Nuno Melo sabe bem como tocar na corda sensível do povo CDS: arrancou esta tarde uma das mais estrondosas ovações do congresso ao defender que Paulo Portas deve ser o primeiro-ministro de Portugal.
Para o congresso, que decorre hoje e amanhã em Viseu, estava-lhe reservada, na distribuição de tarefas feita pelo líder do partido, a missão de "malhar" no PSD. Mas o próprio Portas tratou disso com estrondo, durante a manhã, no discurso em que apresentou a estratégia do partido. Chegada a sua hora de falar, Melo não escondeu que uma parte do seu discurso lhe tinha sido roubada: "Não vou repetir aqui as diferenças setoriais (entre o CDS e o PSD) que o presidente do partido enunciou até à exaustão".
Em alternativa, Melo concentrou-se em zurzir no Governo, lembrando que "por muito que custe ao engenheiro Sócrates, em democracia a culpa é mesmo de quem governa e não de quem faz oposição". Por isso, lembrou, "se Portugal tiver de recorrer à ajuda externa será apenas porque José Sócrates é o rosto de uma governação falhada, o rosto do défice, o rosto da dívida".
Nada que os congressistas já não tivessem ouvido, dito mais ou menos assim. O que ainda ninguém tinha dito foi a "nota pessoal" com que Melo terminou o discurso: "Tu, Paulo, és o primeiro-ministro de que Portugal precisa, e és o melhor primeiro-ministro que Portugal pode ter".
O congresso caiu-lhe aos pés. Portas foi dar-lhe um abraço a meio do palco. Confirma-se: muito provavelmente está encontrado o próximo líder do CDS. Quando quer que Portas saia.