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Três 'Portugais'

Henrique Raposo
8:00 Terça feira, 18 de agosto de 2009

Em Agosto, Portugal é invadido pelos emigrantes que regressam à pátria montados nas suas fanfarronas bombas de matrícula amarela. Sobre isto tenho uma confissão a fazer: esta invasão sempre me incomodou. E não estou sozinho neste incómodo. Muitos portugueses de cá sentem desconforto com a chegada dos portugueses de lá. O mês de Agosto não é assim tão querido. Aquele Portugal do garrafão e do Graciano Saga incomoda-nos. Há dias, o transtorno era tanto que até comecei a pensar nisto: "mas porque raio me irrito com os 'emigras'?". Antes de responder à pergunta, tenho outra confissão a fazer: devo um pedido de desculpas aos emigrantes. O incómodo que sinto diz mais sobre nós - os portugueses daqui - do que sobre os emigrantes - os portugueses de lá.

Nós rejeitamos os emigrantes porque eles nos fazem lembrar aquilo que queríamos esquecer: o atraso histórico de Portugal. Os modos 'rurais' do emigrante recordam-nos que as marcas da modernidade só chegaram a Portugal na geração dos meus pais. Na Europa rica, o êxodo rural deu-se no século XIX; em Portugal, a fuga para as cidades só ocorreu nos anos 60 e 70. Foi nessa época que os alentejanos, por exemplo, colonizaram a margem sul e os subúrbios orientais de Lisboa (uma epopeia que ainda está por contar). Nas Inglaterras e nas Holandas, a escolarização da população iniciou-se no século XIX. Em Portugal, a geração dos meus avós ainda era analfabeta. A geração dos meus pais foi a primeira geração de portugueses a ir à escola, para completar apenas a quarta classe. Agora, a minha geração tem mestrados e doutoramentos. Portanto, temos aqui três gerações que representam três 'Portugais' distintos. Três 'Portugais' que nem sempre se respeitam.

A história dos três 'Portugais' revela que a sociedade portuguesa deu um salto notável: netos de analfabetos alcançaram o topo. Isto mostra que os últimos 50 anos de Portugal têm qualquer coisa de sonho americano. Mas, por outro lado, este salto revela que a nossa sofisticação recém-adquirida tem pés de barro. É por isso que os 'emigras' nos incomodam. Ano após ano, eles ressuscitam o Portugal de 1979. Nos subúrbios de Paris, eles congelaram os 'Portugais' do antigamente, e, em Agosto, trazem esses 'Portugais' nas geleiras, entre minis e bifanas. É este teleporte geracional que nos incomoda. A cada Agosto, o 'Portugal' mais recente, o da sofisticação académica e cultural, é forçado a reconhecer a existência dos outros 'Portugais'. E isso dói. A presença dos emigrantes mostra que a nossa sofisticação europeia é um recentíssimo enxerto de pele que ainda não pegou bem. Afinal, 1979 foi ontem.

Mann

"Inimigos Públicos" é mais um grande filme a sair da parceria entre Michael Mann, realizador, e Dante Spinotti, director de fotografia. Dizer que Mann é um clássico e um duro é ficar pela metade. Sim, Mann é um clássico na narrativa e nos temas. Porém, através da câmara digital de Spinotti, Mann está a revolucionar a beleza plástica do cinema. Sim, Mann faz violentos westerns urbanos, mas, no substrato dessa violência, encontramos sempre um trágico romantismo. É obrigatório sentir uma lágrima a querer sair no final de "Inimigos Públicos".

Henrique Raposo

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Três Portugais
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 15:54 | Terça feira, 18 de agosto de 2009
Todos devemos muito aos nossos emigrantes, que procuraram lá fora o que lhe foi negado cá dentro. Foram verdadeiros heróis, que partiram para o deconhecido muitos deles sem saber ler e escrever e muito menos a língua do País acolhedor. Foram eles que enviaram as suas remessas e sustentaram uma guerra injusta. Foram eles que produziram mais para a Pátria do que os que cá ficaram. Tal foi a importância de tudo isto que ainda lembro a célebre frase de um Ministro. » Os Árabes têm o petróleo, nós temos os imigrantes«. Não nos podemos esquecer que as suas remessas cobriam as nossas importações. Construiram casas na esperança de um dia voltarem, o que não aconteceu na maior parte dos casos. Os primeiros já faleceram e neste momento temos a segunda e terceira geração. Nascidos nos Países de acolhimento, são segundo me consta mais bem tratados do que nós tratamos os oriundos dos Países Lusofonos e todos os outros. Tal situação devia-nos envergonhar, não fosse da mesma maneira que nos tratamos uns aos outros. Os imigrantes do garrafão terminaram e hoje muitos vêm de avião e vão utilizar o TGV se algum dia chegar a ser construido como espero. Mal vai este País que continua a deixar emigrar hoje não os analfabetos mas os que devido a muitos desses têm hoje Mestrados e Douturamentos.
 
