18 de maio de 2013 às 23:00
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Standard & Poor's enerva americanos

O Nobel Paul Krugman chamou-lhe "ultraje" e o tom dos comentários nos Estados Unidos é de crítica à "ousadia" da agência. O Expresso ouviu quatro especialistas em 3 pontos do globo. Opiniões marcadamente distintas.

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

A reação mais contundente ao corte de notação da dívida dos Estados Unidos surgida do meio académico foi hoje a de Paul Krugman, no seu blogue no The New York Times. "Isto é um ultraje - não porque os Estados Unidos sejam A-OK, mas porque esta gente [a agência de notação] não está em posição de emitir juízos", disse o Nobel.

O professor da Universidade de Princeton ficou enervado com o facto da Standard & Poor's ter feito uma apreciação sobre a dinâmica política em Washington DC que conduzirá a que em 2015 a curva de endividamento não seja invertida, ao contrário do que a agência espera para outros casos de classificados com triplo A. "A S&P não tem autoridade para fazer este tipo de juízos políticos duvidosos", refere na nota publicada no seu blogue "The Conscience of a Liberal".

Longe de mais


Há algum consenso entre os especialistas norte-americanos na reação à S&P [detida pelo grupo McGraw-Hill] - por muitos, fora dos Estados Unidos, tida como uma "correia de transmissão" do poder americano. "A S&P foi longe de mais. Estão a tentar restaurar a credibilidade por erros anteriores, mas é a S&P que perde credibilidade agora, de novo", diz-nos David Kotok, presidente da Cumberland Advisors, uma influente empresa americana de consultoria financeira global.

"Para os Estados Unidos é um momento triste e deriva da irresponsabilidade das ações políticas. Com a notação agora dividida [com a S&P a excluir do triplo A e a Ficth e a Moody's a manterem essa classificação por ora], isso poderá significar um par de pontos base na taxa de juro para o governo americano", acrescenta.

Sem impacto relevante


No entanto a decisão não surpreendeu. Peter Cohan, analista em Boston, já em 25 de julho tinha comentado ao Expresso que a decisão de corte do rating seria "inevitável". Contudo acha que poderá não ter o impacto catastrófico que alguns anteveem a partir de segunda-feira. "Se este corte não tiver impacto económico, morrerá nas parangonas dos media. E esse é, a meu ver, o cenário mais provável".

Cohan admite que o impacto nos fundos de pensões e fundos mutualistas não deverá ultrapassar mais de 3% das posições que têm em títulos do Tesouro, se porventura já não os venderam em antecipação ao movimento da S&P. E confia nos investidores da dívida pública americana: "Os investidores globais deram o seu veredicto sobre os EUA antes da comunicação de sexta-feira à noite da S&P - emprestando aos EUA [num leilão de dívida] a 10 anos a uma taxa 19% mais baixa do que há um mês atrás".

Um novo limiar psicológico


Opinião contrastante vem de Paris. "Este corte representa um novo limiar psicológico. É o fim simbólico do mundo do pós-guerra que conhecemos desde 1945", diz-nos Franck Biancheri, fundador do think tank europeu LEAP 2020.

O especialista em previsão tem vindo desde 2006 a chamar a atenção para o período de transição que se tem atravessado, cujo ritmo a crise financeira e a recessão a partir de 2008 apenas acelerou. "No segundo semestre de 2011, entraremos num nova fase desta crise, ainda mais dramática do que a do outono de 2008", refere. Um dos ingredientes vai ser o impacto do que se passar nos títulos do Tesouro americano. "Eles foram durante 70 anos a base em que funcionou a pirâmide financeira global. O corte do rating inicia o afundamento deste chão", conclui.

Chineses não vão ainda reagir


A reação chinesa tem sido muito citada nos media. Mas Michael Pettis, professor na Guanghua School of Management, em Beijing, em declarações ao Expresso acha que "este corte não vai ter nenhum impacto no custo dos títulos do Tesouro, depois de algumas semanas iniciais, até que os fundos que não podem ter ativos que tenham notação inferior a triplo A reajustem os seus portefólios".

A razão principal tem a ver com o comportamento dos chineses. "Eu penso que para a China isto é um não-evento. Não que os chineses não aproveitem para apontar a estupidez do processo político americano", refere-nos. A reação dos chineses será mais de aproveitamento político interno do que de mudança radical das suas aplicações. Um número tem de ser retido: 70% dos 3,2 biliões (3200 mil milhões) de reservas em divisas estrangeiras estão aplicados em ativos em dólares norte-americanos. Pelo que um processo de diversificação - que os chineses têm sublinhado - será gradual.

