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Trabalhadores da Groundforce não querem aviar malas para o desemprego

Os trabalhadores da Groundforce, em Faro, que foram informados por email do seu futuro despedimento coletivo, não baixam os braços. Enquanto sindicatos lutam por alternativas, desta vez os funcionários chamaram familiares e amigos para o aeroporto.

Mário Lino, correspondente no Algarve (www.expresso.pt)
10:17 Sábado, 13 de novembro de 2010
Perto de 300 trabalhadores e familiares de funcionários juntaram-se na sexta-feira à noite, frente ao Aeroporto de Faro, numa manifestação que pretendeu alertar para o despedimento coletivo de 336, ao todo.
Perto de 300 trabalhadores e familiares de funcionários juntaram-se na sexta-feira à noite, frente ao Aeroporto de Faro, numa manifestação que pretendeu alertar para o despedimento coletivo de 336, ao todo.
Mário Lino

Luis Marques, 49 anos, tinha um dos piores serviços na Groundforce, ainda que não fosse mal pago. No Verão, por dia, chegou a enviar perto de 3 mil e quinhentas bagagens para os porões 'famintos' de malas, o que já lhe valeu duas operações aos ombros e alguma incapacidade para o trabalho, atestada pelo tribunal, isto em troca de cerca de 1.200 euros líquidos de salário ao fim do mês.

"O pior é quando temos de trabalhar de joelhos, quando o porão não tem altura suficiente e levantar as malas assim à altura da cabeça é muito complicado", gesticula.

Agora, em pé, Luís Marques não se quer vergar aos alegados sintomas da crise e protesta, junto com a família, à porta do Aeroporto Internacional  de Faro, na sexta-feira à noite, com outros trezentos trabalhadores e amigos.

Para Fernando Miguel, outro dos muitos funcionários em protesto, os motivos até já eram conhecidos e o desfecho, de certo modo, previsível, mas ainda há esperança numa alternativa: "Desde há alguns anos para cá, nós temos vindo a perder clientes porque a concorrência faz preços melhores e temos estado a perder as companhias, temos menos trabalho é lógico que dê prejuízo mas penso que a culpa também deverá ser um pouco da gestão", diz.

Do mesmo modo, Maria Lourenço, 51 anos de idade, 31 deles no grupo TAP, não compreende a forma como foi despedida. "Ainda não pensei no que vou fazer, vou viver um dia de cada vez. É muito triste e a minha família está a reagir como estão as outras, a esta situação, o mais certo é eu ir para o desemprego", admite.

"Apesar de ter um bom currículo é na área da aviação, como isto está, com o número de desempregados que existe, é muito difícil arranjar um emprego", reconhece Maria.

Entre alguns ruídos de megafone e palmas de agradecimento há os que chegam mais tarde para engrossar o número e assim darem mais força ao protesto em Faro, que logo será amplificado pelos jornais e pelas televisões. 

Luís Marques faz uma festa a um dos filhos de dez, onze anos, que dada a hora de jantar, no meio do ruído já lhe pede atenção. "Eles ainda nem se aperceberam bem do que isto é", solta, olhando para os jovens descendentes que correm entre a multidão.

Certo é que Luís, que  já perdeu a conta às malas que carregou, acredita que pode estar mais perto de aviar as suas e rumar ao desemprego: "É inadmissível aquilo que fazem aos trabalhadores! Dei o meu sangue e o meu suor a esta empresa e agora estou na rua. É uma forma de despedimento brutal", conclui.


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Desresponsabilização generalizada
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 12:55 | Sábado, 13 de novembro de 2010
Desconheço o que se passa nesta empresa. O meu único contacto com a Groundforce, é quando aterro na Portela e espero o dobro do tempo que em qualquer outro aeroporto com aviões a aterrar, uns atrás dos outros.

Entendo o desemprego e, logo nesta fase, como algo terrível. Dramático mesmo. Discordo da forma como foram demitidos, pois as pessoas são devedoras de mais consideração, mas…

… muitos trabalhadores, no seu íntimo, não se sentem parte responsável deste desfecho?

