Votorantim diz que acompanha habitualmente a situação da Cimpor
João Carlos Santos
Os empresários Pedro Teixeira Duarte e Manuel Fino ultrapassaram as divergências e reuniram pessoalmente para falar do futuro da Cimpor, sendo que a hipótese de acordo para a constituição de um bloco nacional é real, eventualmente com a participação da brasileira Votorantim.
Segundo disse à Lusa fonte próxima das negociações, Manuel Fino não descarta a possibilidade de "vender a totalidade ou parte da sua participação na empresa se tal facilitar a possibilidade de uma solução". Em qualquer dos cenários que estão neste momento em cima da mesa, a Teixeira Duarte aparece sempre como pivô dessa operação.
Os grupos bancários da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e do Millennium bcp têm acompanhado as negociações de muito perto, uma vez que são parte interessada no futuro da empresa: ambos detêm participações de 10% na cimenteira portuguesa, no caso do Millennium através do Fundo de Pensões, formando um bloco que pode ser determinante para desenhar o modelo de liderança.
Votorantim quer participação minoritária
O maior grupo de cimentos brasileiro reconheceu hoje, em comunicado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que já abordou com os accionistas da cimenteira portuguesa a possibilidade de adquirir uma participação minoritária e negou estar a "ponderar, analisar ou estudar" qualquer OPA ou eventual fusão com a Cimpor.
"A Votorantim não tomou, até à data, qualquer decisão em relação à concretização de qualquer aquisição de acções da Cimpor e informa que não se encontra a ponderar, a analisar ou a estudar a publicação de qualquer anúncio preliminar de oferta pública de aquisição [OPA] da Cimpor nem uma eventual fusão da Votorantim, ou sociedade consigo relacionada, com" a cimenteira portuguesa, lê-se num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
A empresa acrescenta, no entanto, que "mantém desde 2008 contactos directos e individuais com accionistas detentores de participações qualificadas na Cimpor, tendo abordado a eventual aquisição pela Votorantim de uma participação minoritária que representaria sempre menos do que 33% do capital social e dos direitos de voto" da cimenteira portuguesa.
Disputa entre grupos brasileiros
A Cimpor é objecto de cobiça por parte dos grupos brasileiros Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e Camargo Corrêa.
A CSN lançou uma OPA sobre a totalidade do capital da Cimpor, enquanto a Camargo Corrêa apresentou à cimenteira portuguesa uma proposta de fusão.
A CMVM exigiu, entretanto, à Camargo Corrêa o lançamento de uma OPA concorrente à da CSN ou a retirada da proposta de fusão com a Cimpor.