Um novo banco?
Por fim, três meses passados, a Europa aproxima-se de um FEEF melhorado, mais encorpado e com outras capacidades de intervenção nos mercados financeiros, permitindo às economias europeias altamente endividadas respirarem de novo à tona, qual náufragos desesperados.
Do que nos é mostrado, os pacotes financeiros de recapitalização de instituições e Estados irão repetir-se, em paralelo com a manutenção de políticas de austeridade que consolidam finanças públicas (e bem!), mas sem incentivos que se percebam para impulsionar o crescimento da atividade económica (e mal!).
Ora, neste balancear de poderes em/entre sociedades democráticas de livre expressão mas com filtros de mercado, convirá indagar sobre o que não nos está a ser mostrado.
Deduza-se: a preparação de um bail out bancário seguramente necessário em caso de um (muito provável) default parcial da dívida grega; uma limpeza de divida na banca, dissimulada de recapitalização e de intenções solidárias de financiamento às PME e promoção da atividade económica; uma preparação para um aprofundamento de integração política disfarçado de imperativos orçamentais e financeiros.
Há hoje um grave conjunto de matérias e interesses encruzilhados, financeiros-económicos-políticos, que estão a ser debatidos e negociados sem qualquer conhecimento esclarecido do cidadão.
Porque permanecemos na vertigem de uma crise com um potencial de impacto bem além das perdas de capital; porque num mundo desenvolvido, ou pelo menos informado, ou pelo menos democrático, a gravidade desta ameaça não coexistiria com negociações à porta fechada; então, "Não comento", nestas circunstâncias, não representa uma proteção a um frágil, insolvente, moribundo mercado. É antes uma negociata. Um insulto aos cidadãos.




