27/05/2012 atualizado às 1:18

UBI distingue Francisco Balsemão com Honoris Causa

Francisco Pinto Balsemão foi distinguido pela Universidade da Beira Interior com a mais alta insígnia académica.

11:50 Terça feira, 12 de outubro de 2010

O presidente do grupo Impresa, Francisco Pinto Balsemão, recebeu ontem o doutoramento Honoris Causa pela Universidade da Beira Interior (UBI), como reconhecimento do "mérito e pela obra desenvolvida em prol da comunicação social portuguesa, mas também pela consolidação de uma democracia livre e plural no nosso país".

Francisco Balsemão mostrou-se "emocionado" na cerimónia de entrega da alta insígnia académica, sublinhando que a distinção lhe faz lembrar as origens.

"Estou emocionado porque esta distinção toca-me nas raízes, alcança e mexe com as origens, por mais que nos rendamos às inevitabilidades sociais e culturais da globalização, pesam sempre, decisivamente, no que somos, no que queremos, no caminho que percorremos", disse o presidente da Impresa.

Francisco Balsemão falou num "país em duas velocidades", lamentando o fosso económico-social ainda existente entre a Beira e Lisboa.

"O que mais me choca é verificar que continua, em muitos casos intransponível, o fosso entre o que, nos anos 70, encontrei na Beira e o que acontece em Lisboa e na faixa costeira do nosso país (...) Mas, apesar das autoestradas e da Internet, permanece a sensação de um país a duas velocidades, quando falamos, por exemplo, de investimentos públicos ou privados", acrescentou.

O protocolo de colaboração entre a Universidade da Beira Interior e a SIC, disse Balsemão, pretende contrariar essa diferenciação.

"Foi para atenuar esta diferenciação, para fazer algo de concreto contra esta discriminação, que assinámos, há já 12 anos, a UBI e a SIC, um protocolo de colaboração que gerou uma dinâmica criativa e favorável às duas instituições e que constituiu um dos motivos deste meu doutoramento," concluiu.

Francisco Pinto Balsemão é a segunda personalidade que recebe em 2010 o doutoramento honoris causa pela UBI, depois de António Guterres ter recebido esta distinção a 30 de Abril.


UBI distingue Francisco Balsemão com Honoris Causa

Leia o discurso na íntegra da Cerimónia de Doutoramento Honoris Causa pela Universidade da Beira Interior

Covilhã, 11 de Outubro de 2010


Senhor Reitor da Universidade da Beira Interior


Senhor Bispo da Guarda, Excelência Reverendíssima


Senhores Reitores das Universidades Portuguesas e seus representantes


Senhor Presidente do Conselho Geral


Senhores Vice-Reitores e Senhores Pró-Reitores


Senhor Professor Doutor António Fidalgo, Excelentíssimo Padrinho, Professor da Faculdade de Artes e Letras


Senhores Presidentes dos Institutos Politécnicos e seus representantes


Senhor Presidente da Câmara Municipal da Covilhã


Senhores Governadores Civis de Castelo Branco e Guarda


Senhores Presidentes das Faculdades da Universidade da Beira Interior


Digníssimas autoridades civis, militares, judiciais, religiosas e académicas


Ilustres professores assistentes e investigadores


Senhor Provedor do Estudante da Universidade da Beira Interior


Senhor Presidente da Associação Académica


Estimados alunos

Prezados funcionários


Minhas Senhoras e meus Senhores


Para além de uma grande e natural satisfação, recebo, com profunda emoção o grau de Doutor Honoris Causa que acaba de me ser atribuído pela Universidade da Beira Interior.

Estou emocionado, Senhor Reitor, porque esta distinção toca-me nas raízes, alcança e mexe com as origens. E, por mais que nos rendamos às inevitabilidades sociais e culturais da globalização, o sangue, a família, a vivência local, o lugar a que, em última instância, pertencemos, pesam sempre, decisivamente, no que somos, no que queremos, no caminho que percorremos.


Por vezes, esquecemo-nos que o eu vale mais do que a circunstância. Como escreveu Ortega y Gasset: "Não somos disparados para a existência como a bala de um fuzil, cuja trajetória está absolutamente determinada. É falso dizer que o que nos determina são as circunstâncias. Pelo contrário, as circunstâncias são o dilema perante o qual temos de decidir-nos. Mas o que decide é o nosso caráter".


