0
Anterior
O Fouchet's não é a mesma coisa
Seguinte
Ite, missa est
Página Inicial   >  Blogues  >  Bitaites e Bicuaites  >   Um democrata leva tempo a fazer

Um democrata leva tempo a fazer

|

No "Escrito na pedra" de ontem, o "Público" cita Jean-Paul Sartre: "Quando alguma vez a liberdade irrompe numa alma de um homem, os deuses deixam de poder seja o que for contra esse homem".

Assino por baixo. Inteiramente.

Bitaites


1. Os militares que fizeram o 25 de Abril - e dentre eles há que destacar sem qualquer dúvida Otelo Saraiva de Carvalho, Vasco Lourenço, Vítor Alves e Melo Antunes - cumpriram aquilo que prometeram a si próprios e ao povo português: puseram fim ao fascismo salazarista-caetanista e abriram as portas à democracia, à descolonização e ao desenvolvimento. E só quem não sabe, não se lembra ou faz por esquecer o que era o Portugal dos anos 40, 50, 60 e até do início da década de 70, pode deixar de estar-lhes eternamente grato. Porque era a miséria, o analfabetismo, o atraso, a Pide, etc. etc., vivendo este povo numa espécie de Idade Média que nunca ouvira falar, ou muito vagamente, da Revolução Francesa, da Revolução Industrial, da Arte moderna e contemporânea, dos avanços científicos, enfim, de tudo quanto de importante e decisivo se passava no Mundo, com um único direito - trabalhar, quando havia trabalho, para não morrer à fome - e uma única escapatória: a religião, melhor dizendo, a Igreja Católica, pilar e cúmplice do regime e aliada fiel de Salazar durante esses longos anos de trevas.

2. Só que, se a Democracia se pode instaurar por decreto, isto é, por Constituição expressa, um democrata leva tempo a fazer. E, por cá, continua muito longe de estar feito. Assim, tal como a entrada na Europa não fez de nós europeus, também o advento da Democracia não fez de nós os democratas de que essa forma (superior) de viver em sociedade exige. Culpa do 25 de Abril? Não, evidentemente: culpa, isso sim, dessa miséria, desse analfabetismo, desse atraso, dessa subserviência aos senhores da terra e da religião, cujo Ministério da Defesa se situava ali mesmo ao Chiado, mais concretamente na António Maria Cardoso, sob o comando de resto de um altíssimo patrono com sede em São Bento: Salazar "himself".

3. Pelo que confundir (como hoje muita gente faz) o 25 de Abril e a Democracia com aquilo que sucessivas gerações de políticos, pseudo-políticos, de empresários, de pseudo-empresários, e por aí fora, em grande maioria virados apenas para a sua própria promoção financeira, lucro fácil e a aparência social (com total desprezo aliás pelo resto), só poderia mesmo sair da cabeça de alguns fulanos que há 40 anos, financeira ou socialmente, nada ou pouca coisa eram, a não ser subservientes, medrosos, atentos - e- obrigados- a- bem- da- Nação, e de chapéu na mão, é claro. Fulanos esses que, de repente, começaram a imaginar-se de pelo menos de cartola... E assim, à terrível Idade Média em que vivíamos, acabou por suceder essa gente e uma triste classe média que a Banca alimentou, o que (país pequeno e pobre apanhado em plena crise mundial) nos levou em grande parte a esta actual falência, sem que ninguém, por temor, por pudor ou por desfaçatez (no caso dos políticos) diga hoje em dia a verdade a ninguém .

Moral da história? Nenhuma. Porque não há qualquer moral em nada disto. Aliás, nem moral (no feminino) nem no masculino: porque (como todos sabemos) o moral também anda pelas ruas da amargura.

