A Conferência "O estado da economia portuguesa", que decorre na Universidade Nova de Lisboa, transformou-se numa discussão sobre o BPP.
O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, que participava no debate, foi questionado pelos clientes do BPP sobre a actuação do Governo no caso do Banco.
Após várias interrupções, o ministro respondeu que o "Estado não tem nada a ver com a viabilidade do BPP e que não dará mais nem um tostão".
Teixeira dos Santos sublinhou que "as pessoas entregaram dinheiro ao BPP e não ao Estado, pelo que a responsabilidade é do Banco Privado". Questionado sobre a existência de "indícios ilícitos", o governante respondeu que só cabe à justiça resolver a situação.
"O Governo garante que todos os clientes com depósitos até €250 mil vão receber o seu dinheiro no prazo de quatro anos", afirmou o ministro, frisando que "três quartos dos clientes vão receber a totalidade do dinheiro".
"Não admito um apartheid em Portugal"
Foi aos gritos que Artur Barreto, cliente do BPP, protestou contra a situação dos depósitos.
"O que se passa não é democrático. Não admito o regime de apartheid em Portugal", clamou Artur Barreto, sublinhando que se foi burlado foi por incompetência das autoridades de supervisão.
A manifestação surge no dia em que a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) aprovou o fundo especial de investimento para os clientes de retorno absoluto do BPP.