21 de abril de 2014 às 13:08
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Um (irritado) manifesto feminino sobre os WC públicos

Paula Cosme Pinto, sapato nº38 (www.expresso.pt)
Problema transversal a outros continentes, como se pode ver na foto... Problema transversal a outros continentes, como se pode ver na foto...

Este é um daqueles textos sobre nada de supostamente muito importante mas que já fez correr muitas palavras pouco charmosas da boca de saltos altos do mundo inteiro. A minha incluída. Este texto vai ser sobre portas de casa de banho públicas. Interessante, hein? Se são mulheres, vão ver que sim.

Ora bem, o que pretendo é fazer um manifesto público aos senhores (vá, quero acreditar que não há senhoras a cometerem este erro) que desenham WC públicos. Eu, enquanto mulher que usa mala diariamente, peço-vos encarecidamente que não se esqueçam de incluir nos vossos fantásticos designs uma coisa tão simples como... txan txan txan txaaaan: um cabide. Não precisa ser grande, nem ter vários ganchos. Basta um. E assim evitam uma crise de nervos feminina a cada minuto que passa.

Se não percebem desde já tanta indignação, deixem-me que vos diga que o equilibrismo do "alívio" numa casa de banho pública, habitualmente suja, já não é por si só coisa fácil. Há collants para descer, saias para levantar, um alvo para acertar sem termos propriamente uma "espingarda" que possamos apontar para a ocasião... Enfim, escuso de descrever o momento. Mas imaginem que no meio deste malabarismo ainda há uma mala no ombro. Que balança com os nossos movimentos. Que se abre repentinamente deixando cair o conteúdo todo no chão. Chão esse, onde ninguém se atreve a pousar seja o que for a não ser as solas dos sapatos.

À falta de cabide juntem um buraco no chão...


O "problema" não é exclusivo de Portugal. Que na Índia, que por acaso até nem foi o caso quando o WC existia, não usem cabides, muito bem. Mas que aqui na Europa, supostamente tão avançada, isto aconteça permanentemente não se percebe. Lembro-me de, por exemplo, um dia estar de visita às ruínas romanas, em Roma, e enquanto visitava o museu me ter dado vontade de ir ao WC (acontece, escusam de fazer comentários mal-cheirosos). Não só não havia cabide na porta, como em vez de uma sanita havia um buraco no chão. Se o equilibrismo já não é fácil com uma ligeira flexão de pernas, imaginem quão impossível é de cócoras. Não é agradável, meus senhores.

Por mais que isto pareça um assunto de teor muito parecido àquilo que fazemos no WC e que é uma palavra que não posso escrever aqui, agradeço a quem conheça alguém que se dedica a portas de casa de banho que apele pelo fim deste inconveniente. É algo muito simples e indolor, inclusive para a carteira. Um mísero cabide não há de custar assim tanto, quando falamos de orçamento milionários de centros comerciais, aeroportos, hospitais e demais grandes empreendimentos onde, recorrentemente, isto acontece. A Vida de Saltos Altos agradece... e fica assim com menos uma justificação para se ir à casa de banho aos pares.


A Vida de Saltos Altos em livro


Autoras: Ana Areal, Liliana Coelho, Paula Cosme Pinto, Sofia Rijo, Solange Cosme

Editora: Plátano (coleção Livros de Seda)

Preço: 11,80€ em loja, 10,62€ se for adquirido via site da Editora Plátano

Páginas: 158

ISBN: 9789727708598


Saiba mais sobre o livro:

Um livro lançado... em Saltos Altos (vídeo e fotogaleria)
Blogue mais feminino do Expresso chega às livrarias (vídeo)



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Comentários 26 Comentar
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É porque não anda de mota
Se fosse homem e tivesse de usar um urinol com um capacete, iria ver o que é um verdadeiro problema!
Levanta-se o véu!
Finalmente, uma das razões que levam as mulheres a irem aos pares para a casa de banho...
Deduzo que quando vão mais de duas, é porque ou uma vai muito carregada ou há economias de escala.
Por uma WC condigna
Caríssima… bem, pensando melhor, vou tratá-la por “baratíssima” Paula. Antigamente - refiro-me ao período AT (antes da troika) - tratava a todos por “caro”, ou “cara”, mas a vida, tal como está…

Portanto, cá vai

Baratíssima Paula, pense bem: para que servem os homens? Exactamente: para ficarem à porta a segurar a mala. Uma das razões para andar sempre acomanhada.

  E a moral e os bons costumes justificam casas de banho públicas diminutas. A Paula sabe lá, o que se pode fazer numa casa de banho megalómana. Às vezes, tão grandes, que dão para várias pessoas satisfazerem as necessidades ao mesmo tempo. E o problema reside em saber: que necessidades?

