O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, pediu hoje às agências de
rating que avaliem as medidas do Governo antes de se pronunciarem sobre Portugal e o Orçamento do Estado, apresentado terça-feira na Assembleia da República.
Teixeira dos Santos, em resposta ao aviso da Fitch que, perante a apresentação do Orçamento do Estado 2010, ameaçou descer o 'rating' de Portugal, afirmou esperar que as agências avaliem "o caminho que queremos trilhar com determinação, que é o da redução do défice com uma estratégia no âmbito do PEC (Programa de Estabilidade e Crescimento)".
Caminho é redução do défice
Com o OE 2010, "há aqui um caminho que é iniciado, a redução do défice, apoiado num conjunto de medidas importantes de redução da despesa", acrescentou.
Para o ministro das Finanças, o Governo merece "algum benefício da dúvida" em matéria de redução do défice como ficou comprovado na primeira parte da legislatura de José Sócrates, em que conseguiu cortar o défice de 6,1% do PIB em 2005 para 2,6% em 2008.
Tendo em conta tal raciocínio, Teixeira dos Santos fez questão de frisar:"Não queremos que nos colem à Grécia, não temos nada a ver com a Grécia".
O ministro das Finanças afirmou ainda que o défice de 9,3% do PIB registado em 2009 "foi empolado por causa da crise e pode 'desempolar' com o aliviar dessa crise", comprometendo-se, conforme está inscrito no OE, a que seja de 8,3% no final de 2010.
Centrais sindicais falam em pressões
Os líderes da CGTP e da UGT já reagiram e acusam o Governo de simular negociações com os sindicatos, após as ameaças das agências de notação. "É a pressão das agências de rating que impuseram sacrifícios imensos aos povos na Europa e pelo mundo, para levarem o dinheiro para a especulação", afirmou à TSF o secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva.