Os mais de 100 trabalhadores que há 10 dias decidiram bloquear a circulação de viaturas de carga na Cerâmica de Valadares fizeram, hoje, uma participação à PSP, alegando prática ilegal de lock-out na produção da fábrica.
Segundo Manuel Mota, membro da Comissão de Trabalhadores da empresa, a administração ordenou, ontem, uma paragem parcial dos fornos e outros serviços da fábrica por tempo indeterminado.
"Ontem, mandaram para casa 20 trabalhadores que estavam a laboral e nunca foram a favor da greve, ordem transmitida apenas verbalmente", refere Manuel Mota.
Lock-out transmitido verbalmente
De acordo com o trabalhador em greve desde segunda-feira da passada semana, os funcionários com a atividade suspensa não sabem por quanto tempo ficarão em casa, se estão de férias ou se terão direito a receber os dias em que estarão parados.
"Isto é uma prática claramente ilegal e por isso apresentamos queixa", afirma Manuel Neto, acrescentando que já foi pedida uma reunião urgente com a administração para esclarecer a situação.
Tal como previram os trabalhadores na passada semana, a Cerâmica de Valadares ainda não pagou nenhum dos vencimentos em atraso, após ter prometido liquidar o referente ao mês de dezembro, sexta-feira, dia dia 3.
Para Fátima Messias, da Federação dos Sindicatos de Cerâmica, o lock-out imposto pela empresa constitui "uma clara violação do artº 57 da Cosntituição".