Fernando Ulrich, presidente do BPI disse hoje que dispensa os conselhos da troika.
"Não estou para ouvir funcionários de 5ª, 6ª, 7ª ou 8ª linha dizer o que devemos fazer. Prefiro escutar a mensagem do primeiro-ministro Passos Coelho ou do seu ministro das Finanças".
Ulrich falava durante uma conferência organizada pela CIP - Confederação Empresarial Portuguesa, em Lisboa.
Nesta mesma conferência, Ricardo Salgado, presidente do BES, disse que o seu banco está no bom caminho para atingir um rácio de transformação de depósitos em crédito de 120% em 2014, com a venda de créditos
internacionais.
"A desalavancagem tem sido muito criticada pela intensidade num prazo tão curto mas, no nosso caso, estamos a caminhar para lá porque utilizámos o facto de o BES ser [um banco] muito internacionalizado e conseguimos vender créditos que tínhamos em Londres e Nova Iorque, o que forçou a queda da curva de desalavancagem", afirmou hoje Ricardo Salgado, no Congresso "O Imperativo do Crescimento", organizado pela CIP - Confederação Empresarial Portuguesa, em Lisboa.
Assim, afirmou o banqueiro, nos três primeiros meses deste ano o BES já fez "metade do caminho que falta para atingir 120% em dezembro de 2014". O presidente do BES afirmou que o banco tem conseguido esta desalavancagem porque já no segundo semestre de 2010 tinha começado a vender créditos internacionais.
"O montante total de vendas atinge 2,5 mil milhões de euros", adiantou Ricardo Salgado.
O BES tinha um rácio depósitos/crédito de 146% em setembro face aos 165% de dezembro de 2010. Ricardo Salgado disse ainda que o reforço do capital dos bancos não vai ajudar à desalavancagem.
Quanto aos depósitos, que num momento de dificuldades de financiamento da banca se estão a revelar fundamentais às instituições,
Salgado disse que estes "continuam a crescer", ainda que seja esperado um abrandamento.
O banqueiro mostrou-se uma vez mais satisfeito com as regras penalizadoras impostas pelo Banco de Portugal aos depósitos a prazo com
taxas de juro demasiado elevadas, mas deixou um reparo: "O Banco de Portugal estabeleceu uma norma e bem, embora os bancos estrangeiros em Portugal não estejam sujeitos a estas regras".