Seja qual for o momento que cada uma das equipas atravessa - com melhores ou piores resultados -, o dérbi entre Sporting e Benfica mobiliza adeptos e imprensa, num apontamento secular de competição.
A velha história de confronto entre os dois maiores clubes de Lisboa e aqueles com maior peso de adeptos pelo país, teve os seus períodos de ouro nas décadas de 50, 60 ou 70, mas em qualquer período a rivalidade foi sempre posta à prova.
Com domínios espaçados em períodos diferentes do tempo, Sporting e Benfica não deixam de continuar a mobilizar atenções: umas vezes apenas pela emoção envolvida, mesmo sem qualquer título em jogo, outras pela conquista de algo.
No sábado, no Estádio Alvalade (21h15), não é um momento de decisões vitais, a um terço do campeonato, mas o Sporting vê-se quase na obrigação de vencer o rival, do qual já se encontra a 11 pontos de distância.
Um começo "frágil" de época deixou equipa 'leonina' no oitavo lugar - e levou à saída do treinador Paulo Bento e entrada de Carlos Carvalhal -, enquanto o Benfica é segundo em igualdade pontual com o líder Sporting de Braga.
Os protagonistas
Como sempre, o peso da história traz consigo memórias de jogos anteriores, mas a cada dérbi esperam-se novos heróis e protagonistas: de um lado Liedson, João Moutinho ou Miguel Veloso, de outro Cardozo, Aimar ou Saviola.
Nos 'leões' o momento é feito em muito da "prata da casa", da escola de formação do clube, lançando jogadores mais novos e capazes de vingar, enquanto o Benfica vive de um mercado de contratações.
No lado do Sporting, Liedson é o mais temido entre os 'leões', o avançado luso-brasileiro que em muitas ocasiões disfarçou as carências de um plantel ainda em formação e que tem sido, época após época, o goleador da equipa.
No Benfica, são os argentinos Saviola, Aimar e Di María o tridente que apoia o goleador paraguaio Oscar Cardozo, numa equipa esta época reforçada também com o sub-21 espanhol Javi Garcia ou o médio internacional brasileiro Ramires.
'Leões' e 'águias' apresentam dois mundos muito distintos, apesar das expectativas sempre altas que cada um dos seus universos espera no momento de um dérbi.
Orçamentos opostos
Sem conquistas de relevo nos últimos anos o Benfica voltou a apostar quase tudo e gastou sete vezes mais do que o rival no reforço da equipa: 25,7 milhões de euros contra apenas 3,6.
Também com novo treinador para esta época (Jorge Jesus), o clube fez chegar à Luz 11 novos jogadores, entre eles três absolutos titulares e mais-valias: o avançado argentino Saviola e o médio espanhol Javi Garcia (ambos ex-Real Madrid) e o médio brasileiro Ramires (ex-Cruzeiro).
No Sporting o orçamento foi curto e apenas três caras novas surgiram. O chileno Matias Fernández (ex-Villarreal) é o único habitual titular, enquanto o espanhol Angulo (ex-Valência) e o internacional equatoriano Filipe Caicedo (emprestado pelo Manchester City) são segundas opções e têm desiludido.
E deste desequilíbrio também se tem feito o percurso dos dois rivais nesta época, com o Sporting a admitir - primeiro através do presidente Bettencourt, depois com o ex-técnico Paulo Bento - que os reforços do Benfica "deprimiram" os adeptos leoninos.
Foi um arranque assimétrico entre os dois clubes, cujos gastos da última época também mostram algumas diferenças. O Sporting apresentou no seu relatório da futebol SAD valores na ordem dos 60,1 milhões de euros, enquanto o Benfica esteve cerca de 21,5 ME acima, com 81,7 milhões de euros para a futebol SAD.
Casa quase cheia
No sábado os 'leões' esperam uma casa muito próxima de esgotar, quando a meio da semana faltavam apenas vender 8000 dos cerca de 47 000 lugares do Estádio de Alvalade, com bilhetes entre os 10 e 45 euros.
O jogo terá transmissão no canal codificado SportTV. Apenas os assinantes terão acesso à sua emissão, embora a mesma seja muito procurada em estabelecimentos públicos, como cafés ou restaurantes.
Certo é que um dérbi provoca sempre grande mobilização da parte da imprensa, que ao longo da semana que o antecede acompanha os clubes, lança várias informações ou análises e por vários meios, online, no papel, na rádio ou na televisão.
No quotidiano informativo um dérbi é sempre um "ponto alto" por tudo o que traz consigo, em anos e anos de história entre dois clubes que já passaram a barreira de um século desde as suas fundações.
Os dois já se encontraram 150 vezes só para o campeonato (44 vitórias dos leões, 37 empates e 69 vitórias das águias).
Uma disputa repartida, com 75 jogos em cada um dos campos, embora a vantagem de vitórias do Sporting no seu campo seja muito ténue em relação ao benefício do factor casa, com os leões a terem apenas 30 vitórias em contra 29 do Benfica (e um registo de 16 empates).