O ministro das Obras Públicas, António Mendonça, garantiu hoje que o investimento no TGV funciona precisamente como "resposta à crise", para criar "condições muito importantes" para o desenvolvimento económico do país e para a competitividade das empresas.
"Eu acho que o TGV é precisamente a resposta à crise, porque temos de separar aquela crise que é a manifestação da crise internacional, das dificuldades mais amplas, que são de natureza estrutural e que têm a ver com a perda de competitividade do país", disse o ministro.
António Mendonça falava aos jornalistas perto de Évora, à chegada ao local da cerimónia onde foi anunciada a adjudicação da concessão do troço Poceirão-Caia, integrado na ligação ferroviária de alta velocidade entre Lisboa e Madrid.
Poceirão-Caia concluído em 2013
O troço Poceirão-Caia da linha de alta velocidade ferroviária Lisboa-Madrid representa um investimento de 1.359 milhões de euros, com a construção a começar em 2010 e devendo estar concluída no final de 2013.
Trata-se do primeiro concurso do projecto de alta velocidade ferroviária, que marca o arranque do projecto em Portugal, cujo vencedor foi o consórcio liderado pela Brisa e pela Soares da costa.
Na corrida à construção deste troço participava também um outro consórcio liderado pela Mota-Engil.
O agrupamento vencedor integra também a Iridium Concesiones de Infraestructuras, do grupo espanhol ACS, Lena, Bento Pedroso, Edifer, Zagope, a norte-americana Babcock & Brown Limited, o BCP e a Caixa Geral de Depósitos (CGD).
O vencedor foi anunciado durante uma cerimónia realizada no local onde será construída uma estação do TGV perto de Évora presidida pelo primeiro-ministro, José Sócrates, e que contou ainda com a presença do ministro das Obras Públicas Transportes e Comunicações, António Mendonça e do secretário de Estado dos Transportes, Carlos Correia da Fonseca.
Mário Lino presente
À mesma cerimónia assistiu também o antigo ministro das Obras Públicas, Mário Lino.
O investimento da concessionária, de 1.359 milhões de euros, é destinado à construção do troço Poceirão-Caia enquanto o custo médio anual de manutenção será de 12,2 milhões de euros.
Esta concessão inclui o projecto, a construção, o financiamento, a manutenção e a disponibilização do conjunto de infra-estruturas ferroviárias do troço Poceirão-Caia, em que também se integra o troço Évora-Caia da linha convencional de mercadorias entre Sines e Caia e a nova estação de Évora.
A linha de alta velocidade entre Lisboa e Madrid permitirá um tempo de percurso de duas horas e 45 minutos para as ligações directas de passageiros entre as duas capitais, tendo sido projectada para permitir também o transporte de mercadorias.