E na definição do eu, do caráter, o de onde vimos tende a ser menosprezado.
A atribuição do doutoramento com que a Universidade da Beira Interior me honrou proporcionou-me uma interessante busca pelas minhas raízes, obrigou-me a um vertiginoso regresso às minhas origens, que, do lado paterno, são totalmente beirãs.


O meu Avô, Francisco Pinto Balsemão, que era republicano e esteve metido em sarilhos na ressaca do 31 de Janeiro, nasceu em Alfaiates, em 1855, e estabeleceu-se na Guarda, onde haveria de casar com a minha Avó, Luzia Patrício, filha de Francisco António Patrício, que foi Presidente da Câmara aos 25 anos, Governador Civil, Provedor da Misericórdia e um ativo apoiante do Partido Regenerador.


O Avô Balsemão e o Bisavô Patrício criaram a Empresa da Luz Elétrica que trouxe a eletricidade à Guarda, inaugurada oficialmente em 1 de Janeiro de 1899. Instalaram os primeiros telefones em 1902. Fundaram, também, no Rio Diz, a primeira grande fábrica de lanifícios do distrito, e, mais tarde, também de tapetes, cuja firma era precisamente Patrício & Balsemão.


Este dois homens, merecem a minha admiração e são dignos do meu orgulho. Apostaram no que então era o progresso - a energia elétrica, o telefone, a indústria -, lutaram pelas suas convicções políticas, preocuparam-se com o bem estar material, social e cultural das comunidades onde viveram.


Um vindo de Freixedas do Torrão, no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, outro oriundo de Alfaiates, no concelho do Sabugal, deixaram os respetivos filhos em condições de avançar com mais facilidade do que eles quando chegaram à Guarda,. Contribuíram para que, chegada a hora da morte, o mundo em seu redor ficasse melhor do que quando haviam nascido. Um pequeno mundo, talvez, mas será que a dimensão é o fator fundamental para avaliar a obra que cada um de nós deixa?


O meu Pai - Henrique Pinto Balsemão - frequentou o secundário na Guarda e só foi para Lisboa para prosseguir os estudos. Eu próprio passei anos na Guarda, se somarmos os muitos meses de férias desfrutados na casa de família situada no que então era a entrada da cidade. Conheci, desde muito novo, a região, com excursões ao Mondego, passeios pela Serra, banhos nas lagoas. A Covilhã, fazia parte obrigatória dos itinerários estivais, entre outras razões porque o meu Tio e grande companheiro Francisco Pinto Balsemão era casado com Maria Ranito Baltazar, uma Tia que não tinha filhos, com quem mantive sempre laços privilegiados. Felizmente, as relações familiares continuaram até hoje, através de outros membros da família Baltazar, aqui representada pelos meus amigos Fernando e Maria José. Os meus laços com a Covilhã foram também reforçados pela grande amizade que me uniu a um covilhanense ilustre, João Morais Leitão, cuja memória evoco com crescente saudade.


Em 1969, decidimos oferecer a casa de família ao Instituto de São Miguel. Terminada a saga dos lanifícios e dos tapetes, já ninguém da família vivia na Guarda e entendemos que não havia razão para manter uma bela mansão fechada, quando ela podia desempenhar, como ainda hoje desempenha, uma relevante função social, servindo, em atividades de creche, jardim de infância e ATL, 187 crianças.


Mas, curiosamente, também em 1969, negociadas as condições que coloquei para ser candidato a deputado, como independente, nas listas da Ação Nacional Popular, aceitei quase sem pensar, quando me colocaram a possibilidade de me apresentar pela Guarda. Achei que era obvio. Não sendo Lisboa, onde residia, só podia ser a Guarda.


Nessa altura, já com 31 anos, entrei numa nova relação com a Beira. É que, para além da campanha eleitoral, que foi realizada muito a sério e, durante a qual por vezes me cruzei com a lista da Oposição por Castelo Branco, chefiada pelo meu querido Amigo José Rabaça, para além da vitória, com uma votação muito para além das nossas expectativas, construí, já adulto, uma ligação forte ao distrito da Guarda e à Beira numa aceção mais genérica. Essa ligação, esse amor à terra dos meus antepassados, foi-se consolidando, à medida que, nos primeiros anos do mandato, procurei proceder a contactos regulares com as realidades e as necessidades do Distrito, concelho a concelho, e, por vezes, freguesia a freguesia.


