Três trabalhadores morreram na sequência de um deslizamento de terras nas obras da barragem do Tua, disse à Lusa o comandante distrital de Operações de Socorro de Vila Real.
O acidente ocorreu cerca das 14h, na margem esquerda do rio Tua, e no local estão cerca de 20 bombeiros, elementos da GNR, um helicóptero e o INEM.
Segundo o vereador da Protecção Civil de Alijó, Adérito Figueira, o acidente ocorreu na sequência do deslizamento de uma máquina, que, por consequência, arrastou uma grande quantidade de terra. Os três operários ficaram soterrados.
Adérito Figueira referiu ainda que o local é de difícil acesso e as comunicações dificultadas com os meios que estão no local.
Este é o segundo acidente em menos de seis meses em Foz Tua, depois de em 30 de agosto três outros operários terem ficado feridos na sequência da queda da plataforma de uma grua.
EDP anuncia inquérito
A EDP acionou o Plano de Emergência e vai abrir um inquérito. António Ferreira da Costa disse à Agência Lusa que tudo indica que se tratou de um aluimento natural de terrenos, que acabaram por cair por cima do local onde se procedia aos trabalhos.
Os trabalhadores ficaram soterrados e, segundo o responsável, acabaram por perder a vida na sequência do acidente.
Dois dos operários são da área próxima à construção da barragem e foram contratados pela Mota Engil, enquanto o terceiro, contratado pela Somague, era de fora da região.
Familiares recebem apoio psicológico
António Ferreira da Costa referiu que a Mota Engil disponibilizou psicólogos para acompanharem as famílias das vítimas.
Quanto ao deslizamento de terras, explicou que este ocorreu numa área geologicamente muito frágil e íngreme.
O local ficará interdito até à realização do inquérito.
Secretário de Estado do Ambiente reuniu-se com autarcas, proteção civil e EDP
O secretário de Estado do Ambiente garantiu hoje, em Alijó, que o Governo "tudo fará" para que "as medidas adequadas possam ser implementadas e que não volte a ocorrer um acidente deste tipo, naquilo que for possível e estiver ao alcance das entidades envolvidas".
Pedro Afonso de Paulo encontrava-se no Porto, onde participava numa iniciativa, quando ocorreu o acidente na zona onde está a ser construído o paredão da barragem.
O secretário de Estado do Ambiente e Ordenamento do Território aproveitou depois para se deslocar a Alijó, onde reuniu com autarcas, elementos da proteção civil e responsáveis da EDP.
Após a reunião, o membro do Governo fez questão de descer até à zona de obra, parando na estrada que desce de Alijó para a foz do Tua para observar o local do acidente, que ocorreu na margem aposta.
Pedro Afonso de Paulo referiu que os responsáveis da concessionária da obra "vão avaliar o plano de segurança que está implementado, se ele é o adequado para as condições, se houve alguma falha ou não". "Penso, nos termos do que me foi transmitido, que essa avaliação está a correr", salientou.
Construtores excluem violação das normas de segurança
O agrupamento de empresas que está a construir a barragem de Foz Tua excluiu qualquer cenário de desrespeito pelas normas de segurança no acidente que matou hoje três trabalhadores da obra.
Em comunicado, a administração do agrupamento complementar de empresas Barragem de Foz Tua refere que o acidente foi provocado "pelo desprendimento súbito e inesperado de um maciço rochoso e garante que a equipa de trabalho estava a cumprir "todos os normativos relacionados com os regulamentos de segurança previstos na Lei".
A administração do agrupamento, que integra as empresas Mota-Engil Engenharia, Somague e MSF, lamenta "profundamente" o acidente, sublinha a forma célere como foram acionados os meios de socorro e apresenta condolências às famílias das vítimas.