Recordo-me da TAP nos anos 80 e 90, em que tive conhecimento de muitos (em todas as áreas) trabalhadores que estiveram anos (conheci um com 6 anos) de baixa. Recebiam o salário e, o mais interessante, viajavam na TAP usufruindo um direito dos trabalhadores… sãos. Obviamente direito que abarcava a família.

Empresas como a TAP e associadas, eram para o sector público, como as ZEE são para a China Popular. Empresas que cultivam a imagem do êxito. Mesmo não tendo.

Os trabalhadores agiam em conformidade. Por motivos patrióticos (a companhia aérea de bandeira, é uma balela do período em que viajar era um luxo), havia sempre dinheiro. O que permitia todos os abusos. De tal forma que o próprio governo socialista, tão costumeiro na oferta de cargos de “confiança” política, optou por contratar uma equipe internacional, de técnicos conceituados.

Infelizmente para os trabalhadores da Groundforce, os tempos mudaram.

O Estado já não aguenta, porque nós já não aguentamos.
...
 
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Groundforce
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 22:07 | Sábado, 13 de novembro de 2010
A forma como foram despedidos é a forma normal e cobarde deste governo em lidar com as situações difíceis em Portugal, por tal motivo desejo que Sócrates seja corrido da pior maneira.
Mas tenho que compreender que uma empresa que sucessivamente dá prejuízos então é melhor fechar.
 
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Lamento por quem perde o emprego, mas...
makiavel (seguir utilizador), 2 pontos , 0:36 | Domingo, 14 de novembro de 2010
Mas a que vem esta história do desgraçadinho que carregava malas?
Não era para isso que lhe pagavam?
Se o emprego era assim tão mau...porque não tentou mudar e está tão pesaroso por finalmente se ver livre de um trabalho que, ao que diz, lhe dava cabo da saúde?

Alguém da Groundforce trabalhava lá com empenho e brio? É que parece que eram todos uns pobres escravos!

A Groundforce é uma das piores empresas de handling que há. Sempre a dar problemas aos passageiros, bagagens perdidas, filas para as reclamações.

E os trabalhadores ainda dão estas entrevistas, como se fizessem um favor a alguém por executarem as funções para que eram pagos!

Esta mentalidade do português tem de mudar. Parece que são infelizes quando trabalham!

 
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    Re: Lamento por quem perde o emprego, mas...    Ver comentário
RenewFersal (seguir utilizador), 1 ponto , 1:16 | Domingo, 14 de novembro de 2010
Incompreensível... ou não!
6 cilindros (seguir utilizador), 1 ponto , 12:12 | Sábado, 13 de novembro de 2010
Primeiro foi a 'novidade'... de modo a cumprir com regulamentações anti-monopólio o governo decide criar uma segunda empresa de handling onde também é o principal accionista.

Agora permite que a maior delas, aquela que surge de um pacto de viabilização da Tap , feche portas e mande para o desemprego centenas de trabalhadores com dezenas de anos de trabalho.

O cheiro a esturro adensa-se...
 
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Sem trabalho....
happylady (seguir utilizador), 1 ponto , 14:49 | Sábado, 13 de novembro de 2010
... práticamente deixamos de existir. O trabalho é a nossa fonte de vida, uma sociedade com 700.000 mil desempregados é uma sociedade "doente". A forma como são tratados os trabalhadores é cruel e desumana, pessoas que trabalharam uma vida despedidas por e-mail, é vergonhoso, é possivel que nem todos os trabalhadores sejam exemplares, mas aí existe a gestão para corrigir situações incorretas. Gestores pagos a peso de ouro, não se apercebem do mal que fazem , gerem mal não respeitam os trabalhadore, mas os salários e regalias de que desfrutam ficam inalterados, alem de mais, não ficam no desemprego, há outras empresas publicas para arruinar, e nós pagarmos.. Tanto o governo como os gestores públicos são responsáveis pelo que se passa neste país, saem do governo para as empresas, ou das empresas para o governo, se as empresas derem lucro são para os accionistas, se derem prejuizo pagam os cidadãos com taxas e impostos. Despedir trabalhadores deveria ser o ultimo recurso em especial numa empresa publica, que tal fazer uma restruturação da empresa, fazendo face á concorrencia, mesmo reduzindo lucros? Era importante manter os postos de trabalho. Seria necessário esforço planeamento, pensar a longo prazo...missão impossivel!!!
 
