Toureiros espanhóis não conseguem pegar a besta negra
Bom. Nota 14 ou 15. O Espanha-Itália foi o melhor jogo do Europeu até agora mas os campeões europeus e mundiais não passaram no teste da estreia contra uma Itália que esteve tão bem a defender como a sair nas transições ofensivas. Di Natale, acabado de entrar, inaugurou o marcador (60'); Fábregas, adaptado a falso ponta-de-lança, empatou após passe de David Silva... que ia sair (64'). E foi do banco também que saiu o jogador que podia ter mudado a história do jogo: Fernando Torres. No entanto, El Niño foi um tornado apenas para a paciência dos espanhóis...
O MINUTO 64', o golo da Espanha. Até aí, raras tinham sido as oportunidades da Roja para desfeitear Buffon mas houve um misto de sorte e mérito que não deixou a Itália baixar linhas após a vantagem parcial que Di Natale tinha colocado quatro minutos antes. Se os espanhóis não conseguem chegar ao empate de forma tão rápida, o Euro teria muito provavelmente assistido a mais uma surpresa...
O MOMENTO A entrada de Fernando Torres, aos 74'. Pelas melhores razões - conseguiu logo abrir espaços na defesa transalpina, jogando sempre no limite do fora-de-jogo - e... pelos piores motivos: teve nos pés o 2-1 em duas ocasiões mas falhou de forma flagrante, fazendo lembrar o lado mais negro do avançado tão criticado ao serviço do Chelsea
O HERÓI Como eles têm mãozinhas para a coisa, o prémio pode ser divido entre dois líderes e quatro braços - Casillas e Buffon, os capitães de equipa. Sem culpas nos golos sofridos, conseguiram ainda evitar males maiores com intervenções reveladoras de qualidade e experiência
A ESTRELA De Rossi. É dos poucos que se mantém na selecção que foi eliminada em 2008 pela Espanha - e o jogador da Roma até falhou um dos penáltis - mas mudou o posicionamento em campo: em vez de atuar à frente da defesa, assegurando também a primeira fase de construção do jogo, funcionou como um falso líbero a varrer todas as bolas perdidas (e achadas) perto da baliza de Buffon. Se Pirlo continua a ser o cérebro da equipa, De Rossi é o coração que irriga alma para todos os outros
O VILÃO Balotelli. Pareceu outro jogador na conduta, menos refilão, mais sorridente, sem entrar em picardias e conflitos. Mas também pareceu outro jogador no futebol, na capacidade de decidir, mais inconsequente, menos objectivo. E foi por isso que a Itália não marcou mais cedo: isolado na cara de Casillas, demorou tanto tempo (mesmo com companheiros, o banco e a bancada a 'avisarem-no' para que se despachasse) que Sergio Ramos foi a tempo de roubar-lhe a bola. Pouco tempo depois... saiu
O SEGREDO As substituições, de um lado e de outro. A Itália precisava de pragmatismo na frente? Di Natale entra e marca. A Espanha não tinha velocidade na ala direita? Navas entra e acelera. A Itália estava carente de um criador de jogo à frente do meio-campo? Giovinco entra e pensa. A Espanha sentia a falta de uma referência no eixo do ataque? Fernando Torres entra e ameaça. Parecia outro jogo na última meia hora
O ERRO Os espanhóis sabiam que a Itália ia colocar tração atrás para evitar a marcha espanhola do meio-campo para a frente mas nem assim Vicente del Bosque abdicou da postura cautelosa e entrou... sem avançado. Fábregas andou por esses terrenos, David Silva também, mas até às substituições a parede azul foi conseguindo travar a enxurrada vermelha (à exceção do golo espanhol, claro)
O NÚMERO 9. Muito se falou sobre as tensões entre jogadores do Barcelona e do Real Madrid, depois de dois anos com duelos intensos no campeonato, na Taça e na Liga dos Campeões. A verdade é que, gostem ou não uns dos outros, estão condenados a darem-se bem, pelo menos em campo. E até aí as tropas estão 'divididas': à excepção do central Piqué, a defesa é merengue (Casillas, Arbeloa, Sergio Ramos e Xabi Alonso) e do meio-campo para a frente brilham os blaugrana (Busquets, Xavi, Iniesta e Fábregas)
O ACONTECIMENTO A Itália nunca tinha perdido com a Espanha a não ser nos penáltis, tal como aconteceu no Euro-2008 (nos 'quartos'). E assim continua, somando três vitórias e quatro empates frente à Roja. Em terra de toureiros, os transalpinos ainda continuam a ser uma autêntica besta negra mas também têm os seus problemas: Di Natale quebrou o jejum de golos mas a squadra azzurra não ganha desde 11 de Novembro...
O AMANHÃ O resultado acaba por ser bom para os dois favoritos no grupo C. A Espanha joga agora com a Rep. Irlanda e uma vitória quase garante a passagem à fase seguinte - com a desvantagem de poder ter levantado algumas críticas após a estreia. A Itália encontra a Croácia e, desde que não perca, tem igualmente a qualificação ao alcance - com a vantagem de, por momentos, ter acalmado as críticas
FICHA DE JOGO Estádio Arena Gdansk (Polónia). Árbitro: Viktor Kassai (Hungria). Espanha: Casillas; Arbeloa, Sergio Ramos, Piqué, Jordi Alba; Busquets, Xabi Alonso, Xavi; David Silva (Jesus Navas, 65'), Iniesta e Fábregas (Fernando Torres, 74'). Treinador: Vicente del Bosque. Itália: Buffon; Bonucci, De Rossi, Chiellini; Maggio, Marchisio, Pirlo, Thiago Motta (Nocerino, 90'), Giaccherini; Cassano (Giovinco, 65') e Balotelli (Di Natale, 56'). Treinador: Cesare Prandelli. Golos: 0-1, Di Natale (60'); 1-1, Fábregas (64'). Cartões amarelos: Balotelli (37'), Bonucci (67'), Jordi Alba (68'), Chiellini (79'), Arbeloa (84'), Fernando Torres (85') e Maggio (89')


EPA
Pirlo fez um passe mortífero para o golo de Di Natale
