Os talibãs instaram hoje os afegãos a atacar e a matar tropas internacionais, uma forma de vingar a queima de exemplares do Corão ocorrida na base militar norte-americana de Bagram, a 60 quilómetros da norte de Cabul. No entanto, ontem ao final do dia, o porta-voz dos talibãs, Zabiullah Mujahid, afirmou, em declarações à agência noticiosa AFP que o incidente não iria afetar os contactos com representantes americanos no Qatar.
Em comunicado enviado à imprensa, os talibãs defendem que as ações a tomar vão além dos protestos: "Vocês devem atacar as forças militares 'invasoras' e os seus aliados, matá-los, raptá-los, agredi-los e dar-lhes uma lição para que nunca mais se atrevam a insultar o sagrado Corão".
Entretanto as manifestações prosseguem, pelo terceiro dia consecutivo. Cerca de 400 pessoas saíram para as ruas de Cabul, informou o porta-voz do Ministério afegão do Interior, Sediq Sediqui, que assegurou que também estão a decorrer protestos nas províncias orientais de Nangarhar e Kunar. "Nesta altura não há confrontos violentos entre manifestantes e as forças de segurança afegãs controlam a zona", garantiu o mesmo responsável.
Pelo menos oito mortos
Nos últimos três dias, a onda de contestação já causou a morte a, pelo menos, oito pessoas.
De nada parece ter servido a intervenção da NATO sobre o sucedido. Embora o general John Allen, comandante da NATO no Afeganistão se tenha apressado a pedir desculpas "ao nobre povo do Afeganistão" pelo que considerou um "erro" e, posteriormente, tenha sido garantido que foi aberta uma investigação, em conjunto com o Executivo afegão, para apurar com exatidão o que se passou, os ânimos continuam exaltados.
Hoje mesmo, o Presidente Barack Obama apresentou também um pedido de desculpas ao "povo afegão", numa carta enviada ao homólogo Hamid Karzai, anunciou a presidência afegã.
Expulsos do poder, em 2001, pela coligação militar liderada pelos Estados Unidos, os talibãs lutam desde então contra o Governo de Cabul e aliados da NATO presentes no país. Este incidente surge na altura em que está previsto o início das negociações de paz entre os Talibãs e os Estados Unidos.