24 de abril de 2014 às 5:48
Página Inicial  ⁄  Dossiês  ⁄  Dossies Desporto  ⁄  Euro 2012  ⁄  Toureiros espanhóis não conseguem pegar a besta negra

Toureiros espanhóis não conseguem pegar a besta negra

Espanha quer contrariar história e ser a primeira seleção a ganhar três títulos seguidos mas há uma história que não muda - o passado com a Itália. Em 90', não ganharam nenhum dos sete jogos; agora ficou 1-1.
Bruno Roseiro (www.expresso.pt)
Pirlo fez um passe mortífero para o golo de Di Natale EPA Pirlo fez um passe mortífero para o golo de Di Natale

Bom. Nota 14 ou 15. O Espanha-Itália foi o melhor jogo do Europeu até agora mas os campeões europeus e mundiais não passaram no teste da estreia contra uma Itália que esteve tão bem a defender como a sair nas transições ofensivas. Di Natale, acabado de entrar, inaugurou o marcador (60'); Fábregas, adaptado a falso ponta-de-lança, empatou após passe de David Silva... que ia sair (64'). E foi do banco também que saiu o jogador que podia ter mudado a história do jogo: Fernando Torres. No entanto, El Niño foi um tornado apenas para a paciência dos espanhóis...  

O MINUTO 64', o golo da Espanha. Até aí, raras tinham sido as oportunidades da Roja para desfeitear Buffon mas houve um misto de sorte e mérito que não deixou a Itália baixar linhas após a vantagem parcial que Di Natale tinha colocado quatro minutos antes. Se os espanhóis não conseguem chegar ao empate de forma tão rápida, o Euro teria muito provavelmente assistido a mais uma surpresa...  

O MOMENTO A entrada de Fernando Torres, aos 74'. Pelas melhores razões - conseguiu logo abrir espaços na defesa transalpina, jogando sempre no limite do fora-de-jogo - e... pelos piores motivos: teve nos pés o 2-1 em duas ocasiões mas falhou de forma flagrante, fazendo lembrar o lado mais negro do avançado tão criticado ao serviço do Chelsea  

O HERÓI Como eles têm mãozinhas para a coisa, o prémio pode ser divido entre dois líderes e quatro braços - Casillas e Buffon, os capitães de equipa. Sem culpas nos golos sofridos, conseguiram ainda evitar males maiores com intervenções reveladoras de qualidade e experiência

A ESTRELA De Rossi. É dos poucos que se mantém na selecção que foi eliminada em 2008 pela Espanha - e o jogador da Roma até falhou um dos penáltis - mas mudou o posicionamento em campo: em vez de atuar à frente da defesa, assegurando também a primeira fase de construção do jogo, funcionou como um falso líbero a varrer todas as bolas perdidas (e achadas) perto da baliza de Buffon. Se Pirlo continua a ser o cérebro da equipa, De Rossi é o coração que irriga alma para todos os outros

EPA Fabregas, o "avançado" espanhol, empatou a partida
O JOKER Jordi Alba. Portugal e Espanha têm pontos em comum além da fronteira e da crise e a escassez de laterais esquerdos é um deles. No entanto, Fábio Coentrão mudou o paradigma nacional - problema é se ele não estiver apto porque, de resto, por ali estamos bem servidos. Jordi Alba, do Valencia, quer fazer de Coentrão em Espanha, ocupando o lugar que a idade e a pouca utilização tiraram a Capdevilla. Com a Itália fez por merecer essa posição

O VILÃO Balotelli. Pareceu outro jogador na conduta, menos refilão, mais sorridente, sem entrar em picardias e conflitos. Mas também pareceu outro jogador no futebol, na capacidade de decidir, mais inconsequente, menos objectivo. E foi por isso que a Itália não marcou mais cedo: isolado na cara de Casillas, demorou tanto tempo (mesmo com companheiros, o banco e a bancada a 'avisarem-no' para que se despachasse) que Sergio Ramos foi a tempo de roubar-lhe a bola. Pouco tempo depois... saiu

