O banqueiro Fernando Ulrich, presidente do BPI, acredita que as universidades portuguesas são uma peça fundamental para ultrapassar a crise, em vários sectores, mas que precisam de uma mudança na forma de agir e de pensar.
"Por vezes fico com a sensação que as comunidades universitárias existentes no nosso país não fazem tudo o que poderiam fazer, nos seus domínios de especialidade, para esclarecer a sociedade portuguesa e melhorar a qualidade e o rigor dos debates públicos sobre as questões relevantes para o progresso de Portugal", criticou, num discurso como presidente do Conselho Geral da Universidade do Algarve, que ontem assinalou o seu 31.º aniversário
"Provocação construtiva"
Após a cerimónia de doutoramento honoris causa da escritora algarvia Lídia Jorge e antes do discurso de encerramento do reitor, João Guerreiro, Ulrich aproveitou para, nas suas próprias palavras, lançar uma "provocação construtiva" sobre o ensino superior em geral e em particular sobre o caso da Universidade a que preside.
"A Universidade do Algarve deve assumir plenamente a sua posição de Universidade nacional. Tem de funcionar como tal e é assim que tem de ser vista de fora. Não pode nem deve deixar-se acantonar como uma Universidade regional", disse.
"O Algarve não é suficientemente grande nem suficientemente rico para que uma Universidade regional possa ser um projecto atractivo e sustentável no longo prazo", acrescentou, antes de elencar algumas falhas estruturais no sistema de ensino superior português.
"Fábricas" de doutores
"Fico com a sensação que as Universidades portuguesas vivem demasiado fechadas na sua missão de "fábricas" de licenciados e doutores e não incentivam os seus membros - alunos, professores, investigadores - a serem mais proactivos na sociedade em que vivem", admitiu o gestor do BPI, que frequentou o Curso de Gestão de Empresas no Instituto Superior de Economia de Lisboa, entre 1969 e 1974, sem ter chegado a concluir a licenciatura.
A fechar, Ulrich lembrou o caso das universidades norte-americanas, que beneficiam muito das publicações e intervenções públicas das comunidades académicas sobre assuntos de interesse colectivo, algo que segundo Ulrich poderia ser feito no nosso país em áreas tão diversas como as finanças públicas, o turismo, a pesca, a saúde e a formação cultural e artística, entre outras.