18 de junho de 2013 às 1:12
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Telescola...

Daniel Oliveira

Há um ano, uns miúdos filmaram uma cena numa sala de aulas e colocaram no Youtube. Nas imagens, uma aluna disputava um telemóvel com uma professora. Dias depois era notícia nas televisões e espalhou-se a histeria colectiva. O diagnóstico estava feito: os alunos fazem o que querem e os professores estão de mãos e pés atados pela burocracia e pelos pais. A semana passada umas alunas gravaram uma aula. A professora dizia coisas descabeladas sobre sexo, fazia chantagem e humilhava as alunas. Além do aproveitamento que o CDS fez do caso para atacar a educação sexual nas escolas - deixemos o absurdo de fora -, houve nova histeria e novo diagnóstico: os professores fazem o que querem e nem os pais nem a escola os controlam.

As histerias colectivas alimentam-se da perda do sentido das proporções. Neste casos, transfere-se para o domínio público o que só pode ser avaliado por pais, alunos, professores e direcções escolares. Quero com isto defender a censura ou criticar os pais? Nem pensar. Mas uma sociedade livre tem de ser responsável. E uma sociedade que marca as suas opiniões pelo ritmo dos casos nos telejornais tem de ser exigente e informada. Caso contrário, todos os domínios das nossas vidas, incluindo a educação dos nossos filhos, passarão a viver ao sabor de fúrias colectivas. Mesmo sabendo que a denúncia é muitas vezes a única forma de combater a arbitrariedade, temos de ter consciência que os professores e as escolas não serão capazes de educar ninguém se as suas aulas forem públicas e os telespectadores os seus reitores.

..e escândalos comuns 

O "Daily Telegraph" apanhou 18 deputados britânicos com a mão na massa. Andavam a gastar dinheiros do Parlamento em obras de renovação das suas casas, trabalhos de jardinagem e decoração de interiores. Assistir ao debate parlamentar que resultou deste escândalo foi uma lição de democracia. Os deputados não se limitaram a distribuir culpas. Pediram responsabilidades a quem tinham pedir: ao presidente da Câmara dos Comuns, por se ter oposto a uma maior transparência nas despesas. Quando o fizeram, não houve um insulto. Mas também não houve paninhos quentes. Quando Michael Martin prometeu mudanças, um deputado fechou o assunto: a promessa chega tarde e o senhor tem de partir para que o Parlamento recupere a sua dignidade. Um dia depois Martin era o primeiro speaker a demitir-se em 300 anos de parlamentarismo. Esta história, para quem pensa em Dias Loureiro, Vítor Constâncio ou Lopes da Mota, dá que pensar.

Mas é a primeira vez que isto acontece no Reino Unido. E custa imaginar que seja a primeira vez que deputados ingleses têm comportamentos menos éticos. A diferença é que temos, nas nossas democracias, uma comunicação social muito mais poderosa e uma opinião pública muito mais agressiva. Ninguém lhes pode resistir. O problema é que, graças a estes escândalos, os cidadãos tendem a esquecer-se do que realmente conta na política. Já está a acontecer. Hoje, muitos cidadãos não dão um chavo pela democracia. O que nos safa é que ainda dão menos crédito a quem lhes promete despotismos iluminados. Mas, com uma crise prolongada, tudo pode mudar. E como precisamos de uma imprensa livre, resta aos eleitos serem exigentes consigo próprios. Se não for por razões mais nobres, que seja para sobreviverem. Não têm de ser um exemplo moral, mas têm de ser um exemplo cívico.

Daniel Oliveira
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a sua real complexidade
Mais uma vez, com este articulista, ficamos presos aos conceitos…
Agrada-nos perceber a vontade de rectidão e ponderação, as boas intenções políticas, a escrita cuidada e meticulosa, contudo ficamos embaraçados com a vacuidade dos termos como “livre”, “responsável”, “moral”, ”cívico”, que nos contextos do artigo não têm significado algum. Palavras que passariam despercebidas num texto banal mas que aqui nos sugerem a sua real complexidade, aparecendo assim impropriamente vazias e banalizadas.
       
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