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    Re: Três Portugais    Ver comentário
cardoso56 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:56 | Quarta feira, 19 de agosto de 2009
    Re: Três Portugais    Ver comentário
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 22:01 | Quarta feira, 19 de agosto de 2009
    Três Portugais..isto é título?    Ver comentário
susetesampaio (seguir utilizador), 1 ponto , 17:01 | Domingo, 23 de agosto de 2009
    Re: Três Portugais    Ver comentário
catie (seguir utilizador), 1 ponto , 19:14 | Quinta feira, 20 de agosto de 2009
Mais valia
userEX50677 (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 16:19 | Terça feira, 18 de agosto de 2009
que emigrasses e visses a realidade que desconheces. Uma boa parte desses mestrados e doutorados de que falas estao justamente a emigrar para a Holanda e afins.
Nao fales do que nao sabes, nem todos tem o teu tacho ou frigedeira ou ló que é. Alguns teem que emigrar para terem direito a uma cafeteira, enquanto outros que só falam, falam, falam, mas nao fazem nada, é só tachos, panelas, frigedeiras, woks, etc.
Ve se cresces e respeitas quem anda a fazer pela vida.
 
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Eu já lhe conto as minhas razões para chorar
como é que diz que é (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 20:46 | Terça feira, 18 de agosto de 2009
Tem toda a razão: senti "uma lágrima a querer sair", mas depois de ler o seu artigo. Mas que fraca esta sua tentativa de legitimação do seu ódio, que apenas mostra o seu elitismo a roçar a xenofobia. Diz-se mais sofisticado, refinado, culto, e portanto melhor, do que o emigrante. Mas será por ser isso que odeia o emigrante? Ou será uma invejazinha que o rói? Será que não suporta ver uma pessoa trabalhadora, honesta, que faz pela vida, que se aventura por um país estranho e lá cria o seu sucesso? Faz mais falta uma pessoa assim do que cinquenta Srs. Raposos.

Voltando à história da lágrima, parece que afinal são duas as razões que tenho para chorar: não só por tanta gente corajosa e com brio sair de Portugal pelo Outono, mas por tanta gentalha pseudo-intelectual representada aqui soberbamente pelo Sr. ter de ficar a poluir páginas de jornais que julgava serem de maior discernimento.
 
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    Re: Eu já lhe conto as minhas razões para chorar    Ver comentário
susetesampaio (seguir utilizador), 1 ponto , 17:24 | Domingo, 23 de agosto de 2009
Estupefacto
makiavel (seguir utilizador), 2 pontos , 16:55 | Quarta feira, 19 de agosto de 2009
Pela crónica, parece que recuámos 20 ou 30 anos no tempo...
Então os emigrantes ainda são os coitadinhos da mala de cartão, garrafão, camisola de alças?
Irra! Mais respeito!

Os emigrantes, goste-se ou não, tiveram a CORAGEM de lutar no desconhecido.
E voltam.
Não mudam de nacionalidade (como alguns tristes exemplos que sabemos). Fazem cá a sua casinha, mandam o seu dinheiro e o seu voto - lembra-se?

Diz que os seus avós ainda eram analfabetos em 1979 - perto de 1980 ? Perto da nossa entrada na União Europeia?

Surpreende-me. A sua faixa etária não deve ser distante da minha. Sei que o país enferma de um atraso histórico, mas ao ler a sua crónica, senti-me recuar no tempo.

Em vez da família de emigrantes na fila de check-in nos últimos voos de Paris, o senhor vê-os nos carros de malas amontoadas nos tejadilhos e o tacho de bacalhau com batatas para 3 dias de viagem...

E o emigrante que partiu há décadas, na sua opinião, continua rude e tosco, indigno de se aproximar dos actuais senhores doutores que se formaram também com a ajuda do dinheiro que o emigrante mandou para cá???

Desculpe, não gostei da sua crónica.
Não há mestrado ou doutoramento que lhe dê o direito de "esnobar" assim das pessoas simples mas corajosas, que fizeram pela vida.

Elas provaram ter valor em condições adversas.
Quem teve tudo sem esforço, não provou nada!

 
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Eles pagam-te?
lord byron (seguir utilizador), 1 ponto , 8:43 | Terça feira, 18 de agosto de 2009
Pela primeira vez vou escrever um comentário numa crónica tua!

