O primeiro-ministro, José Sócrates, respondeu hoje às críticas do presidente do BPI, Fernando Ulrich, considerando "irónico" que sejam os bancos a criticarem "os défices e as dívidas".
"Todos os contributos para o debate sobre as matérias nacionais são positivos mas não deixo de achar irónico que aqueles que foram os causadores ou que causaram a crise internacional - os sectores financeiros - sejam agora os primeiros a queixarem-se das acções do Estado que permitiam resolver essa crise", afirmou hoje José Sócrates.
"É um paradoxo, que tem muito a ver com os paradoxos das sociedades democráticas", acrescentou.
O primeiro-ministro, que falava aos jornalistas à margem de um simpósio internacional na Escola Militar em Paris, comentou desse modo as críticas endereçadas, na quarta-feira, pelo presidente do BPI.
"Situação nacional não foi tão grave"
"O nosso sistema financeiro portou-se muito bem", salientou também o primeiro-ministro, afirmando que a situação portuguesa não conheceu a gravidade de muitos outros países.
"Mesmo assim, quando chegou o momento, mostrámos que o Estado estava disponível e com uma vontade de não permitir nenhuma catástrofe ao nível financeiro no nosso sistema", declarou José Sócrates.
O primeiro-ministro sublinhou que "Portugal foi dos países que gastaram menos com os seus sistemas financeiros, mas em todo o mundo as dívidas do Estado aumentaram porque foi preciso ajudar os sistemas financeiros".
Dívidas e défices ajudaram bancos
"É muito curioso que sejam agora os bancos a queixarem-se de que os Estados têm dívidas ou têm défices porque essas dívidas e esses défices serviram para os ajudar", insistiu o primeiro-ministro.
A resposta de José Sócrates surge um dia depois de Fernando Ulrich ter apresentado um estudo do BPI sobre as finanças públicas portuguesas.
A principal conclusão dessa análise do BPI é a de que os compromissos assumidos pelo Estado atingiram os 100% do PIB no ano passado.