Jean-Claude Trichet anunciou a manutenção da taxa directora para a zona euro
Reuters
O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, indicou hoje que vão começar a ser retiradas parte das medidas de injecção de liquidez tomadas de emergência para combater a maior recessão desde a 2.ª Guerra Mundial.
"Nem todas as nossas medidas para assegurar a liquidez serão necessárias com a mesma extensão do que no passado" à medida que a economia recupera, disse Trichet na conferência de imprensa dada em Frankfurt após o anúncio das decisões de política monetária do BCE.
Como esperado, a instituição manteve as suas taxas inalteradas, com a principal taxa directora no mínimo histórico de 1%.
"O Conselho de governadores vai assegurar que as medidas extraordinárias tomadas serão retiradas de modo atempado e gradual e a liquidez oferecida absorvida, de modo a conter efectivamente qualquer ameaça para a estabilidade dos preços à médio e longo prazo", afirmou.
Trichet voltou hoje a considerar "apropriado" o actual nível das taxas de juro e indicou que a decisão de manutenção das taxas foi tomada "por
unanimidade" dos membros do conselho de governadores.
Economia em clima de incerteza
A economia da zona euro vai recuperar progressivamente nos próximos meses, mas a retoma continua rodeada de incertezas elevadas, disse ainda Trichet.
As últimas estatísticas confirmam a hipótese do BCE, que aponta para uma "retoma económica progressiva em 2010", explicou.
Mas as incertezas que pesam sobre este cenário continuam "elevadas", advertiu, quando a economia é actualmente sobretudo sustentada por planos de apoios governamentais.
Do lado da inflação, o BCE espera um regresso a "taxas positivas nos próximos meses", após cinco meses de contracção dos preços em termos homólogos.
Mas "a estabilidade dos preços será mantida a médio prazo", acrescentou, confirmando deste modo que o BCE não vê nenhum risco de inflação futuro e não está a considerar cenário de deflação.