Cerca de 28 doenças de pele e não-pele foram analisadas em detalhe pela Direcção-Geral da Saúde e Consumidores da Comissão Europeia, antes da entrada em vigor, no passado dia 1 de Setembro, da directiva europeia que vai banir as lâmpadas incandescentes até 2012.
O estudo, feito pela Comissão Científica de Riscos para a Saúde, reconhece que para certos doentes com hipersensibilidade à luz, a cintilação, as radiações ultravioleta e a luz azul "podem exacerbar os sintomas", mas conclui que "não há evidência consistente de que o uso de LFC contribua significativamente para isso".
De todas as propriedades destas lâmpadas, "apenas as radiações ultravioleta e da luz azul foram identificadas como um potencial factor de risco para o agravamento dos sintomas de hipersensibilidade à luz em alguns pacientes com doenças como dermatite actínica crónica e urticária solar".
Efeitos em condições extremas
A Comissão chama a atenção para o facto de certos modelos de LFC de invólucro simples emitirem radiações ultravioleta B (onda média) e vestígios de radiações ultravioleta C (onde curta). "Em condições extremas (isto é, exposições prolongadas a distâncias de menos de 20 centímetros) estas LFC podem conduzir a exposições ultravioleta que se aproximam dos limites legais estabelecidos nos locais de trabalho para proteger os trabalhadores de danos na pele e na retina".
O estudo salienta, por fim, que o uso de LFC de duplo invólucro ou tecnologia semelhante, poderá mitigar largamente ou totalmente tanto este risco como o do agravamento dos sintomas das pessoas hipersensíveis à luz. Quanto à população em geral (as pessoas saudáveis), o documento chama a atenção para os riscos associados à exposição excessiva às LFC a menos de 20 centímetros de distância devido às radiações ultravioleta, e à exposição excessiva à luz azul, que "pode contribuir para alguns danos na retina se estiver demasiado próxima dos olhos".
De qualquer maneira, a Comissão Científica assinala que há declarações sobre os efeitos nefastos para a saúde das LFC "parcialmente baseadas em percepções subjectivas e efeitos psicológicos com falta de evidência científica", o que significa que "há necessidade de estudos experimentais e epidemiológicos adicionais antes de se tirarem conclusões finais sobre este assunto".
E há uma limitação de fundo. É que, "devido à falta de dados concretos sobre as LFC, foram extrapolados os dados existentes relativos às lâmpadas fluorescentes tradicionais" para situações em que as LFC devem ser usadas.
Lista das doenças analisadas
1. Doenças de não-pele
- Epilepsia
- Enxaquecas
- Dislexia/Síndrome de Stresse Visual
- Síndrome de Ménière
- Sida
- Doenças da retina
- Autismo
- Síndrome de Fadiga Crónica
- Fibromialgia
- Dispraxia
- Fotofobia
- Cegueira da neve e Cataratas
- Hipersensibilidade electromagnética
2. Doenças de pele
- Fotodermatoses idiopáticas: Erupção polimórfica, Dermatite actínica crónica, Prurigo actínico, Urticária solar
- Fotosensibilidade induzida por medicamentos e produtos químicos: Fototoxicidade (provocada pela amiodarona, fenotiazina ou antibióticos de fluoroquinolonas), Agentes anti-cancerígenos (fotofrin, foscan), Fototoxicidade provocada pelo psoralene de plantas ou dietas, Dermatite foto-alérgica de contacto
- Genofotodermatoses
- Porfirias
- Dermatoses foto-agravadas
- Lúpus
-- Cancro de pele