O Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas guineenses, António Indjai, disse hoje que "um grupo de militares quis alterar a ordem constitucional" no país mas que a situação foi rapidamente controlada.
"Não aconteceu nada demais. Apenas posso dizer que há um grupo que quis alterar a ordem constitucional, mas o Estado-Maior General das Forças Armadas neutralizou-o e a situação está neste momento sob controlo", disse o general Indjai, à saída de uma reunião entre as chefias militares e o Governo.
Na reunião, António Indjai esteve acompanhado dos generais Mamadu Turé, vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, e por Augusto Mário Có e ladeado de cerca de 50 soldados fortemente armados.
Da parte do Governo estiveram presentes os ministros da Defesa, Baciro Djá, da Educação, Artur Silva, e da Administração Interna, Fernando Gomes.
Quando questionado sobre quem estaria a liderar a tentativa de alteração da ordem constitucional, o general António Indjai disse que essa informação seria dada ao país pelo Governo mais tarde.
Nomes dos responsáveis revelados mais tarde
"Mais logo vão saber quem são os cabecilhas deste grupo. O Governo já tem todas as informações na sua posse", afirmou António Indjai, após a reunião que durou cerca de hora e meia.
António Indjai enfatizou que as Forças Armadas, sob o seu comando, tiveram que atuar porque o "grupo não quis acatar a ordem vigente".
Quando questionado sobre se o chefe do Estado-Maior da Armada, Bubo Na Tchuto terá sido detido, na sequência dos acontecimentos de hoje, António Indjai limitou-se a dizer que mais tarde vai saber-se quem está envolvido e quem está detido.
Dirigente políticos e chefias militares reunidos
Fonte do Governo indicou à agência Lusa que decorre neste momento uma reunião entre os dirigentes políticos do país e as chefias militares. Entre os políticos, estão o presidente do Parlamento, Raimundo Pereira, o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, e vários membros do Governo.
Ao longo do dia, o paradeiro do primeiro-ministro era desconhecido, havendo informações não confirmadas de que estaria nas instalações da embaixada de Angola em Bissau.
A rua de acesso à casa do chefe do Governo esteve cortada ao trânsito e a zona sob fortes medidas de segurança, com a presença de polícias e militares.
Devido à ausência do Presidente Malam Bacai Sanhá, ainda em convalescença médica em França, é o presidente do Parlamento, Raimundo Pereira, quem preside à reunião na qualidade de chefe de Estado interino.