A entrevista de Passos Coelho foi serena e esclarecedora. Não se trata de discutir se nos deu boas notícias ou nos falou de pesadelos. São pesadelos, como é óbvio, mas retratam a realidade. É dura de ouvir, porque nos habituámos a não aceitar um mundo que nos obriga a empobrecer, a fazer sacrifícios, a descrer do futuro. Ninguém gosta de dar notícias assim e nenhum governo ou partido gosta de lhes estar associado. Em diversas zonas da Europa (e por cá também) muitos políticos ainda não perceberam que a mera politiquice, da crítica fácil e da promessa fecunda, é, neste momento, desastrosa. Enquanto alguns foram já substituídos por tecnocratas, dispostos a governar com base numa folha de cálculo, outros parecem não perceber o perigo do populismo e da intolerância, tão férteis em tempos assim.
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