Os líderes das claques do FC Porto, nomeadamente Fernando Madureira. que comanda os Super Dragões, foram alertados pela administração da SAD portista para dispersarem e serenarem os ânimos dos adeptos que, em fúria, se deslocaram, sábado à noite, ao estádio do Dragão, após a pesada derrota (3-0) e consequente eliminação da Taça de Portugal para a equipa de Vítor Pereira, registada frente à Académica do ex-colega Pedro Emanuel.
Apesar das ordens superiores, no entanto, cerca de 200 adeptos não arredaram pé das imediações do recinto do FC Porto, tendo equipa e treinador sido recebidos com pedras, tochas e petardos.
Vítor Pereira, ex-adjunto principal do 'mestre' André Villas-Boas, já avisou os jogadores de que não há mais margem para erros e que um desaire na quarta-feira, em casa do Shakhtar Donetsk
, para a Liga dos Campeões, ou no sábado, na receção ao Sporting de Braga para a Liga portuguesa, ditará a sua saída do clube.
Vítor Pereira não comove jogadores
Segundo apurou o Expresso, o discurso de Vítor Pereira, ontem, no primeiro treino após a derrota frente ao antigo nr. 2 de André Villas-Boas, não terá comovedido os jogadores, que embora respeitassem o técnico como adjunto "nunca lhe reconheceram suficiente autoridade como líder".
Entre os jogadores mais contestatários estará o quarteto que quis sair no defeso, entre os quais se contam Rolando, Fernando, Guarín e Álvaro Pereira.
De acordo com fonte próxima do técnico, o líder dos rebeldes será, contudo, João Moutinho, o jogador distinguido com o Dragão de Ouro e dado por Pinto da Costa como grande exemplo do "jogador à Porto".
Moutinho será líder dos rebeldes
João Moutinho, que brilhou no jogo de apuramento com a Bósnia, é um dos casos paradigmáticos de inexplicável sub-rendimento na equipa de Vítor Pereira, que nunca soube falar nem para dentro nem para fora do balneário.
Embora a administração da SAD esteja inclinada para despedir de imedato o treinador, Pinto da Costa tem resistido ao divórcio litigioso "em nome da coerência".
Em 30 anos, o presidente do FC Porto nunca despediu um treinador líder no campeonato. Além de resistir até ao limite do razoável a 'chicotadas' a pedido popular, Pinto da Costa estará também condicionado pelos insistentes e rasgados elogios endereçados a Vítor Pereira quando justificou a escolha deste para herdar a cadeira de sonho de Villas-Boas.
Pinto da Costa resiste ao poder da rua
A prová-lo está o ataque (murros, pedradas e até um very light) de que foi alvo o carro de Co Adriaanse, em fevereiro de 2006, por um grupo de 25 elementos dos Super Dragões, alegadamente orientados pelos seus principais líderes - Fernando Madureira e Rui Teixeira.
Na altura, Pinto da Costa não só não cedeu ao apelo dos detratores do técnico holandês, que acabara de empatar (0-0) em Vila do Conde, como segurou Co Adriaanse até ao final da época.
O técnico campeão nacional acabou por se despedir no defeso da época seguinte em conflito com a SAD por causa de um pretendido ponta-de-lança holandês, quando as hostes já tinham acalmado.