Teixeira Duarte corta 1600 empregos em dois anos
A Teixeira Duarte (TD) cortou em dois anos 1600 postos de trabalho. Depois de um máximo de 13412 no fim de Março de 2009, regista agora 11.817 (-12%). Comparando com 2010, a redução é de 900 (-7,3%).
No 1º trimestre, os lucros do grupo estiveram em forte queda (-91%), passando de €92,3milhões (2010) para €8 milhões. Mas, nesta comparação teremos de entrar com o efeito Cimpor que em 2010 rendera à TD €80 milhões. Ainda assim, expurgando o encaixe da Cimpor, o resultado líquido registou uma redução de €4 milhões.
De acordo com a construtora, o desempenho foi penalizado em €11,6 milhões pela desvalorização face ao euro das divisas em que opera no exterior. Por isso, os resultados financeiros foram fortemente negativos (-24,6 milhões). Os restantes indicadores tiveram um comportamento positivo no 1º trimestre.
A faturação ficou nos €319 milhões (+4%), o resultado operacional (EBIT) valeu €36,8 milhões (+36%) e a margem de EBITDA melhorou para 16,4%. A carteira de obras estabilizou nos €2,1 mil enquanto o endividamento líquido cresceu €49 milhões face a Dezembro de 2010. Está agora nos €1,1 mil milhões.
Antecipando o desempenho do exercício de 2011, a administração diz que a TD "manterá particular vigilância quanto à contenção de custos", mantendo "expectativas de crescimento do sector da construção no estrangeiro". Em 2011, espera atingir um volume de negócios de €1,5 mil milhões.
Brasil a subir
Numa análise aos nove mercados em que opera, o grupo regista o reforço do contributo do Brasil e a redução do peso do mercado doméstico. A TD faz no exterior 60% do seu negócio. Angola ameaça tornar-se no principal mercado, destronando Portugal.
No 1º trimestre Portugal (€123 milhões) reduziu o seu contributo de 42% para 39% - Angola vale 36%, mantendo a faturação de €114 milhões. Brasil é o terceiro mercado e o que mais cresceu. A sua quota passou de 10% para 14%. Dos restantes mercados, Venezuela, Marrocos e Ucrânia tornaram-se residuais.
Por negócios, a TD regista o desempenho favorável da construção em Portugal (+16%) e no Brasil e dos sectores imobiliário e automóvel no exterior.
A construção registou uma subida homóloga de 3,4%, representando 52% da faturação consolidada do grupo. O sector Automóvel (Angola) registou uma forte subida nas vendas: 46%, faturando €35 milhões. Com desempenhos dececionantes, estiveram a Hotelaria (-20%), com €15 milhões e a Energia (-10%), com €29 milhões, pela redução da atividade no segmento da energia solar.



Os lucros do grupo dirigido por Pedro Teixeira Duarte estiveram em forte queda no primeiro trimestre
