27/05/2012 atualizado às 1:18

Triplo homicida: Escola de Joana nunca equacionou crime

"Sempre pensámos que a Joana tivesse fugido de casa e nunca que tivesse sido morta", afirmou à Lusa o diretor da Escola Padre Vítor Melícias, em Torres Vedras.

17:09 Quarta feira, 21 de julho de 2010
Joana Correia é uma das três pessoas que desapareceram e que a Polícia Judiciária suspeita terem sido mortas
Joana Correia é uma das três pessoas que desapareceram e que a Polícia Judiciária suspeita terem sido mortas

A direção da Escola Padre Vítor Melícias, em Torres Vedras, que a jovem Joana Correia frequentou neste ano letivo, nunca suspeitou de homicídio da aluna e sempre pôs a hipótese de fuga dado o comportamento da jovem.

"Sempre pensámos que a Joana tivesse fugido de casa e nunca que tivesse sido morta", afirmou hoje à agência Lusa o diretor da escola, Fernando Ferreira.

Joana Correia é uma das três pessoas que desapareceram e que a Polícia Judiciária suspeita terem sido mortas por um indivíduo detido na terça-feira e que está hoje a ser ouvido pelo juiz de instrução criminal do Tribunal de Torres Vedras. 

"Família desestruturada"


Segundo o diretor da escola, a jovem de 16 anos, oriunda de uma "família desestruturada" a receber apoio da Segurança Social, teria problemas de relacionamento com a mãe e chegou a equacionar sair de casa.

O responsável adiantou que a escola não chegou a dar conhecimento do desaparecimento da aluna no início de março, tendo em conta que ela tinha chumbado por faltas no final de dezembro, altura em que deixou de frequentar a escola.

De acordo com a escola, a mãe da aluna, Fátima Silva, assinou a 21 de dezembro um documento em que tomava conhecimento de que a filha tinha ficado retida neste ano letivo. 

"Muito provocadora"


Joana Correia, era aluna da escola desde 2004 e encontrava-se neste último ano letivo a frequentar o primeiro ano do curso de educação e formação em "Cozinha", um curso alternativo equivalente ao 9.º ano, pelo qual a aluna tinha decidido enveredar, depois de ter tentado ao longo de dois anos completar o 7.º ano do terceiro ciclo.

"Ela tinha grande falta de assiduidade e não tinha qualquer interesse pela escola", acrescentou também a docente Teresa Carmo, da direção da escola.

O excesso de faltas levou-a por isso a ficar retida neste ano letivo, mesmo depois ter realizado provas de recuperação, nas quais também tinha chumbado.

A notícia do homicídio da aluna abalou a comunidade escolar, onde Joana Correia era vista como uma jovem "autónoma e independente" face à idade de 16 anos e que chegou a vestir-se de forma "muito provocadora", sendo pelo facto chamada a atenção pela direção da escola.

Entre abril e maio, a escola foi contactada por investigadores da Polícia Judiciária para fornecer eventuais indícios que pudessem levar ao seu paradeiro.

Contudo, a direção da escola disse à Lusa desconhecer eventuais relações suspeitas.

Lusa
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