4. Já uma vez o disse aqui, mas digo outra vez: sou do Barça desde o início dos anos-60, quando em Madrid reinava o Franco, e os meus amigos catalães ("salut", Cucurull e tantos outros) me ajudaram a saír da Península, num tempo em que a "Europa" se situava de facto para lá dos Pirenéus. Ora, nesse tempo, o Barça era sem dúvida o maior símbolo de uma Catalunha que sempre bateu o pé à ditadura franquista, por mais que Raimon (outro símbolo) enchesse salas a cantar em catalão (uma atitude muito corajosa e perigosa, diga-se) e uma Resistência, visível ou clandestina, nunca tivesse (muito pelo contrário) baixado os braços. Por isso, lamento (e muito) que o Pep Guardiola não tenha batido, em Camp Nou, o Real (perdendo assim em definitivo o título de campeão) e tenha sido afastado pelo Chelsea da final da "Champions". Mas, pelo visto, o "combóio" inglês (tal como o do Inter de Mourinho, há uns anos, em idênticas circunstâncias) deu fruto. Perguntando-me eu no entanto três coisas: será que Guardiola (e aqui estou com Octávio Machado, o que é raro mas acontece) não tem plano-B? Será que o Barça chegou a este cume da época fora de forma física? E será que Tello, Cuenca, Tiago Alcântara e outros dos jovens da cantera estarão desde já preparados para aventuras destas? Uma coisa é certa: nem Xavi, nem Iniesta, nem muito menos Messi estão no seu melhor. Longe disso. PS. O Real foi eliminado pelo Bayern. No que me diz respeito, ainda bem.

5. Morreu Miguel Portas. Uma morte que nem ele nem nós merecíamos.

6.Leio n' "O Jogo" que o FC Porto "caminha para rei do milénio das principais Ligas europeias". Comentários para quê?


Bicuaites

1.Título do "Correio da Manhã": "Holanda fica sem Governo".

Porque é que não experimentamos isso por cá?

2. Título do "Público": " Salários em Portugal muito abaixo da média europeia".

Bruxo!

3. André Pipa: "As escolhas de Jorge Jesus nesta recta final não ajudam à redenção junto dos adeptos saturados de 'quases' e títulos menores".

Já estou a ver daqui Jesus (na sua habitual bazófia) a dizer, e com razão: se o presidente aguenta com apenas dois títulos em dez anos, eu também posso aguentar. Porque, como diria o Vasco Santana, bazófias há muitas.

4. D'"O Jogo": "Gémeo de Lima gostava de vê-lo no FC Porto".

Com o Janko e o Kleber, parece-me difícil...

5. Na secção-Braga, do mesmo "O Jogo": "Jardim é segundo no pódio dos pontos, só a melhor pontuação de sempre, com a chancela de Domingos, não poderá ser batida esta época". E em título: "Máximo de Jesualdo visto do retrovisor".

Deve ser contudo um retrovisor muito fraquinho: se nem sequer avista o Jesus ...

6. Título do "Correio da Manhã": "Rosa Mota pede ajuda para tratar cancro".

Se um "cancro" destes não mata o "CM", é que o "CM" é imortal!

7. Ainda d' "O Jogo": No seu conhecido Tribunal, os três árbitros-julgadores - Jorge Coroado, Pedro Henriques e José Leirós - por uma vez completamente de acordo sobre os pontos mais polémicos da arbitragem de Carlos Xistra no Nacional-Sporting.

Não devem ter visto o mesmo jogo.

 

De Raimon (canção de meados dos anos-60, tradução para português de Manuel de Seabra)

Digamos não

Agora que estamos juntos

direi o que tu e eu sabemos

e que muitas vezes esquecemos:

Vimos o medo

ser lei para todos

Vimos o sangue

- que só faz sangue ??"

ser lei do mundo.

Não,

Eu digo não,

digamos não.

Nós não somos deste mundo.

Vimos a fome

ser pão

dos trabalhadores.

Vimos fechados

na prisão

homens cheios de razão.

Não,

eu digo não,

digamos não.

Nós não somos deste mundo.

Não,

digamos não.

Nós não somos deste mundo.