Conheci então pessoas notáveis, beirões dos mais puros, interessados no progresso das sua terras, na defesa do património cultural, na proteção do ambiente, quando a palavra ainda não entrara no nosso vocabulário, no êxito de obras de solidariedade social, empresários com E grande, respeitados pelos seus trabalhadores, lutando por fazer crescer os seus negócios, criar mais emprego situar-se na vanguarda do progresso tecnológico.


Ao cabo de 2 anos, vi-me forçado a abrandar essa atividade, que me parece, aliás, ser obrigação de cada deputado em relação ao distrito que o elegeu. Como, até aí, era raro um deputado convocar, em pelo menos cada concelho, reuniões regulares, com agenda e conclusões, as expectativas criadas foram demasiado altas. Se, em encontros mais ou menos formais, se debatia e demonstrava a necessidade de uma ponte ou de uma estrada, da autorização para uma fábrica, de desembrulhar uma complicação burocrática que impedia o avanço de uma creche, as pessoas, as forças vivas ao nível local, pensavam que eu chegaria a Lisboa e, em 15 dias, resolvia cada assunto. Infelizmente, como é óbvio, não era assim.


Ficou-me essa lição, que procurei corrigir, provavelmente sem grande êxito, quando estive no Governo.


Senhor Reitor, minhas Senhoras e meus Senhores,


O que mais me choca é verificar que continua, em muitos casos intransponível, o fosso entre o que, nos anos 70, encontrei na Beira e o que acontece em Lisboa e na faixa costeira do nosso país.


É certo que o reforço do poder local teve efeitos muito positivos, que, em matéria de educação, de saúde, de defesa da natureza, de exercício dos direitos de cidadania, o nivelamento se tem efetuado. E que há cidades, como é o caso da Covilhã, onde apetece viver, porque a qualidade de vida é superior à de muitos super povoados dormitórios que de Norte a Sul polvilham o litoral português.


Mas, apesar das autoestradas e da Internet, permanece a sensação de um país a duas velocidades, quando falamos, por exemplo, de investimentos públicos ou privados, ou quando estudamos os dados demográficos e a penalização dos custos da interioridade ou quando vemos o espaço dedicado pelos meios de comunicação social de âmbito nacional ao que sucede nas diferentes zonas de Portugal, mais parecendo, por vezes - mea culpa, porque não posso excluir-me - que existe uma informação de 1ª e uma informação de 2ª, consoante o mesmo tipo de acontecimento ocorre mais perto ou mais longe do mar e, mais concretamente, de Lisboa.


Foi para atenuar esta diferenciação, para fazer algo de concreto contra esta discriminação, que assinámos, há já 12 anos, a U.B.I. e a SIC, um protocolo de colaboração que gerou uma dinâmica criativa e favorável às duas instituições e que constituiu um dos motivos deste meu doutoramento.


A Universidade da Beira Interior, acolheu nas suas instalações a delegação da SIC, disponibilizando também meios tecnológicos.


O funcionamento da delegação da SIC na Covilhã tem permitido realizar uma ampla cobertura informativa e assim dar destaque à Região, projetando as suas atividades no quadro nacional e também no mundo pelos canais da SIC Internacional, da SIC Notícias e da SIC Online.

Através deste acordo foi, além disso, possível manter, ao longo dos anos, uma política de frequência de estágios regulares de alunos finalistas, tanto na Redação da SIC, em Carnaxide, como na redação do Porto.


Alguns desses alunos foram integrados no grupo SIC, como colaboradores. É o caso de Anselmo Crespo, Ana Moreira e Filipe Silveira. A própria correspondente da SIC na Covilhã, Patrícia Figueiredo, aqui presente, formou-se nesta Universidade e regressa agora às salas de aula para uma pós-graduação.


Senhor Reitor, Minhas Senhoras e meus Senhores,


A interioridade desta Beira onde estamos, seja ela Baixa ou Alta, a interioridade de que tantas vezes nos queixamos, pelo que significa de injustiça no plano material, é, no entanto, no plano espiritual, uma das garantias da pureza e da integridade beirãs. O espaço livre, a força solitária do granito, o frio e a neve no Inverno, obrigam a meditar, convidam à vontade de estar só, inspiram a capacidade de sonhar. O beirão pode ser de poucas palavras, mas quando dá a sua, não é preciso assinar papéis para provar que ela foi dada. O beirão é persistente e frontal, mas é leal e respeitador. O beirão gosta do silêncio, mas também aprecia a amena cavaqueira ao lado da braseira ou da lareira. O beirão gosta de descansar e comer à sombra de um castanheiro ou junto ao rio ou à beira das lagoas da nossa imponente Serra da Estrela. O beirão é religioso, mas sabe ser ecuménico - aí está Belmonte para o comprovar.


