais e toleramos instituições e métodos que em países regrados teriam sido removidos como um obstáculo ou criminalizados e punidos. O nacional-porreirismo, diluído no sentimentalismo anémico, rege a pátria.

Achamos normal Portugal ser, em 178 países, o 32º mais corrupto. Segundo o relatório da Transparency International, uma entidade fiável. Porque o sistema de Justiça, segundo o mesmo relatório, não funciona. E porque somos cúmplices da corrupção. Achamos normal que um autarca condenado por corrupção continue a ser presidente de câmara. Achamos normal que ex-ministros sejam arguidos num caso de corrupção e esperem anos por uma sentença definitiva. Achamos normal que exista um sistema de Justiça feito para os ricos, e para os honorários milionários, e outro para os pobres. Achamos normal a tortura e a prisão preventiva. Achamos normal esperar 15 anos por uma decisão judicial. Achamos normal que os crimes e casos prescrevam antes de irem a julgamento. Achamos normal que os magistrados, num momento em que são pedidos sacrifícios nacionais, mandem o seu representante sindical dizer que a sua missão é "incomodar" os boys do PS e que são perseguidos no corte do salário. Achamos normal que outro representante sindical do Ministério Público, essa entidade que assusta os políticos e coloca pedaços do processo nos jornais para os abater, diga que o relatório do Conselho da Europa sobre Justiça foi manipulado pelo Governo para denegrir a justiça portuguesa. Este relatório conclui que os níveis de remuneração são bons, 4,2 vezes mais altos do que os dos portugueses, para a magistratura. Sobretudo para "juízes em fim de carreira". Ao todo, temos mais juízes, procuradores, advogados e notários por habitante do que muitos países que vivem melhor do que nós. Semelhante a nós, nestes números, só a conhecida Itália, que é o país da Europa que mais se parece com Portugal em muitas coisas, todas más.

O "El País" deu-nos conta disso. Na última década, Portugal foi dos países que menos cresceram no mundo, junto com o Haiti (leram bem, o Haiti) e a Itália. A Itália está entre as dez primeiras economias do mundo e nós não. Não crescemos porque, entre outras coisas, o sistema de Justiça não funciona nem é célere, porque a corrupção se disfarça de burocracia e porque a produtividade é baixa num modelo de desenvolvimento económico falhado. Aqui chegados, ao modelo falhado, devíamos estar a arregaçar as mangas e a cavar um novo trilho, com gente nova. Certo? Errado. Cavaco Silva, que foi o maior responsável desse modelo falhado, recandidata-se como se nunca tivesse estado lá e confessa-se "triste" com a nossa crise; e o homem que o PSD arranja para a mesa das negociações com o PS, sobre esse documento mítico que dá pelo nome de Orçamento, é o mesmo que conhecemos do tempo de Cavaco primeiro-ministro. Ou seja, um dos responsáveis. Entre Catroga e Teixeira dos Santos, descubra as diferenças.

Como dizia o príncipe de Salina no "Leopardo" de Visconti (e não no de Lampedusa, onde a frase é diferente) é preciso que tudo mude para que tudo fique na mesma. Sentados à mesa vazia de farturas, remendando a manta de retalhos, como se o país dependesse apenas de um orçamento e não daquilo a que não teve direito: visão política. Somos provincianamente governados porque nos deixamos provincianamente governar e temos repulsa e atração pela autoridade, traço distinto do caráter nacional que devemos ao dr. Salazar e aos seus 48 anos de medo e miopia.

Uma notícia do "Público" diz-nos que a REFER resolveu poupar 1,2 milhões de euros deixando de comprar eletricidade à EDP e passado a comprá-la à Iberdrola. Alta e média tensão. A EDP gasta dinheiro a rodos em campanhas publicitárias e spinning das agências de comunicação (muitas notícias sobre excelentes desempenhos) e gasta-o para ser amada. Será respeitada quando nos der, aos consumidores de baixa tensão, a hipótese que deu à REFER, de comprar energia mais barata; e deixarmos de pagar os delírios do dr. Mexia and friends. Esta semana desembarcou no burgo uma eminência suíça (IMD Business School, Universidade de Lausanne), Stéphane Garelli, que disse preto no branco: "Portugal precisa de ter uma estratégia económica". E nem tínhamos reparado. .

Texto publicado na edição da Única de 30 de outubro de 2010

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Ainda bem que voltou a "ver"
CM84 (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 13:41 | Quinta feira, 4 de novembro de 2010
Inicialmente, pensei que se tratasse de uma impostora que a tivesse raptado ou, quiçá, assassinado.

Mas na SICN, olhei com atenção e... é você mesma. Concluo portanto que está a ser chantageada ou... como alguém me deu a entender: antigamente é que estava a ser chantageada.

Só pode ser isso, pois ainda me recordo quando defendia tudo que agora critica. Só mesmo uma grande ameaça “obrigaria” a tal cegueira.

Coitadinha, se calhar até tortura sofreu:

- … diz que o TGV é uma obra primordial (enquanto espetam uma agulha na bochecha esquerda)

- … e que se não ficarmos ligados à Europa, estamos lixados ( alicate-de-corte a pressionar o dedo mindinho)

- … quem é o melhor primeiro-ministro português de sempre? (torção do nariz com uma pinça)

Termino com a satisfação de a ver liberta da pressão, direi mesmo terror, que a cegava. Agora, com esses olhões bem abertos, desata a ver corrupção e desvario despesista por tudo quanto é sítio.

PS. O Dr. Medina Carreira manda-lhe cumprimentos e desejos da continuação de melhoras.
 
