Passos Coelho entrou à frente e saiu à cabeça do Congresso
Um Congresso com vencedor
O Congresso do PSD foi convocado para permitir o aparecimento de novos candidatos. Mas os "desejados" não apareceram. Foi convocado para alterar os estatutos. Mas não se tocou na eleição do líder. Esperou-se do Congresso que travasse a dinâmica de vitória que Passos Coelho vem acumulando desde o dia que apresentou o seu projecto político ao País sob a forma de um livro. Mas essa dinâmica, longe de ser travada, consolidou-se e expandiu-se no Congresso.
Passos Coelho sai claramente vencedor deste Congresso. Não porque tenha tido mais palmas, embora a clara maioria de dois terços que se evidenciou tenha o seu significado. Nem por nenhuma das armas secretas contra ele apontadas - desistências, novos candidatos, apoios arrasadores a um dos seus adversários - ter sequer logrado ser disparada. Mas não foi isso o essencial: é por ter sido o único dos quatro candidatos capaz de marcar a agenda que sai vencedor. Com isso, distanciou-se claramente dos outros dois concorrentes - por piedade não falo de Castanheira Barros - que tendo apostado no efeito da exaltação retórica para compensar o défice de apoio na plateia, acabaram por produzir discursos sem conteúdo programático e sem novidade política.
Na vertente partidária, Passos Coelho soube assumir as suas divergências sem as transformar em factor de divisão. Soube encarar os que o criticam pelas costas e que cara a cara, em frente ao País, nada ousaram dizer sobre o seu percurso ou sobre a sua idoneidade. Soube desafiar Alberto João Jardim a uma reconciliação sem subserviência nem desonra, quando lhe seria tão fácil aproveitar a tragédia da Madeira - como outros fizeram - para prestar uma vassalagem encapotada ao poder do voto arquipelágico. Também aí saiu ganhador.
Mas Passos Coelho marcou sobretudo a agenda política do País. Não sei se repararam que foi o único a levar propostas concretas para o palco de Mafra. Tributo solidário dos beneficiários de prestações sociais, designação parlamentar do governador do Banco de Portugal são dois exemplos salientes daquilo que não se encontrou em qualquer outro discurso. Mas foi também o único a estabelecer uma relação de forças com o Governo. Onde os outros candidatos se limitaram a malhar no Eng. Sócrates, Passos Coelho lançou desafios, entre os quais o de apenas votar o PEC depois da eleição do novo líder do PSD. Ao fazê-lo, foi já líder da oposição. Faltam menos de duas semanas para o ser realmente.