Não! Estás enganado os emigrantes para a França não são de 1979 são dos anos 60 e a razão porque não gosto deles é porque me enchem a praia, mais nada, absolutamente mais nada, de resto nem penso no assunto e se eles fossem para Feixo de Espada a Cinta ( nem sei se a terra existe e se se escreve assim, e nem quero saber) ou para um Feixo de Espada a Cinta qualquer eu nem me lembrava que os “avecos” existem e honestamente está na altura de deixarem de existir!
Querem procurar uma vida noutro local como os brasileiros, ou ucranianos, ou uns outros quais quer nos procuram a nós…força! Assumam e aceitem a nacionalidade de quem bem os acolhe, como nós devemos dar a nacionalidade a pessoas de bem que nos procuram para melhorar a vida… Agora, ouvir uma Nelly Fortado dizer que é portuguesa só não me dá vontade de chorar porque antes me dá vontade de rir!

Mas tu tens opinião sobre tudo e como se vê conhecimento sobre nada, logo depois dos emigrantes, tens opinião sobre cinema, com uma ficha técnica e umas generalidades de mestrado português que são de ir ás lágrimas!

PS. Pagam-te para escreveres aqui?
Porra… não me querem pagar a mim?
 
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    Re: Eles pagam-te?    Ver comentário
cardoso56 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:38 | Terça feira, 18 de agosto de 2009
    Re: Pouco espaço na praia.    Ver comentário
Antonio Horta (seguir utilizador), 1 ponto , 12:53 | Quinta feira, 20 de agosto de 2009
excelente
cardoso56 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:03 | Terça feira, 18 de agosto de 2009
é raro nos nossos jornais haver este tipo de crónica, onde o autor gfala das suas próprias contradições. excelente. chega de crónica com a verdade escarrapachada
 
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Analfabetismo em Portugal
brasuca (seguir utilizador), 1 ponto , 14:58 | Terça feira, 18 de agosto de 2009
Sinceramente, não sei onde muita gente vai arranjar tanto analfabetismo no nosso País; ou eu, a pesar de ter sido criado no campo, fui preveligiado. Eu tenho 62 anos, o meu pai sempre foi agricultor algures em Trás-os-Montes e sabia ler, escrever e fazer contas. Meu saudoso pai faria este ano 101 anos, ou seja, pelos padrões de quando eu estudei, ele estava fora da idade escolar à 90 anos.
 
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    Re: Analfabetismo em Portugal    Ver comentário
cardoso56 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:53 | Quarta feira, 19 de agosto de 2009
    Re: Analfabetismo em Portugal    Ver comentário
makiavel (seguir utilizador), 2 pontos , 21:39 | Quarta feira, 19 de agosto de 2009
    Re: Analfabetismo em Portugal    Ver comentário
cardoso56 (seguir utilizador), 1 ponto , 13:21 | Quinta feira, 20 de agosto de 2009
Pretenders and snobs
senhor (seguir utilizador), 1 ponto , 15:29 | Quarta feira, 19 de agosto de 2009
A arrogancia , o pretenciosismo e o provincianismo deste "senhor" Henrique Raposo, e muitos "elitistas" em Portugal, mostram bem a razao de ser pelo qual Portugal se encontra no "TOPO" dos "melhores" paises Europeus.
GandaTosco.
 
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I can`t resist
senhor (seguir utilizador), 1 ponto , 19:28 | Quarta feira, 19 de agosto de 2009
"A cada Agosto, o 'Portugal' mais recente, o da sofisticação académica e cultural"....Exemplo: Dois agentes da PSP foram agredidos na Amadora.foram agora notificados para pagar as custas do processo: 400 euros cada um.
Ora aqui esta mais um exemplo da "sofisticação académica e cultural"
 
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Henrique Raposo, e que tal com uma Ilha Deserta ?
Antonio Horta (seguir utilizador), 1 ponto , 13:10 | Quinta feira, 20 de agosto de 2009
Sr. Raposo, se algo o incomoda no meu país, escreva a história de Portugal a partir do dia em que nasceu leve-a consigo e vá para uma ilha deserta onde o unico meio de transporte seja um pára-quedas. Exprimindo-me assim evito de o mandar para outro sitio, sou um emigrante com cultura e respeito
 
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Mas que idiota
lavieira (seguir utilizador), 1 ponto , 14:41 | Quinta feira, 20 de agosto de 2009
Esta coluna do Sr Raposo so demonstra quem mentalmente ficou em 1979.
"Aquele Portugal do garrafão e do Graciano Saga incomoda-nos". Sim porque o garrafao nao existe mais e a musica ligeira Portuguesa é coisa do passado so vista mesmo no verao quando os emigrantes regressam.
Santa paciencia.
 