O SEGREDO As substituições, de um lado e de outro. A Itália precisava de pragmatismo na frente? Di Natale entra e marca. A Espanha não tinha velocidade na ala direita? Navas entra e acelera. A Itália estava carente de um criador de jogo à frente do meio-campo? Giovinco entra e pensa. A Espanha sentia a falta de uma referência no eixo do ataque? Fernando Torres entra e ameaça. Parecia outro jogo na última meia hora

O ERRO Os espanhóis sabiam que a Itália ia colocar tração atrás para evitar a marcha espanhola do meio-campo para a frente mas nem assim Vicente del Bosque abdicou da postura cautelosa e entrou... sem avançado. Fábregas andou por esses terrenos, David Silva também, mas até às substituições a parede azul foi conseguindo travar a enxurrada vermelha (à exceção do golo espanhol, claro) 

O NÚMERO 9. Muito se falou sobre as tensões entre jogadores do Barcelona e do Real Madrid, depois de dois anos com duelos intensos no campeonato, na Taça e na Liga dos Campeões. A verdade é que, gostem ou não uns dos outros, estão condenados a darem-se bem, pelo menos em campo. E até aí as tropas estão 'divididas': à excepção do central Piqué, a defesa é merengue (Casillas, Arbeloa, Sergio Ramos e Xabi Alonso) e do meio-campo para a frente brilham os blaugrana (Busquets, Xavi, Iniesta e Fábregas)

O ACONTECIMENTO A Itália nunca tinha perdido com a Espanha a não ser nos penáltis, tal como aconteceu no Euro-2008 (nos 'quartos'). E assim continua, somando três vitórias e quatro empates frente à Roja. Em terra de toureiros, os transalpinos ainda continuam a ser uma autêntica besta negra mas também têm os seus problemas: Di Natale quebrou o jejum de golos mas a squadra azzurra não ganha desde 11 de Novembro...

O AMANHÃ O resultado acaba por ser bom para os dois favoritos no grupo C. A Espanha joga agora com a Rep. Irlanda e uma vitória quase garante a passagem à fase seguinte - com a desvantagem de poder ter levantado algumas críticas após a estreia. A Itália encontra a Croácia e, desde que não perca, tem igualmente a qualificação ao alcance - com a vantagem de, por momentos, ter acalmado as críticas 

FICHA DE JOGO Estádio Arena Gdansk (Polónia). Árbitro: Viktor Kassai (Hungria). Espanha: Casillas; Arbeloa, Sergio Ramos, Piqué, Jordi Alba; Busquets, Xabi Alonso, Xavi; David Silva (Jesus Navas, 65'), Iniesta e Fábregas (Fernando Torres, 74'). Treinador: Vicente del Bosque. Itália: Buffon; Bonucci, De Rossi, Chiellini; Maggio, Marchisio, Pirlo, Thiago Motta (Nocerino, 90'), Giaccherini; Cassano (Giovinco, 65') e Balotelli (Di Natale, 56'). Treinador: Cesare Prandelli. Golos: 0-1, Di Natale (60'); 1-1, Fábregas (64'). Cartões amarelos: Balotelli (37'), Bonucci (67'), Jordi Alba (68'), Chiellini (79'), Arbeloa (84'), Fernando Torres (85') e Maggio (89')

Comentários 1 Comentar
ordenar por:
mais votados ▼
O tique y taca está-se a esgotar
A selecção italiana, usando quase sempre uma forte pressão sobre os jogadores espanhois, conseguiu contrariar o famoso "tique y taca" espanhol, ou melhor dito, "culé" (do FC Barcelona). A realidade mostra que cada vez há mais equipas capazes de contrariar o estilo de jogo de Xavi, Iniesta e companhia, mesmo quando estes jogam com (e para) Messi. Del Bosque tentou substituir Messi pela dupla Silva/Fabregas (jogando sem ponta de lança) mas a verdade é que "dois frangos não fazem um galo" apesar de terem feito um golo que evitou a derrota. Afinal o empate convêm às duas seleções teóricamente mais fortes do grupo que não deveriam ter dificuldades de maior em se classificarem para os quartos de final.
Estou de acordo em comparar Jordi Alba com Fabio Coentrão embora tenha gostado mais da exibição de Coentrão ontem que da de Alba hoje.
   
PUBLICIDADE
Expresso nas Redes
Pub