O Governo chinês está preocupado com os protestos que podem prejudicar a passagem da chama olímpica pelo Monte Evereste e decidiu recuar na decisão de reabrir o Tibete aos turistas estrangeiros, garantiram hoje vários operadores turísticos.
Os turistas estrangeiros estão impedidos de visitar a região dos Himalaias desde o início das manifestações contra a administração chinesa no Tibete em Lassa a 10 de Março.
Os operadores turísticos anunciaram na semana passada que os grupos de turistas estrangeiros teriam autorização para entrar no Tibete a partir de 1 de Maio, o início de um feriado nacional de três dias.
Mas quinta-feira, várias agências de viagens afirmaram à imprensa que o Gabinete de Turismo do Tibete os avisou para interromperem a organização de viagens ao Tibete.
O gabinete justificou esta medida dizendo que necessita de garantir uma passagem segura da tocha olímpica pelo Evereste e manter a ordem e tranquilidade em Lassa.
"Recebemos um aviso de emergência do gabinete de turismo informando que, por questões relacionadas com a segurança da tocha, que passará pelo Monte Evereste em Maio, as agências de viagens não estão autorizadas a receber grupos turísticos e turistas estrangeiros", referiu um funcionário da agência de viagens Youth Travel Service em Lassa, que se identificou com o apelido Dong.
A viagem da chama olímpica foi perturbada por fortes manifestações nas suas passagens em São Francisco, Londres e Paris, onde milhares de manifestantes tentaram apagar a tocha e impedi-la de continuar o seu percurso internacional.
Os manifestantes protestaram contra a realização dos Jogos Olímpicos na China, que detém o recorde em casos de violação de Direitos Humanos, contra a administração chinesa no Tibete, e contra a relação da China com o Sudão.
Dong afirmou que a decisão do Governo vai prejudicar a indústria turística, que tem um papel importante na economia local. Em Maio do ano passado, a agência de Dong organizou viagens para cerca de 4000 turistas estrangeiros ao Tibete. "Esta decisão vai afectar bastante o nosso negócio e o mercado turístico chinês", assegurou Dong.
Um homem que atendeu o telefone no Gabinete Turístico do Tibete confirmou à imprensa que a decisão de reabrir o Tibete ao turismo tinha sido alterada, mas recusou identificar-se.
Quinta-feira, a porta-voz do Ministérios dos Negócios Estrangeiros chinês, Jiang Yu, disse aos jornalistas que o Governo regional no Tibete está a trabalhar para "repor a lei e a ordem" no território.
"Medidas especiais são tomadas para circunstâncias especiais", acrescentou Yu, respondendo ao pedido de confirmação de que a China recuou na decisão de permitir a entrada de turistas no Tibete.
No início do ano, a China proibiu montanhistas de escalarem a área do Evereste, que se encontra em território chinês, entre Março e Junho e persuadiu o Nepal a aplicar a mesma inibição do outro lado da montanha.
A tocha regressa à China no início de Maio para atravessar dezenas de cidades chinesas, incluindo Lassa, onde chegará em Junho.