O que têm em comum o Tio Patinhas, o pintor surrealista Salvador Dalí, a queda do Império Romano e os reflexos de luz numa chávena de chá? E, por amor à ciência, é conveniente provocar um cão agressivo só para ver se um teorema de geometria diferencial é verdadeiro? O matemático francês René Thom desenvolveu uma teoria geométrica que explica porque é que certas formas simples aparecem em todo o lado nas ciências naturais. Desta teoria foram imaginadas consequências e aplicações de todos os tipos. Apresentaremos uma breve introdução à teoria das catástrofes, esperando despertar a curiosidade do leitor e o seu desejo de aprofundar alguns dos tópicos apresentados.
Em A Christmas for Shacktown, um dos mais belos trabalhos de Carl Barks, publicado pela primeira vez em Janeiro de 1952, Tio Patinhas corre o risco de perder todo o dinheiro contido no seu cofre pelo colapso do chão do próprio edifício causado pela carga de moedas e notas aí amontoadas. A razão que desencadeia o desastre é uma miserável moedinha: o tostão fatal referido no título.
Este é só um exemplo dos muitos que são usualmente associados ao termo "catástrofe", entendida como o surgir repentino de um efeito explosivo em consequência de uma causa que pode ser de intensidade leve ou, de qualquer forma, pode exercer a sua influência de modo contínuo no tempo, sem efeitos aparentes até o momento do desastre. Voltando à história de Carl Barks, durante anos e anos as moedas foram adicionadas uma após a outra no cofre num processo de acumulação de tipo contínuo e sem qualquer alteração digna de nota na estrutura do edifício. A certo ponto, aparece uma descontinuidade repentina e o desmoronamento é o seu resultado inesperado.
Fabio Zanolin, Dipartimento di Matematica e Informatica, Universitá di Udine
Leia o artigo completo no n.º 165 da Gazeta de Matemática