 

António Tavares-Teles escreve de acordo com a antiga ortografia


Opinião


Multimédia

O Cabo da Roca depois da tragédia que matou casal polaco

Os turistas portugueses e estrangeiros que visitam o Cabo da Roca, em Sintra, continuam a desafiar a vida nas falésias, mesmo depois da tragédia que resultou na morte de um casal polaco, cujos filhos menores estavam também no local. Durante a visita do Expresso, um segurança tentou alertar os turistas para o perigo e refere a morte do casal polaco. O apelo não teve grande efeito. Veja as imagens.

Ó Capitão! meu Capitão! ergue-te e ouve os sinos

Ele foi a nossa ama... desajeitada. Ele foi o professor que nos inspirou no liceu. Ele trouxe alegria, mesmo nas alturas mais difíceis. Ele indicou-nos o caminho na faculdade. Ele ensinou-nos a manter a postura, mas também a quebrar preconceitos. Ele ensinou-nos que a vida é para ser aproveitada a cada instante. Ó capitão, meu capitão, crescemos contigo e vamos ter de envelhecer sem ti. 

Crumble. A sobremesa mais fácil do mundo

Tiger escolheu a gastronomia como forma de estar na vida, especialista em pratos de confeção acessível, com ingredientes ao alcance de qualquer pessoa. Veja, confecione, desfrute e impressione.

Voámos num F-16

Um piloto da Força Aérea voou com uma câmara GoPro do Expresso e temos imagens inéditas e exclusivas para lhe mostrar num trabalho multimédia.

Salada de salmão com sorvete de manga

Especialista em pratos de confeção acessível, com ingredientes ao alcance de qualquer pessoa, Tiger escolheu a gastronomia como forma de estar na vida. Veja, confecione, desfrute e impressione.

Por faróis nunca dantes navegados

São a salvaguarda dos navegantes, a luz que tranquiliza o mar. Há 48 faróis em Portugal continental e nas ilhas. Este é um acontecimento único: todos os faróis e 1830 km de costa disponíveis num mesmo trabalho. Para entendê-los e vê-los, basta navegar neste artigo.

Parecem casulos onde gente hiberna à espera de ver terra

No Porto de Manaus não há barcos, mas autocarros bíblicos que caminham sobre água. Têm vários andares e estão cheios de camas de rede que parecem casulos onde homens, mulheres e crianças aguardam o destino. E há gente a vender o que houver e tiver de ser junto ao Porto. "Como há Copa, tem por aí muito gringo que vem ter com 'nóis'. E então fica mais fácil vender"

O adeus de Lobo Antunes às aulas de medicina

O neurocirurgião deu terça-feira a sua "Última Lição" no auditório do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, na véspera de deixar o seu trabalho no serviço nacional de saúde.

Jaguar volta a fabricar desportivo dos anos 60

Até ao verão será fabricado um número limitado de desportivos Jaguar E-Type Lightweight, seguindo todas as especificações originais, incluindo a continuação do número de série das unidades produzidas em 1963.

"Naquela altura estavam continuamente a acontecer primeiras coisas"

Mais do que uma manifestação, o 'primeiro' 1º de Maio é recordado como a grande festa da Revolução dos Cravos, quando o povo saiu às ruas em massa e a união das esquerdas era um sonho possível. "O 1º de Maio seria mais uma primeira coisa, porque naquela altura estavam continuamente a acontecer primeiras coisas." Foi há 40 anos.

Este trabalho não foi visado por qualquer comissão de censura

Aquilo que hoje é uma expressão anacrónica estava em relevo na primeira página do "República", a 25 de Abril de 1974: "Este jornal não foi visado por qualquer comissão de censura". Quarenta anos depois da Revolução, veja os jornais, ouça os sons e compreenda como decorreu o "dia inicial inteiro e limpo", como lhe chamou Sophia. O Expresso falou ainda com cinco gerações de 40 anos e percorreu a "geografia" das Ruas 25 de Abril de todo o país, falando com quem lá mora. Veja a reportagem multimédia.


Comentários 0 Comentar

Últimas

Ver mais

Edição Diária 17.Abr.2014

Leia no seu telemóvel, tablet e computador
PUBLICIDADE

Pub