Acompanhado de mais de meia centena de empresários - a maior parte dos quais já com fortes ligações a Moçambique -, José Sócrates leva na bagagem sobretudo o know-how adquirido por Portugal nos últimos anos no capítulo das energias alternativas, produto que pretende exportar em força para este país de língua oficial portuguesa.
À chegada à capital moçambicana, já depois da meia-noite, o chefe de Governo português disse estar empenhado em dar "novo fôlego" às relações luso-moçambicanas. Apesar de "as relações serem já excelentes, podem ser ainda melhores", afirmou José Sócrates, que confirmou trazer consigo "uma agenda ambiciosa".
Questionado sobre se tinha um significado especial ter escolhido Moçambique para a sua primeira deslocação oficial ao estrangeiro nesta legislatura, o primeiro-ministro português acedeu: "Sinto-me sempre em casa" nos países africanos de expressão portuguesa, relevando, porém, a sua ida a Cahora Bassa, na quinta-feira de manhã.
A reversão da barragem para o Estado moçambicano, recorde-se, só foi acordada em 2006, no que José Sócrates qualifica como "um sinal de entendimento político da maior importância".
"Não misturem as duas coisas"
No Airbus A340 da TAP que trouxe o primeiro-ministro e a comitiva oficial desta viagem veio também Manuel Alegre. O poeta e histórico socialista viajou como convidado de honra do primeiro-ministro, na qualidade presidente do júri do prémio literário Leya - que entregará, quinta-feira à noite, ao escritor moçambicano Borges Coelho.
Instado a confirmar se este seu convite a Manuel Alegre podia ser interpretado como um gesto político de aproximação ao também pré-candidato às eleições presidenciais, José Sócrates recusou a associação. "Não misturem as duas coisas", disse, preferindo sublinhar o facto de Manuel Alegre ir presidir a "uma cerimónia literária da maior importância".
Hoje (quarta-feira), o dia começa com um encontro entre José Sócrates e o Presidente da República de Moçambique, Armando Guebuza. A agenda prossegue com um encontro de cortesia do primeiro-ministro com o presidente da Assembleia da República moçambicana, uma recepção à comunidade portuguesa e a cerimónia de formalização da constituição do Banco Luso-Moçambicano - que antecede o banquete oficial oferecido pelo Presidente de Moçambique.