Cristina Araújo, de 48 anos, foi condenada pelo Tribunal de Coimbra a doze meses de pena efectiva pelo Tribunal de Coimbra. O advogado deverá recorrer da decisão da juiza.
A condutora de Coimbra guiava sem carta há 21 anos e reprovou oito vezes no exame de código. A 10 de Agosto foi detida pela 37ª vez pela polícia, por conduzir sem os documentos quando ia para mais uma aula de código. "Tenho tido azar", disse numa reportagem publicada pelo Expresso, há uma semana (ver relacionado no final deste texto).
Entre 2005 e 2008, esteve presa, por culpa do mesmo crime: conduzir sem documentos. A pena máxima para estes casos é de dois anos de prisão. Ela apanhou três anos e três meses, por cúmulo jurídico. "O juiz estava farto de me ver. Acusou-me de estar a gozar com as autoridades e castigou-me." A única queixa que guarda da prisão é que a poderiam ter autorizado a fazer os exames.
Aos 25 anos, iniciou a odisseia ao volante de um Mini. "Aprendi a guiar no mato." Não passou muito tempo até ser apanhada, no asfalto. "Estava a tentar vender o terceiro quilo de fruta, no Largo da Praça Velha, em Coimbra, sem licença. Recusei-me a pagar a multa. A partir daí, a polícia passou a conhecer-me bem." Aos 30, estreou-se no tribunal de Coimbra. E também os magistrados se familiarizaram com aquela senhora de língua afiada. "Já perdi a conta das vezes em que fui interrogada por polícias, advogados e juízes."
Mãe de três filhos, Cristina vive sem marido, depois de passar por dois divórcios e uma viuvez. Os últimos meses têm sido aziagos: ficou sem ocupação, sem casa e sem dinheiro. E o subsídio do Estado secou. "Tinha uma rulote onde vendia cafés, sumos e bolos. Não me renovaram a licença depois de sair da prisão. Como será o meu ganha-pão?".
Antes do Hyundai que conduzia até hoje, o seu carro era um Toyota, também em segunda mão. Chegou a mudar-lhe a cor, para a polícia não o reconhecer. Sem grande êxito. "A maior parte das vezes em que fui caçada, estava a vender fruta na estrada. Também já me mandaram parar em operações Stop. Mas nunca fui apanhada em transgressões ou acidentes."
Cristina esforça-se por fazer as contas ao dinheiro que já gastou em multas e despesas processuais: "Para cima de cinco mil euros".