Sonangol tenta controlo da Galp
As equipas técnicas do regulador português do mercado de capitais - a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) - seguem atentamente a situação acionista na Galp. Os angolanos da Sonangol querem comprar metade da participação detida pelos italianos da ENI (33,34% da Galp).
Vários sites angolanos estão a noticiar que a petrolífera estatal angolana Sonangol quer a maioria do capital da Galp.
Num momento em que os italianos da ENI deixam claro que estão mesmo vendedores da sua participação na Galp, há indicações que a petrolífera estatal angolana pode estar a negociar a compra de aproximadamente 16% do capital da Galp à ENI.
O empresário Américo Amorim, que controla 55% da holding Amorim Energia, por forlça dos acordos legais vigentes, tem direito a comprar 5% do capital da Galp à ENI e ainda reserva a possibilidade de comprar mais 5% por direito de preferência.
A Sonangol, juntamente com a filha do presidente angolano, Isabel dos Santos, controla 45% da holding Amorim Energia, e poderá agora concretizar uma pretensão que tem vindo a solicitar às autoridades portuguesas há mais de um ano e que é a compra de uma participação directa na Galp, livre dos acordos com Américo Amorim.
O mandato da administração executiva e do Chairman da Galp já terminou há mais de um ano e entretanto não voltou a ser feita qualquer nomeação dos responsáveis executivos da empresa. Há vários meses chegou a ser referido o nome de Diogo Freitas do Amaral para substituir Francisco Murteira Nabo como Chairman da Galp, mas esta proposta perdeu a oportunidade temporal para ser concretizada como nomeação formal.
O presidente executivo da Galp, Manuel Ferreira de Oliveira, que tem sido questionado pela Sonangol (alegando que pretendem um gestor com outro perfil), terminou o seu mandato há mais de um ano e mesmo assim efectuou a apresentação da estratégia de investimento da Galp, em Londres, perante os principais analistas internacionais.
O Expresso questionou Manuel Ferreira de Oliveira em Londres sobre a forma como encarava a eventualidade de gerir a Galp com uma participação acionista angolana dominante ao que o presidente executivo da Galp respondeu: "não são os gestores que escolhem os acionistas".
No processo de negociação da venda da participação da ENI, a Caixa Geral de Depósitos (CGD) como acionista da Galp (tem 1% da Galp, mas também representa o Estado português na petrolífera), tem um papel decisivo, podendo assumir uma posição determinante.
No Governo, o dossiê da Galp tem sido acompanhado pele equipa do ministro das Finanças, Vitor Gaspar.