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    Re: Mas que idiota    Ver comentário
cjours (seguir utilizador), 1 ponto , 17:17 | Sexta feira, 21 de agosto de 2009
Três 'Portugais'
AntonioJusto (seguir utilizador), 1 ponto , 21:35 | Quinta feira, 20 de agosto de 2009
Há tantos portugais como portugueses!...
O atraso do Portugal de hoje em relação à europa "mais adiantada" é proporcional ao atraso dos portugais das épocas anteriores....
O resto é cantiga política dos meninos bem beneficiados!
Facto é que sem a hemorrogia nacional os portugueses que se apoderaram de Portugal viveriam pior e não teriam crédito internacional. Esta chaga deve-se ao Portugal dos mercenários que não conhecem povo nem nação!
António da Cunha Duarte Justo
http://antonio-justo.blog...
 
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O meu pai sabia ler e o meu avô também
Raul Reis (seguir utilizador), 1 ponto , 21:36 | Quinta feira, 20 de agosto de 2009
Caro Henrique,
Queria só dizer que o admiro porque o senhor veio de uma família pobre, e porque o seu avô nem sabia ler. Olhe, o meu sabia, o meu pai também, e eu agora vivo no Luxemburgo. Azares...
Eu nem sou de fazer comentários nos sites porque sou chefe de redacção de um e detesto ter de dar respostas e apagar os abusos. Mas desta vez perdi a cabeça :-) O seu artigo mostra um nível desinformação que eu pensava extinto. Os emigrantes de hoje são como os portugueses de hoje: uns têm mestrados, outros gostam de Saga e Carreira e ainda os há que são empresários, toxicodependentes ou jornalistas (como eu por exemplo).
A diferença entre os "portugais" e os portugueses é que os primeiros têm bombas de alta cilindrada. Mais nada.
Se um dia quiser uma visita guiada ao Luxemburgo, diga-me: vou-lhe mostrar os "portugais" do garrafão mas também os outros. Tal como se estivéssemos na baixa lisboeta ou em Chaves ou na Figueira da Foz...
Ah, uma coisa será diferente no Luxemburgo: falta um colunista da sua reputação: mas será que, se eu lhe oferecer 150 euros por artigo, o senhor nos faz o prazer de mandar uns bitaites de vez em quando no portal dos portugueses no Luxemburgo?
Só não vai é poder dizer tais maldades sobre os "portugais", não vá um deles fazer-lhe uma espera com um garrafão cheio sabe-se lá de quê... o que é que se atirava à cara das pessoas em 1979? Não sei, que eu vivia em Portugal, mas não era certamente no mesmo do senhor Raposo...
Raúl Reis
 
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    Re: O meu pai sabia ler e o meu avô também    Ver comentário
sacristão (seguir utilizador), 1 ponto , 9:18 | Sexta feira, 21 de agosto de 2009
    Re: O meu pai sabia ler e o meu avô também    Ver comentário
susetesampaio (seguir utilizador), 1 ponto , 17:15 | Domingo, 23 de agosto de 2009
Que Portugal envergonhado é esses?
Hernani77 (seguir utilizador), 1 ponto , 12:23 | Sexta feira, 21 de agosto de 2009
Caro Henrique, a mim, emigrante no Luxemburgo, filho de ex-emigrantes modestos, a quem devo a minha educação da qual me orgulho, incomóda-me o seu incómodo, sobretudo porque encontro hoje em Portugal o que Jorge de Sena escreveu justamente em 1979: "Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta quanto esse arroto de passadas glórias. (...) Irrisória face de lama, de cobiça e de vileza, de mesquinhez, de fátua ignorância. Terra de escravos, de cú para o ar, ouvindo ranger no nevoeiro a nau do Encoberto. Terra de funcionários e de prostitutas, devotos todos do Milagre,
castos nas horas vagas, de doença oculta. Terra de heróis a peso de ouro e sangue, e santos com balcão de secos e molhados, no fundo da virtude. Terra triste à luz do Sol caiada, arrebicada, pulha, cheia de afáveis para os estrangeiros, que deixam moedas e transportam pulgas
(Oh!, pulgas lusitanas!) pela Europa. Terra de monumentos
em que o povo assina a merda o seu anonimato. Terra-museu em que se vive ainda com porcos pela rua em casas celtiberas. Terra de poetas tão sentimentais que o cheiro de um sovaco os põe em transe. Terra de pedras esburgadas, secas como esses sentimentos de oito séculos de roubos e patrões, barões ou condes. Oh! Terra de ninguém, ninguém, ninguém!" Que terra é essa que fala, que por ser tão distinta e desenvolvida vota ao degredo os seus filhos. 5 milhões de gente com BI português e cada vez mais licenciados e especializados, com competência para mudar o Portugal que os condena?
 
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Eh pá
cjours (seguir utilizador), 1 ponto , 17:15 | Sexta feira, 21 de agosto de 2009
Já embirrei imenso com coisas que este tipo escrevia mas também já gostei imenso de alguns dos seus textos. Esta análise parece-me acertada. Eu concordo plenamente com ela! Plenamente!
 
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