Tamiflu não deve ser prescrito a crianças
Um estudo hoje publicado na edição online do "British Medical Journal" revela que os medicamentos antivirais como o Tamiflu não devem ser prescritos a crianças, uma vez que a incidência dos efeitos secundários destes fármacos é mais intensa. A ministra da Saúde, Ana Jorge, garante que as conclusões "não se aplicam" em Portugal.
Os medicamentos antivirais como o Tamiflu não devem ser prescritos a crianças, uma vez que a incidência dos efeitos secundários destes fármacos é mais intensa, segundo um estudo conduzido por um grupo de médicos ingleses.
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Os autores do estudo médico, hoje publicado na edição online do British Medical Journal, pediram ao Departamento de Saúde britânico para reconsiderar urgentemente a actual política de prevenção da pandemia da gripe A (H1N1).
Segundo Carl Henegan, médico de clínica geral e um dos autores do ensaio, a medida de prescrever Tamiflu para uma doença relativamente benigna é uma "estratégia inapropriada".
Os efeitos secundários de uma prescrição sistemática - que está a ser praticada, neste momento, em Inglaterra -, superam os benefícios de uma redução de sintomas de um dia ou de um dia e meio, segundo o médico e especialista do Hospital John Radcliffe (Oxford).
Em Inglaterra, o Tamiflu é facilmente obtido sem receita médica. O estudo, baseado na análise de dados comparativos sobre a utilização em crianças de inibidores da neuraminidase (medicamentos antivirais), sublinhou que o Tamiflu pode provocar vómitos a algumas crianças, podendo conduzir a uma desidratação ou a outras complicações.
De acordo com o mesmo estudo, o medicamento tem pouco ou nenhum efeito sobre crises de asma ou em situações de agravamento de sintomas, sobre o aumento de otites e sobre a necessidade de recorrer a antibióticos para tratar as crianças.
A publicação deste estudo acontece cerca de uma semana depois de outros especialistas terem avançado que crianças que receberam preventivamente o medicamente antiviral Tamiflu tinham apresentado efeitos colaterais, como náuseas e pesadelos.
Na altura, a agência sanitária britânica Health Protection Agency (HPA) indicou que mais de metade dos 248 jovens estudantes que tinham tomado Tamiflu, depois de um colega ter sido infectado pelo vírus H1N1 da gripe A, tinham sofrido efeitos secundários como náuseas, insónias e pesadelos.
Uma porta-voz do grupo farmacêutico suíço Roche, que produz o Tamiflu, defendeu o medicamento afirmando que "segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), metade dos doentes infectados pela gripe (sazonal ou A) têm sintomas de náuseas ou distúrbios digestivos provocados pela doença".
"Os estudos clínicos sobre crianças tratadas com Tamiflu revelaram o surgimento de efeitos colaterais como náuseas, mas de forma moderada e raramente existe a necessidade de interromper o tratamento", concluiu a mesma responsável.
Resultados do estudo "não se aplicam" em Portugal
A ministra da Saúde afirmou hoje que as conclusões de um estudo britânico que desaconselha a prescrição do Tamiflu a crianças infectadas com gripe A (H1N1) "não se aplicam" em Portugal, onde o medicamento está sujeito a indicação médica.
Questionada pelos jornalistas numa conferência de imprensa em que fez o balanço da epidemia da gripe em Portugal, Ana Jorge disse que a orientação do Ministério da Saúde é no sentido de o Tamiflu "só ser tomado com prescrição médica", enquanto no Reino Unido se optou por distribuir o medicamento "de forma generalizada" pela população, "sem controlo clínico".
Por isso, as conclusões do estudo "não se aplicam à situação portuguesa", frisou, embora reconhecendo que o Tamiflu pode provocar efeitos secundários, como vómitos ou dores de cabeça.
"Os antibióticos também e não deixamos de os receitar por isso. A decisão de prescrever o Tamiflu compete ao clínico", reiterou Ana Jorge.