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    Re: Sem trabalho....    Ver comentário
Durruti Blak (seguir utilizador), 1 ponto , 16:56 | Sábado, 13 de novembro de 2010
Mais empreendedorismo
pereis (seguir utilizador), 1 ponto , 21:20 | Sábado, 13 de novembro de 2010
Num país a sério, os trabalhadores organizavam-se, contratavam crédito, persuadiam outros investidores para o bom negócio da empresa, compravam a empresa e demonstravam com quantos paus se faz uma canoa...
 
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    Re: Mais empreendedorismo    Ver comentário
happylady (seguir utilizador), 1 ponto , 10:02 | Domingo, 14 de novembro de 2010
Falem com o Vasco Franco!
Zé da Cruz (seguir utilizador), 1 ponto , 22:42 | Sábado, 13 de novembro de 2010
O Secretário de Estado e reformado milionário diz que os desempregados vão limpar matas, talvez vos queira ver a limpar as matas em volta do aeroporto. Menos "democracia" por favor!
 
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Re: Trabalhadores da Groundforce não querem aviar
Volnei (seguir utilizador), 1 ponto , 23:56 | Sábado, 13 de novembro de 2010
Mais uma Fabrica Textil a encerrar.

É o Val do Ave da Ria Formosa.

Faro fica cada vez mais igual a uma junta de freguesia de uma região falida.

Muitos vão trabalhar para a ...way? óh, la como se chma a outra concorrrente? E daqui a 3 meses já ninguem se lembra da Força Terrestre?
 
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Re: Trabalhadores da Groundforce não querem aviar
Volnei (seguir utilizador), 1 ponto , 0:06 | Domingo, 14 de novembro de 2010
Nenhuma auto estrada no mundo que serve um Aeroporto tem portagens.

Só, é normal que a Via do Infante tambem não as tenha porque é a unica "auto estrada" (via rapida com lombas e curvas) do Aerporto de Faro.

Portanto é normal que tenham-se que curtar nos custos regionais.

Um CEO de uma empresa publica chinesa que fabricava relogios disse um dia. « Esta empresa so trabalhava bem se tivesse 3 mil empregados, mas o estado obriga.me a empregar nove mil.»

 
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Incompetentes
Jorge Duque (seguir utilizador), 1 ponto , 10:57 | Domingo, 14 de novembro de 2010
O gestor da Groundforce despediu toda esta gente, sem pestanejar, alegando que tinham muitos privilégios.
Ou seja, em vez da acabar com os privilégios e rentabilizar a produção em toda a empresa, que seria a medida tomada por um verdadeiro e competente gestor, opta pela solução que qualquer um saberia tomar: despedir para reduzir custos e depois as chefias intermédias que resolvam o problema.
Os privilégios para os não despedidos mantêm-se e o mau sistema produtivo também.
E ele nem sequer se apercebe nos danos que esta medida causa no moral dos que ficam.
Mais numa prova da falta de bons gestores em Portugal. Estes gestores de imitação só se assemelham aos verdadeiros pelos ordenados.
 
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Os trabalhadores da TAP, tudo destruiram
carlos-carlos (seguir utilizador), 1 ponto , 17:48 | Domingo, 14 de novembro de 2010
Não se esqueçam que foi o brasileiro que acabou com a rebaldaria na TAP. Todos os anos eram milhões de prejuízo. Ele chegou, e isso acabou. Obrigado Fernando Pinto. Agora vêm os trabalhadores da Groundforce pedir "peninha" deles. Antes, quando secavam a capacidade financeira da TAP, não tinham pena de nós, que através do OE, alimentávamos as suas ideias gestionárias. Aquilo que devia ser uma bandeira de Portugal (a TAP), foi destruida pelos próprios trabalhadores. Venha a privatização, JÁ!!
 
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