O director do Rali de Portugal adverte que a superespecial do Estádio Algarve, "a montra" da quarta prova do Mundial, corre riscos devido à realização da final da Taça da Liga, mas está confiante no êxito da competição.
Em entrevista à Agência Lusa, Pedro Almeida lamentou ainda a ausência de uma figura tutelar entre os pilotos nacionais que "relance o espírito dos ralis em Portugal" e manifestou-se expectante que alguém "possa bater-se com Sébastien Loeb", apesar de não acreditar muito nessa possibilidade.
"A montagem de uma superespecial exigiria um prazo de construção de cerca de três semanas. Com a realização da final da Taça da Liga foi preciso encurtar este prazo para apenas 10 dias. A empresa responsável pela obra vai ter que trabalhar 24 horas por dia, o que significa que há um risco", alertou Pedro Almeida.
O polémico encontro da final da Taça da Liga entre Sporting e Benfica, disputado a 21 de Março, atrasou o início dos trabalhos no recinto algarvio, para o qual está marcada a abertura da edição de 2009 do Rali de Portugal, quarta prova do Campeonato do Mundo, que se disputa entre 2 e 5 de Abril.
"Preferíamos não correr esses riscos tendo em conta aquilo que está em jogo. As superespeciais do Estádio Algarve são uma espécie de montra da capacidade de organização do ACP [Automóvel Clube de Portugal] e do próprio país. Seria dramático se as superespeciais não se pudessem realizar nas melhores condições", advertiu.
O director da prova assinalou que "não há margem para um erro, sobretudo se as condições climáticas forem adversas", lembrando que "o Estádio Algarve foi concebido como estádio de futebol, mas os maiores acontecimentos que ali têm acontecido foram as várias edições do Rali de Portugal".
Pedro Almeida lamentou "as nuvens cinzentas que surgiram no horizonte", em referência ao desacordo sobre a comparticipação estatal, avisando que "sem esse apoio não é possível juntar os meios financeiros necessários para a continuidade da prova".
"A certa altura o futuro do Rali de Portugal poderia estar em causa. Se a prova não se disputasse sairia dos planos da FIA [Federação Internacional do Automóvel] como rali do Campeonato do Mundo. Seria preciso voltar à estaca zero e recomeçar com o processo de candidatura. Aí sim, a imagem do rali e do país sairia fortemente beliscada", observou.
Público 'mal comportado'
O mau comportamento do público é, no entanto, o principal motivo de preocupação para o director do rali, que recordou "os tristes exemplos do passado", responsáveis pela "imagem algo duvidosa" da prova portuguesa, pois "sempre que se fala de Portugal há um pé atrás em matéria de segurança".
"Portugal está sempre debaixo de fogo. Acha-se sempre que os espectadores não se vão portar suficientemente bem. É preciso transmitir ao público a mensagem de que o futuro do Rali de Portugal passa pelo comportamento das pessoas", preveniu.
O director do Rali de Portugal espera "largas centenas de milhar" de espectadores, para as quais foram preparadas 36 zonas espectáculo, "os locais mais confortáveis e seguros para assistir ao rali, onde é possível seguir os carros durante mais de um quilómetro".
Apesar de algumas "nuvens cinzentas", Pedro Almeida consegue encontrar motivos para se manter confiante no sucesso da prova, pois "vão estar presentes todas as principais equipas que disputam o campeonato e nesse aspecto o espectáculo está garantido".
"Há uma aliciante adicional: Marcus Gronholm vai estar presente com um Subaru de última geração. Não é exactamente um piloto para passear, é um ex-campeão do Mundo. Não sei se vai discutir o primeiro lugar, mas andará nos lugares da frente", assegurou.
Pedro Almeida não esconde que "gostaria que alguém se batesse com Sébastien Loeb": "É o desejo de qualquer organizador, mas duvido muito que alguém consiga. A supremacia do piloto francês tem sido quase total. Tem dado mostras de uma capacidade extraordinária, que mais ninguém parece deter nesta altura. É, naturalmente, o favorito".
Para o director do rali, cuja organização envolve cerca de 2.000 pessoas, também não serão os representantes portugueses que contrariarão a superioridade do pentacampeão mundial, tendo Pedro Almeida lamentado a ausência de um piloto ganhador, "que desencadeie à volta desta actividade uma maior notoriedade".
"Há algum tempo que nos faz falta uma figura carismática, como têm, por exemplo, os espanhóis e os franceses. Temos falta de referências. Precisamos desse tipo de vedetas para relançar o espírito dos ralis em Portugal", assinalou.
Com um orçamento de 4,5 milhões de euros, a prova apresenta um troço totalmente novo - Silves - e apenas a classificativa de São Brás de Alportel se mantém inalterada, na tentativa de "procurar os percursos mais espectaculares e seguros", mas a principal novidade da edição deste ano resulta da criação da figura do comissário do ambiente.
"É sobretudo um consultor. Por exemplo, um dos aspectos resultantes desta ligação é o facto de utilizarmos este ano fitas biodegradáveis com um período de vida que é 100 inferior do que as antigas fitas plásticas. Também escolhemos zonas que não faziam parte de áreas mais sensíveis", explicou Pedro Almeida.