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Três mulheres contra Berlusconi

Carmen D'Elia, Giulia Turri e Orsola De Cristofaro são as magistradas que vão presidir ao julgamento do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi.
Agências |

Carmen D'Elia, Giulia Turri e Orsola De Cristofaro compõem o coletivo de juízas que vai julgar o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, pelos crimes de abuso de poder, relações sexuais com a então menor marroquina Ruby R., e incitação à prostituição. O julgamento começa a 6 de abril, às 9h30 hora local (8h30 em Lisboa), no Tribunal de Milão.

"O fato de três juízas julgarem o primeiro-ministro por prostituição de menores é a justiça divina"", afirma a revista católica "Famiglia Cristiana".

Davide Caforio/EPA Cristina Di Censo, a juíza que mandou Berlusconi para o banco-dos-réus

A essas três mulheres, acrescente-se Cristina Di Censo, a juíza para investigações preliminares do Tribunal de Milão, que acolheu o pedido da Procuradoria para o julgamento imediato do primeiro-ministro italiano. Di Censo considerou haver fortes indícios de que Berlusconi pagou a uma menor para ter sexo com ela, e abusou do cargo, no escândalo agora conhecido como 'Rubygate'. 

Escândalo atrás de escândalo


Duas das três magistradas que julgarão Berlusconi estiveram envolvidas noutros processos relacionados com o primeiro-ministro italiano: Giulia Turri e Carmem D'Elia.

A presidente do tribunal que abrirá o processo a 6 de abril, Giulia Turri, foi a juíza de instrução do processo "Valletopoli", no qual foi condenado - a três anos e oito meses por extorsão e tentativa de extorsão-, o conhecido paparazzi Fabrizio Corona, ex-sócio e amigo de Lele Mora, um dos acusados por proxenitismo no caso Ruby.

Giulia Turri também enviou a julgamento, em novembro de 2008, o advogado de Berlusconi, Massimo Maria Berruti, no âmbito do processo Mediaset contra o magnata italiano, mas que acabou por ser absolvido.

Salvatore Mancuso/EPA Carmen D'Elia, uma das três juízas que vão julgar Belusconi

Carmen D'Elia fez parte, em 2003, do tribunal da I Secção Penal de Milão que condenou outro advogado de Berlusconi, Cesar Previti, a cinco anos de prisão, por corrupção, no complexo caso SME, do qual o primeiro-ministro italiano "escapou" por prescrição do crime. O Supremo acabou por anular o julgamento, por entender que não era da competência do tribunal de Milão, visto que os fatos haviam acontecido em Roma.

Recentemente, D'Elia integrou o coletivo de juízes no julgamento da clínica Santa Rita, conhecida como a "clínica dos horrores" - onde 83 pacientes foram submetidos a cirurgias por alegados problemas de saúde, dos quais não eram portadores, somente para benefício dos cirurgiões-, cujos responsáveis foram condenados.

Das três juízas que irão julgar Berlusconi, a menos conhecida é Orsola De Cristofaro, que já foi fiscal e juíza de instrução.

"Justiça divina"


Para a revista "Famiglia Cristiana", da Sociedade de São Paulo, a notícia não é que Berlusconi vai ser julgado por suposta incitação à prostituição - "isso já era dado como certo"-, mas sim que três mulheres é que o vão julgar a partir do próximo dia 6 de abril. "A sentença estará na mão de três mulheres e vem imediatamente à mente a Némesis (justiça divina). Tu, Berlusconi, tens servido-te das mulheres da pior maneira, e as mulheres agora farão justiça". 

Entretanto, a oposição pede a demissão de Berlusconi. O vice-presidente do Partido Democrático (PD) na Câmara dos Deputados, Alessandro Maran, afirma que Berlusconi deve resignar, e pede-lhe que "livre a Itália do ridículo face ao mundo".

"Il Cavalieri" está em maus-lençóis. O caso Mills, processo no qual o primeiro-ministro italiano é acusado de corrupção em ato judicial, reabrirá no dia 11 de março. O mesmo acontecerá com o julgamento do processo Mediaset, no qual Berlusconi é acusado por suposta fraude fiscal, que será retomado a 28 do mês em curso.




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