José Sócrates
e
Vital Moreira
participam a meio da tarde numa acção de rua em Santo Tirso e têm depois um jantar/comício em Valongo.
Em termos de mensagem política, o dia de arranque da campanha eleitoral dos socialistas para o Parlamento Europeu, sábado, em Coimbra, foi já marcado por uma subida de tom nas acusações à liderança social-democrata, sobretudo durante o comício que contou com a participação do líder do PSOE
e primeiro-ministro de Espanha, José Luís Zapatero
.
Com a generalidade das sondagens a traduzirem uma situação de relativo equilíbrio entre o PS
e o PSD
(com uma ligeira vantagem para os socialistas) e a preverem uma elevada taxa de abstenção, Sócrates e Vital Moreira têm procurado caracterizar os sociais-democratas como uma força "do passado" e meramente "destrutiva" em termos de acção política.
Regresso ao discurso da tanga
Em Coimbra, o secretário-geral do PS acusou implicitamente Ferreira Leite de ter protagonizado um regresso "ao discurso da tanga".
Segundo Sócrates, num momento em que muitos milhares de portugueses se esforçam por escapar à actual crise mundial, "o último brinco político que a oposição apresenta é a ideia de que o país está falido".
"Quando um líder político desiste da confiança, é altura de dizer a essa liderança que falidas estão as suas convicções", contrapôs.
Sócrates aproveitou ainda para atacar uma confissão de Manuela Ferreira Leite de que não gosta de comício, assim como a ideia do PSD de que com o surgimento de novas tecnologias os tradicionais comícios se relevaram desadequados.
"Abrimos esta campanha eleitoral fazendo um grande comício [em Coimbra], mas parece que há por aí quem diga que os comícios são coisas do passado, coisas que já não estão à altura do futuro. Como eu os compreendo, pois já vi desculpas melhores para justificar uma completa falta de jeito para a política", disse, usando a ironia.
No mesmo sentido de ataque, também Vital Moreira tentou dramatizar a importância do acto eleitoral de 07 de Junho próximo e inverter completamente a ideia de que as eleições europeias servem para mostrar um cartão a quem governa.
Penalização à oposição
O constitucionalista da Universidade de Coimbra pediu antes "um cartão amarelo" e uma "penalização" das oposições, acusando-as de apenas terem um projecto destrutivo para o país.
Vital Moreira foi ainda mais longe e acusou as oposições de esquerda e de direita de estarem concertadas contra o Governo.
"Todas as oposições, de forma combinada, concertada e conjugada, numa aliança negativa que já não havia memória em Portugal, não têm feito mais do que a crítica sistemática e destrutiva, em obediência a uma estratégia do quanto melhor pior, sem alternativa ou credibilidade", apontou.