Pettis tem uma explicação simples para a cautela - na prática - por parte do Banco Popular da China [BPC, o banco central], apesar do radicalismo político nos comentários de alguns responsáveis. "Não se pode gerir um excedente na balança corrente se não se for um exportador de capital, por isso o BPC tem de exportar elevadas quantias de capital de modo a manter esse excedente comercial. E de modo a evitar a valorização do renminbi [a moeda chinesa, também designada por yuan], o BPC tem de ser capaz de comprar tantos dólares quanto o mercado o permita ao preço que for. Ele paga por esses dólares em renminbis", refere, para prosseguir: "Como é um enorme comprador de dólares, tem de os colocar num mercado que seja suficientemente amplo para absorver esse dinheiro - e isto é o ponto crucial - e cuja economia seja capaz de gerir um enorme défice comercial". Resposta: os Estados Unidos.

Em conclusão, diz-nos Michael Pettis: "As compras pelos chineses dos títulos americanos continuarão a aumentar até que haja uma grande viragem - e bem-vinda - nos desequilíbrios comerciais globais. Os chineses só poderão parar de comprar dólares quando tiverem re-equilibrado a sua própria economia e eliminado um excedente comercial gigante. E isto vai levar ainda muito tempo".

Comentários 52 Comentar
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LOL...LOL
Ó pessoal do Tio Sam.....

Chateados????

Ora tomem....

Se quiserem a malta vai aí dar umas conferencias sobre o assunto. Já somos especialistas na matéria.

Podemos despachar o nosso tio Aníbal que sabe à brava sobre empresas de rating....

E vocês nem chegaram ao lixo...que é uma coisa muito fixe...

Se eles vos enervam o que havemo nós de dizer das Moody's e companhia???????
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Os intocáveis?
Creio que o choque maior dos USA foi o facto de há quase 70 anos as agências de rating nunca terem atribuido ao país uma nota "mais baixa".
No fundo os USA eram os intocáveis...
Creio que a atribuição foi mais por questões de desentendimento político para o acordo da dívida, embora a economia americana esteja estagnada.
 
Agora sim: são boas agências
Hoje os comentadeiros do costume rejubilam de alegria: a agência de notação baixou o rating a outro país e ainda por cima esse outro país é os EUA. É o delírio. Só comparado quando Portugal chegou à final do europeu

Mas acaso não eram estes mesmos comentadeiros que acusavam as agências de estarem ao serviço dos EUA? Não eram estes mesmos comentadeiros que diziam que as agências não tinham qualquer credibilidade? Não eram estes comentadeiros que diziam que eu andava ceguinho quando defendi aqui uma total liberdade das agências para diagnosticarem as economias como entendem?
Estranha esta alegria com a decisão de uma entidade "sem credibilidade". No mínimo mantinham as críticas às agências; no máximo ignoravam a notícia.

Pois é. O problema é que as agências fogem ao controlo dos Estados e hoje estão a reflectir aquilo que é a realidade: a grande maioria dos países gastam mais que aquilo que se produz. Uns mais (Portugal, Grécia), ouros menos (Alemanha, França); uns em construções faraónicas e regalias absurdas (Guterres, Sócrates, Passos Coelho), outros por quererem implantar um serviço nacional de saúde como quem implanta uma argália (Obama).
Se os Estados se empenharem em acabar ou controlar as agências vão ter o mesmo sucesso que tiveram os Estados que tentaram acabar com a religião e os que tentaram manetr o controlo através da restrição da liberdade de expressão.
Os Estados devem ouvir as agências e reformarem.

Não se acaba com a doença matando o médico.
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'Standard & Poor's enerva americanos

Alinho pela opinião de quem acredita que não vai haver reacções negativas à altura do que se esperaria da despromoção. A minha razão é simples: é uma situação totalmente inédita, que eu saiba. Em relação a outros países, a reacção a esperar seria óbvia: parte dos emprestadores desistiria de fazer empréstimos a esse país, outra pediria juros mais elevados. Senão aplicassem o dinheiro, haveria mercados de refúgio como por exemplo... os Estados Unidos. Isto está provavelmente inscrito em qualquer livro amarelo "emprestar para dummies".

