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Cabo Verde quer transformar o antigo presídio num museu antifascista
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Tarrafal assinala 35 anos sobre o seu encerramento

Com este simpósio pretende-se recolher testemunhos e documentos relativos à existência e funcionamento do presídio e apresentar e discutir um projecto museológico transnacional para o futuro do monumento histórico. (Vídeo no fim do texto)
Lusa |
O Campo de Concentração do Tarrafal foi criado pelo regime fascista português em Abril de 1936
O Campo de Concentração do Tarrafal foi criado pelo regime fascista português em Abril de 1936 / Omar Camilo/Lusa

Ex-presos políticos, políticos, intelectuais e investigadores de Cabo Verde e estrangeiros participam num simpósio internacional sobre o Campo de Concentração do Tarrafal, 35 anos depois do seu encerramento definitivo. 

O encontro decorre até 1 de Maio e é promovido pela Fundação Amílcar Cabral no Campo de Concentração do Chão Bom, no concelho do Tarrafal, norte da ilha de Santiago (Cabo Verde), hoje transformado em museu histórico, depois de quase 50 anos de actividade. 

Com o simpósio, a Fundação Amílcar Cabral pretende cumprir três objectivos, que passam pela recolha de testemunhos e documentos relativos à existência e funcionamento do presídio do Tarrafal e por apresentar e discutir um projecto museológico transnacional para o futuro deste monumento histórico. 

Segundo o presidente da comissão organizadora, Álvaro Dantas, ao mesmo tempo pretende-se realizar uma jornada de reflexão e debate em torno do legado histórico, de valores e ideais humanistas e inspiradores para as gerações vindouras. Durante o evento serão debatidos temas como "A Geração da Utopia e o Dever da Memória", "Os Ideais, Princípios e Cidadania" e " Os Direitos Humanos nas Novas Sociedades Democráticas em África".  

A apresentação dos temas, que incluem três vertentes de abordagem cada, estará a cargo de conferencistas de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Portugal e o resultado dos trabalhos será objecto de um relatório detalhado, contendo as propostas e ideias anunciadas durante o simpósio, de que resultará, posteriormente, um documento síntese. 

A criação de uma base de dados para partilhar documentos e informações sobre o que se passou no Centro do Tarrafal é outra aposta da Fundação Amílcar Cabral, que a pretende levar por diante com o apoio da Fundação Mário Soares.

Segundo Álvaro Dantas, a base de dados irá reunir, essencialmente, documentos da segunda fase do funcionamento do "campo da morte lenta", que se encontram "dispersos, são escassos e pouco conhecidos". 

Paralelamente às actividades do simpósio, que decorrerão dentro de uma das celas onde estiveram presos cerca de 107 angolanos, será montada, no espaço interior do campo, uma exposição com cerca de 40 painéis sobre o que foi o Centro do Tarrafal no passado.  

Com esta mostra, a Fundação "quer chamar a atenção sobre as responsabilidades dos governos em fazer desse campo um museu", justificou Álvaro Dantas. 

O Campo de Concentração do Tarrafal foi criado pelo regime fascista português em Abril de 1936 sob o nome de "Colónia Penal do Tarrafal" e, durante a primeira fase do seu funcionamento, que durou até Janeiro de 1954, estiveram lá presos, arbitrariamente e sem qualquer direito de defesa, 340 prisioneiros antifascistas portugueses.  

Em Junho de 1961, com a luta das forças nacionalistas desencadeadas pelas colónias portuguesas em África, o campo de concentração foi reaberto pelo regime colonial com o nome de Campo de Trabalho de Chão Bom e, desta feita, para encarcerar resistentes à guerra colonial em Angola, Cabo Verde e Guiné-Bissau.  

Essa segunda fase do "campo da morte lenta", já sem a célebre "frigideira" - hoje totalmente imperceptível -, durou 13 anos, até à data em que se deu o seu encerramento definitivo, a 1 de Maio de 1974. 

Nesse período, 238 combatentes da luta pela independência das colónias portuguesas estiveram presos nesse cárcere de isolamento e repressão. Actualmente, apenas 50 desses presos estão vivos. 

A abertura oficial do Simpósio sobre o Centro de concentração do Tarrafal foi presidida pelo primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, e o encerramento estará a cargo do Presidente da República, Pedro Pires. 

 


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