Para ressalvar e potenciar tudo o que de positivo tem a personalidade beirã e, ao mesmo tempo, para atenuar o fosso que, nas estatísticas, separa esta nossa Beira interior de outras regiões do país, a Universidade da Beira Interior tem desempenhado um papel relevante que quero aqui realçar.


As indispensáveis preocupações com a qualidade "indissociável - cito o Reitor João António Rodrigues Queiroz - de um crescente processo de internacionalização" não são incompatíveis com um posicionamento de defesa da identidade e de valorização da região onde a Universidade está instalada.


A Universidade da Beira Interior tem demonstrado que não vive isolada do local onde funciona e da comunidade onde se insere e da qual provem muitos dos seus docentes e dos seus alunos.


Esse objetivo de participação está patente na escolha e na orientação da docência dos cursos oferecidos.


É por tudo isto, Senhor Reitor, minhas senhoras e meus senhores, que, além de comovido, me sinto extremamente satisfeito e grato pela atribuição deste Doutoramento Honoris Causa pela Universidade da Beira Interior.

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Palmas para Pinto Balsemão
águiadois (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 19:49 | Segunda feira, 11 de outubro de 2010
Um brilhante discurso escrito na primeira pessoa, com o sentimento e a obrigação de quem, contando a sua própria história,rasga as cortinas,de par em par, deixa entrar a claridade da vida e sabiamente ensina que vale a pena subir a escada e ver mais além.
 
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Sem ele!
CãodaRosa (seguir utilizador), 2 pontos , 23:12 | Segunda feira, 11 de outubro de 2010
Sem ele, o Expresso podia existir, mas não seria a mesma coisa, sem o Dr. Pinto Balsemão a liberdade de imprensa não era o que é, sem alguém na comunicação social como ele o jornalismo não teria termo de comparação. Pode-se não concordar com o Homem, nem com a sua opção política, mas o título é mais que merecido.
 
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Dr Balsemão
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 9:10 | Terça feira, 12 de outubro de 2010
Por que motivo abandonou a política e enveredou pelos negócios.
Porque a política não o cativou, porque esta não era para homens de acção e sérios, e esta democracia o tem provado, com a maior parte do povo a viver no limiar da sua dignidade cívica.
Parabéns Dr., Balsemão.
 
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Títulos apenas a quem os merece.
gabriel47 (seguir utilizador), 1 ponto , 19:55 | Segunda feira, 11 de outubro de 2010
Não comprrendo porque se vulgarizam e banalizam estes títulos.
Deveria apenas ser atribuído a alguém que tivesse tido um trabalho relevante para o País em geral e para a UBI em particular, o que não foi o caso.
Por isso, não faz qualquer sentido estas distribuições gratuitas, que mais não fazem que desvalorizar esse mesmo título.
 
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    O Balsemão não merece?    Ver comentário
Professor.com.muita. (seguir utilizador), 1 ponto , 20:12 | Segunda feira, 11 de outubro de 2010
    Re: O Balsemão não merece?    Ver comentário
gabriel47 (seguir utilizador), 1 ponto , 21:36 | Segunda feira, 11 de outubro de 2010
    Re: O Balsemão não merece?    Ver comentário
rcarvalho1963 (seguir utilizador), 1 ponto , 15:26 | Terça feira, 12 de outubro de 2010
Bem merecido
ERA 2009 (seguir utilizador), 1 ponto (Normal), 21:16 | Segunda feira, 11 de outubro de 2010
As constatações de Francisco Pinto Balsemão são mais que óbvias.
O INTERIOR cada vez é votado ao ostracismo, em detrimento do litoral.
Este prémio tem um valor especial para Francisco Pinto Balsemão, porque não é da zona desprotegida.
Por exemplo , António Guterres era um filho adoptivo da Beira Baixa.
Parabéns, Dr. Balsemão .
 
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-Rodapé - O MEU ABRAÇO
Pedra-Mó (seguir utilizador), 1 ponto , 12:34 | Terça feira, 12 de outubro de 2010

Parabéns ao Senhor Dr. Pinto Balsemão.

Que continue sendo o quem é, para Bem da Liberdade que só a Verdade permite.

 
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