Para essas necessidades, que usem as casas de banho privadas, pois não são os meus impostos a pagar despautérios. Quiçá, práticas indecorosas, que uma profusão de cabides podem proporcionar

E na sua reclamação sobre Roma, já teve sorte em haver buraco. É o que faz frequentar zonas degradadas, como o caso das ruínas de Roma. Aposto que não se fazem obras há centenas de anos. E também não lembra ao diabo ter dor de barriga e ir resolver a coisa a umas ruínas.

E termino, lastimando que a baratíssima seja uma preconceituosa, retirando-me o direito de andar de mala a tiracolo. Sim, porque os homens também têm direito de pendurar coisas.

Cabides para todos

Um indignado
Re: Por uma WC condigna Ver comentário
Re: Por uma WC condigna Ver comentário
Reclamar.
Não contesto a justeza desta reclamação por isso sugiro às senhoras que a façam por escrito (baton serve) no espelho do WC ou, se este não existir, na própria porta. Desta forma a mensagem chegará mais rapidamente aos destinatários. O pessoal de limpeza poderá ficar desagradado, mas já está habituado a limpar coisas bem piores nestes locais.
Re: (Um irritado) Manifesto feminino sobre os WC p
Nessa mala sem fundo ainda irá caber um par de ganchos com ventosa...
Re: (Um irritado) Manifesto feminino sobre os WC p Ver comentário
Ó minha senhora
Um dia faça uma excursão ás casas de banho dos homens.
Pode crer que verá com olhos muito mais benevolentos o seu problema.
Queres ver...
...que nos WCs femininos não há maçanetas nas portas?
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Re: Queres ver... Ver comentário
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As coisas esquecidas.
Problema pertinente e sempre actual. As casas de banho são públicas, porque a lei assim obriga, mas o resto, meus senhores! Sim! Estou a falar da higiene! Que o diga a CP na estação do Rossio. Se a vontade de fazer é relativa, não acredito que não volte para trás e faça em casa ou noutro sítio qualquer. O cheiro é nauseabundo e é necessário, para além da máscara, um escafandro. Quanto ao cabide, ele é extensivo às casas de banho dos homens. Mas não esqueçam de pôr 4 parafusos difíceis de tirar! É que há sempre quem se entretenha a estragar! Sempre se podiam entreter com outra coisa...Mas não!
Em síntese
...este texto, revela que existe uma excelente oportunidade de competitividade, no negócio de design de WC's.
Brilhante!
Já agora, e aproveitando a embalagem do tema, sugiro também uma ventax de ar quente para secagem (homens, não tenham receio que o cano da espingarda não oxida).
E a altura dos urinois...?
Já agora questiono-me quem é que regula a altura dos urinois... Sendo um tipo de estatura mediana, já urinei em urinois onde me tenho que esticar pelo que me interrogo como um tipo mais baixo conseguirá urinar. Por outro lado, ja encontrei urinois que estao tao baixinhos que tenho que me esforçar para acertar... e ponho-me a imaginar nos malabarismos que um tipo de 1,90 deverá fazer. Enfim, as coisas que um tipo pensa quando esta a urinar...
Há esperança...
ponho cabides religiosamente em todas as casas-de-banho que me passam pelas mãos (incluindo nas masculinas, que não sou preconceituosa) - mas não na porta, sempre aparafusadinhos à parede! Há esperança senhoras! Há esperança!
Re: (Um irritado) Manifesto feminino sobre os WC p
Acho que este é mesmo um pais de gente porca...
E o que choca mesmo é as pessoas conformarem-se com isto e automaticamente assumem e acham normal um WC publico estar porco e mal cheiroso.

Quem é responsável pelos WC's também não quer saber, faz poucas limpezas e as empregadas que nem salário mínimo ganham também não devem estar muito empenhadas quando fazem o trabalho.

Acaba por ser uma bola de neve. e os utentes conformam-se não reclamam o suficiente.
Mas como com outras coisas, o estado geral dos WC's públicos também consegue ser um bom indicador do nível de civismo de um pais!

Até no aeroporto da Portela, com tanta taxa que pagamos, temos logo um intenso WELCOME TO PORTUGAL só de nos aproximarmos das portas dos WCs, certamente que causa logo uma boa impressão aos turistas que passam por cá.
Pessoalmente o que mais me irrita nos nossos WC:
É as portas abrirem quase sempre para dentro, o que me obriga a mexer numa maçaneta, muitas vezes manuseada por pessoas, com "hábitos de higiene" bem mais excassos que os meus.
JÁ PENSOU...
Já pensou que poderá ser uma maneira de evitar que a mala fique no chão e a dona se pendure no cabide?
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