Agora esta situação é nova porque, se desistirem de emprestar dinheiro aos EUA, com é que o vão aplicar no mercado de refúgio que é seria os... EUA? Ainda há uns quantos triple A por aí, mas são mais pequenos e não conseguem certamente absorver (nem quererão) todos os recursos que vão ser disponibilizados pela reação ao downgrade dos EUA. Como dizia antes, uma despromoção de qualquer outro país desencadeia uma reação já tipificada. Uma despromoção dos EUA é no entanto inédita, e contradiz a lógica da resposta tipificada. Consequentemente, os mercados não vão saber o que fazer. O mais certo para mim é assobiarem para o lado e esperar que tudo regresse ao normal.
Standard Poors enerva americanos
É tudo às claras. Já nem ha vergonha..pobre país..
Resistente (seguir utilizador), 1 ponto , hoje às 7:56
"Mira Amaral, o presidente do grupo BIC Portugal, que concretizou esta semana a compra do BPN ao Estado por 40 Milhões de Euros, convidou o Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho e a sua família para passar uma semana de férias na sua residência luxosa em Vale do Lobo. A notícia já gerou um coro de indignação entre todos os partidos à esquerda do PSD. O porta-voz do PS considerou inadmissível que após um negócio tão delicado como a venda do BPN – que ainda gera polémica devido à proposta do BIC ser aparentemente mais baixa do que outras apresentadas – o primeiro-ministro se coloque numa posição eticamente tão frágil. Diz Vitalino Canas que a intenção de Passos em aceitar o convite de Mira Amaral, ‘demonstra que o negócio do BPN tem de ser esclarecido junto dos portugueses sem deixar a mínima margem para dúvidas’ e que o grupo parlamentar do PS vai apresentar uma proposta para a instauração de uma comissão de inquérito a alegados favorecimentos ao BIC no concurso de venda do BPN.
    Já os dirigentes do PCP e do BE assumiram uma posição mais radical. Da parte dos comunistas foi exigido que a venda do BPN seja desfeita. Já Francisco Louçã sugeriu em tom irónico, que Dias Loureiro se devia antecipar e convidar Mira Amaral e Passos para uma viagem de iate até às Ilhas Caimão, ‘destino que Dias Loureiro pelos vistos conhece tão bem’.
Re: Standard Poors enerva americanos Ver comentário
"The Conscience of a Liberal"
A consciência "liberal" do Sr. Krugman ficou enervada com o muito modesto e tardio "downgrade" do rating dos EUA. Porém, quando as vítimas das agências de rating norte-americanos são países europeus, que inevitavel e responsavelmente aumentam impostos, de forma progressiva, para combater os seus défices, o Sr. Krugman não vê qualquer problema. Assim, este "liberal" acha, em toda a consciência, que as agências de rating norte-americanos servem para fazer fretes aos irresponsáveis políticos dos EUA, a fim de permitir que o resto do mundo continue a pagar o gigantesco buraco nas suas contas.
Re: Ver comentário
"Things I Didn't Say" Ver comentário
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Krugman Ver comentário
Faço aqui uma sugestão. Fechem-se todas as
Universidades do país no seguimento do Ministerio da Cultura que foi banido. Fique só a funcionar a universidade de Economia e abram-se mais por todo o pais. Mas atenção se deve ser permitido estudar as teorias de Friedman, esse rande economista americano t~ao do agrado do grande democrata Pinochet...É que agora todas as noticias têm a ver com essa area e tudo o resto não interessa...
Re: Faço aqui uma sugestão. Fechem-se todas as Ver comentário
Visitei o Chile varias vezes. Ha lá muita miséria Ver comentário
EUA 52 Grecias.
Todos os peritos especulavam que depois da Grécia arrumada os especuladores voltavam-se para os estados unidos alias, como esta a acontecer.
Re: EUA 52 Grecias. Ver comentário
Re: EUA 52 Grecias. Ver comentário
Apenas a ponta do iceberg...
A S&P e as outras 2 não têm credibilidade há já algum tempo, o seu comportamento denota interesses obscuros, mas...
os EUA não deixam de ser uma economia falida, baseada no endividamento, com a sua indústria e serviços transferidos para países emergentes. Os EUA são um colossal golpe de marketing e têm vivido dele há bastante tempo. O Obama e os restantes economistas indignados sabem disto, mas não se atrevem a dizer a verdade ao povo americano...
Há algo de muito errado no mundo, talvez esteja na hora das pessoas questionarem o capitalismo, talvez esteja mesmo esgotado...
Re: Apenas a ponta do iceberg... Ver comentário
Talvez? o capitalismo faliu...Agora vivemos um Ver comentário
Re: Talvez? o capitalismo faliu...Agora vivemos um Ver comentário
Não há nada de errado com o capitalismo em si. Ver comentário
O grande problema da Moody´s...
... é que desde o Leman Brothers tem estado invariavelmente bem nas suas apreciações. Quem nos dera nós que eles estivessem errados a nosso respeito.
Coitados...
...ficaram de trombas não foi? Quando tocou aos outros, eram os primeiros a vir com lições de mau comportamento, agora que lhes bateu á porta, não gostaram do prato.
Calha assim!
Ataque ao Euro
Enquanto estas empresas fazem ataques dirigidos ao Euro, instrumentalizados por interesses superiores de manter o petro-dólar, os académicos americanos não dizem que "Isto é um ultraje - e que as agencias não estão em posição de emitir juízos"... aliás, vê-se a grande pressão que há nos opinion makers americanos em que Grécia, Portugal e Irlanda abandonem o Euro. Se houvesse um análise imparcial, o rating dos estados unidos não descia apenas 1 nível...!
l
Junta-te já a um país virtual, usa o link: bitly.com/jWHykk
Sempre foi, é e será
Sinceramente tenho de vos dizer que quando estes cowboys se enervam e se sentem atingidos seja pelo que for, dão-me uma enorme alegria. O prazer que eu tenho de os ver "á nora" é para mim gratificante. Um gozo. Aliás desde sempre foi, é e será!
O Tio Obama deve ter ficado negro de raiva! Oopps.
... perdão, branco de raiva :-)
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