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    Re: Ainda bem que voltou a    Ver comentário
PPV (seguir utilizador), 1 ponto , 15:47 | Quinta feira, 4 de novembro de 2010
    Re: Ainda bem que voltou a    Ver comentário
RenewFersal (seguir utilizador), 1 ponto , 23:25 | Terça feira, 9 de novembro de 2010
    Re: Ainda bem que voltou a    Ver comentário
RenewFersal (seguir utilizador), 1 ponto , 23:24 | Terça feira, 9 de novembro de 2010
Foi confusão ou não sabe interpretar os dados?
JF Pereira (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 15:36 | Quinta feira, 4 de novembro de 2010
Clara F. Alves, diz aqui que Portugal é o 32 º país mais corrupto do mundo. Parece que contou a partir do fim da lista... mas como Portugal aparece em 32º lugar a partir do 1º lugar, deve ler-se que Portugal é o 32º país menos corrupto.
Percebeu? ou é preciso fazer um desenho?
Criticar erros é positivo, mas deturpar numeros é aldrabice...
 
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Um País porreiro as regalia dos deputados ingleses
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 19:53 | Quinta feira, 4 de novembro de 2010
DEPUTADOS NO REINO UNIDO...!

Não é de estranhar, mas é interessante saber... como tudo é diferente...!

Os deputados do Reino Unido, na "Mãe dos Parlamentos",

1 . não têm lugar certo onde sentar-se, na Câmara dos Comuns;
2 . não têm escritórios, nem secretários, nem automóveis;
3 . não têm residência (pagam pela sua casa em Londres ou nas províncias);
      detalhe: e pagam, por todas as suas despesas, normalmente, como todo e
      qualquer trabalhador;
4 . não têm passagens de avião gratuitas, salvo quando ao serviço do próprio Parlamento.
        E o seu salário equipara-se ao de um Chefe de Secção de qualquer repartição pública.

Em suma, são SERVIDORES DO POVO e não PARASITAS do mesmo.
A propósito, sabiam que, em Portugal, os funcionários não deputados que trabalham na Assembleia têm um subsídio equivalente a 80 % do seu vencimento? Isto é, se cá fora ganhasse 1000,00 ¤ lá dentro ganharia 1800,00 ¤. Porquê? Profissão de desgaste rápido? E por que é que os jornais não falam disto?

Porque têm medo? Ou não podem?
 
 
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EDP e a publicidade
Cruzadas (seguir utilizador), 1 ponto , 14:39 | Quinta feira, 4 de novembro de 2010
A caríssima referiu aqui algo importante:

A EDP tem publicidade. Liga-se a TV e vê-se publicidade da EDP. Abre-se um jornal e chega a ser uma página só de publicidade da EDP.

A questão é: para que é que um monopólio precisa de publicidade? Os investidores não vão lá por publicidade e o povo não tem outro remédio que não consumir o serviço...
 
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A ÓRFÃ DO TGV
Floriano Mongo(Pres) (seguir utilizador), 1 ponto , 15:56 | Quinta feira, 4 de novembro de 2010
“”Ou seja, um dos responsáveis. Entre Catroga e Teixeira dos Santos, descubra as diferenças”.

Clara Ferreira Alves atirando o cartão vermelho à cara destes dois senhores, tentando disfarçar q há 6 anos se passeia alegremente com a cara de José Sócrates.
 
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    Re: A ÓRFÃ DO TGV    Ver comentário
Cruzadas (seguir utilizador), 1 ponto , 19:08 | Quinta feira, 4 de novembro de 2010
Clara, POR FAVOR leia e discuta isto com amigos...
turrican (seguir utilizador), 1 ponto , 21:28 | Quinta feira, 4 de novembro de 2010
as pessoas com mais potencial para nos empurrar para a frente "hoje", eram jovens que morreram (ou ficaram incapacitados) pela guerra colonial ou emigraram nos anos 60. Um buraco na piramide de idades, sexo masculino, maior que 65 anos.

Boa parte dos Portugueses com mais potencial para politicos e gestores SENIOR, com visões e ideias de futuro, falam outra lingua ou estão debaixo de terra. Essa falta de potencial é uma ferida que arde, mas que ninguem parece saber como curar.
 
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Normal
Jorge Duque (seguir utilizador), 1 ponto , 21:36 | Sábado, 6 de novembro de 2010
Nós achamos normal?
A senhora deve estar a fazer confusão. Só se for nas suas relações.
Os portugueses que conheço acham uma desgraça todos os aspectos negativos que referiu, não vêem maneira de virem a ser alterados para melhor e desistiram de ter esperança numa revolução/purga em Portugal
 
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PARABÉNS CLARA FERREIRA ALVES
RenewFersal (seguir utilizador), 1 ponto , 23:30 | Terça feira, 9 de novembro de 2010
Como vê em Portugal,sai insulto quando se denuncia a vergonhosa contribuição para o país de diversas corporações da administração publica.
Os coveiros de Portugal...
Acredite que milhares de portugueses de revêm nos seus comentarios; apenas não temos pseudo-jornalistas a dar eco...
 
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    Re: PARABÉNS CLARA FERREIRA ALVES    Ver comentário
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 23:49 | Terça feira, 9 de novembro de 2010
    Re: PARABÉNS CLARA FERREIRA ALVES    Ver comentário
RenewFersal (seguir utilizador), 1 ponto , 1:09 | Quarta feira, 10 de novembro de 2010
    Re: PARABÉNS CLARA FERREIRA ALVES    Ver comentário
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 7:33 | Quarta feira, 10 de novembro de 2010
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