19 de abril de 2014 às 13:32
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Totobola: há 50 anos a tentar acertar no "treze"

Tentar a sorte no Totobola e apostar nos resultados do futebol é um ritual que já dura há cinco décadas. Exposição da Santa Casa da Misericórdia recorda aquele que já foi um dos jogos de apostas favoritos dos portugueses.
Lusa
A 24 de setembro de 1961, os portugueses começaram a preencher o boletim para tentar acertar no "treze do Totobola" A 24 de setembro de 1961, os portugueses começaram a preencher o boletim para tentar acertar no "treze do Totobola"

Com concorrência de outros que hoje oferecem milhões de euros várias vezes por semana, um "treze no Totobola" já não é o máximo, como cantava Sérgio Godinho, mas o jogo resiste e faz 50 anos no sábado, 24.

"És um 'number one'/ dou-te vinte valores/ és um treze no Totobola" eram os elogios do cantor à pessoa amada na música "Com um brilhozinho nos olhos", na altura em que o Totobola ainda era, a seguir à Lotaria, o jogo de apostas mútuas mais popular em Portugal.

No dia 24 de setembro de 1961 começou o ritual de preencher o boletim e tentar acertar nos resultados dos jogos era mais do que ter bons palpites, era mostrar que se percebia de "bola". Como se veio a ver, não era tarefa fácil, uma vez que o primeiro totalista só surgiu em abril do ano seguinte.

O Totobola ocupou muita conversa de café e muita discussão de adeptos de futebol empenhados em adivinhar qual o desfecho dos jogos do campeonato nacional ou das competições europeias e mundiais.

O jogo perdeu expressão especialmente a partir de 2004, quando surgiu o Euromilhões

Euromilhões roubou o negócio aos clássicos jogos de apostas


A partir de 1985, o Totoloto surgiu com prémios maiores e o Totobola começou a perder influência e popularidade, uma tendência que se acentuou para ambos os jogos quando se começou a jogar o Euromilhões em 2004.

Os números dos últimos concursos espelham bem esta hierarquia: em Portugal foram entregues mais de 1,6 milhões de boletins do Euromilhões, 566 mil do Totoloto e 45 mil do Totobola.

Em 2003, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, titular dos jogos sociais, ponderou acabar com o Totobola, constatando que as gerações mais jovens não tinham interesse em jogar.

Ao longo dos anos, o jogo foi mantendo a fórmula de tentar adivinhar se ganha a equipa da casa ou o visitante ("1" ou "2") ou se a partida termina em empate ("X"). No entanto, acrescentaram-se as opções do Joker (que premeia um número de bilhete) e o "Super 14", em que se procura adivinhar o resultado de um jogo do boletim.

50 anos de Totobola recordados em exposição


No sábado, a Santa Casa inaugura no seu espaço na Rua do Carmo uma exposição com material relativo à história do Totobola.

Entre as curiosidades que a exposição se propõe desvendar está o facto de a Coroa de Inglaterra ter dado uma menção honrosa ao jogo e os cartazes de publicidade pintados por artistas como a pintora Maluda.

Em exposição estarão também artigos dos bastidores do jogo, como uma carrinha da frota que recolhia os boletins ou máquinas de registo de várias épocas.

Tente adivinhar os antigos resultados dos jogos


Na Internet , a Santa Casa promove um jogo de Totobola diferente do habitual, em que o desafio não é adivinhar os resultados da jornada que ainda não se jogou, mas acertar nos resultados de partidas disputadas nas últimas cinco décadas.

Mesmo se já não mobiliza apostadores como há 50 anos, o jogo faz parte do imaginário coletivo de gerações de portugueses: durante os anos 80 e 90, a RTP transmitiu "Vamos jogar no Totobola", um espaço documental sobre todo o tipo de assuntos que terminava sempre com um palpite para o preenchimento do boletim, e em 1964 estreava o filme "Pão, Amor e Totobola", com Florbela Queiroz a dançar o twist.

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