Ténis faz Frederico Gil adiar sonho de ser médico
Frederico Gil , o melhor português de sempre no ranking mundial, está a concretizar um sonho no ténis, mas a carreira desportiva profissional está a adiar-lhe outro desejo: o curso de Medicina.
Com 24 anos, Gil está matriculado na universidade, mas já estabeleceu que a prioridade é competir no ATP World Tour, com a mesma determinação de quando tinha 10 anos e contrariou o destino, após um médico lhe ter diagnosticado um tumor benigno no joelho direito e lhe dito que "desporto nunca mais".
"Tenho congelada a minha matrícula em Medicina. Para já, quero ser jogador profissional de ténis, é para isso que trabalho diariamente, sempre procurando o meu caminho", referiu à Agência Lusa, ciente de que "os estudos são muito importantes".
O 68.º jogador da hierarquia mundial e campeão absoluto de Portugal por três vezes declarou que sempre recorda os ensinamentos da família de "ter uma visão do futuro" e da importância da formação no crescimento humano.
"O meu pai (Rui Gil) falou comigo e disse-me para continuar a jogar ténis, que é o que eu mais gosto de fazer, mas para nunca deixar de pensar nos estudos", acrescentou o primeiro tenista português a ter entrada directa por mérito próprio no quadro de singulares do Estoril Open.
Frederico Gil, afastado na primeira ronda do Estoril Open pelo norte-americano James Blake, revelou que não sabe quando vai regressar à universidade, mas já tem como garantido que pretende especializar-se em Medicina desportiva.
Sete anos depois de figurar pela primeira vez no ranking ATP, o jovem de Sintra tornou-se o melhor tenista português de sempre e, no ano passado, bateu alguns recordes que perduravam há mais de uma década.
Em Agosto, tornou-se no segundo português - o primeiro foi o seu treinador, João Cunha e Silva - a conquistar um torneio de 100.000 dólares, em Istambul, Turquia. Poucos dias volvidos, Gil atingiu o 86 posto, igualando o ranking de Nuno Marques, que perdurou durante 14 anos.
Frederico Gil perdeu no domingo para o argentino Gastón Gaudio a final do "challenger" de Tunis, Tunísia, depois de esta temporada já ter atingido as meias-finais de dois torneios do ATP World Tour: em Joanesburgo, África do Sul, e na Costa do Sauípe, Brasil.


Tiago Petinga/EPA
Frederico Gil, na primeira ronda do Estoril Open, onde perdeu frente a James Blake, nº 16 do mundo
