Um boy e um morto - descubra as diferenças
Ser um boy é o melhor currículo que se pode apresentar. Até porque no limite nem sequer é preciso existir verdadeiramente um currículo. Pelo menos daqueles correntes, que as pessoas usam para se candidatarem de forma tradicional a um emprego - com informações fidedignas e reais. Para um boy o currículo é ele próprio, a embalagem, mesmo que vazia. Basta existirem fisicamente. Não é necessário terem curso superior, pós graduação (mesmo que tirada antes da licenciatura) ou doutoramento. Não é requisito ser especialmente inteligente, dotado ou desenvolto em determinada área ou especializado numa qualquer função. Não é preciso ter conhecimentos técnicos ou teóricos, trabalho feito, obra criada ou uma carreira. Não é preciso falar, saber escrever, emitir sons ou sequer grunhir.
É apenas conveniente ter as quotas do partido em dia ou pagá-las à pressa e um ou dois padrinhos dentro do aparelho que saibam mexer os cordelinhos. Isto ou ser nomeado diretamente por uma qualquer besta-quadrada com mais poder que cerebelo e com uma agenda ou ficheiro de computador com nomes por preencher.
Aparentemente, e a acreditar no que se tem descoberto nos últimos tempos, um surdo-mudo com 95% de cegueira seria capaz de desempenhar milhares de cargos dos mais bem pagos deste país. Todos, sem exceção, sustentados pelos contribuintes. Estou até convencido, após reflexão de alguns (breves) minutos sobre o assunto, que alguns cadáveres seriam mais úteis em funções desempenhadas por altos cargos de empresas do sector público do que alguns por ali andam a sacudir o pó da incompetência. Por variadíssimas razões sendo a mais óbvia a de que ambos, morto e boy, possuírem intrinsecamente a mesma capacidade de produção. O morto porque não pode, o boy porque não sabe. O boy é um inútil. Um parasita. O morto é um morto. Só e apenas.
A segunda passa pelo facto de um morto não delapidar estupidamente os cofres do Estado. O morto não necessita de um carro de alta cilindrada com chauffeur, não tem a necessidade de ter um telemóvel com plafond ilimitado, não viaja com um cartão de crédito dourado no bolso. A única viagem do morto num Mercedes será numa carrinha funerária, envolto em ramos e coroas de flores direto para o outro mundo. Ao contrário do boy, o morto não causa qualquer tipo de danos ao erário publico. O morto pode ser pesado mas não é um peso morto para a Economia. Enquanto o morto é enterrado o boy enterra o país.
Conclusão (com um ligeira adenda da minha parte) e pegando na mítica frase do Marquês de Pombal, Sebastião José de Carvalho e Melo, após o terramoto de 1755: enterrem-se os mortos, despeçam-se os boys e cuidem-se dos vivos.
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