José Sócrates falava na sessão de encerramento da convenção nacional do PS, no Coliseu dos Recreios, onde procurou colocar em contraponto os estilos de campanha dos socialistas e dos sociais-democratas.
"Estivemos aqui um dia inteiro a falar com abertura das nossas ideias e propostas. Não ouvi ninguém subir a esta tribuna para lançar suspeições, nem para insultar pessoas, ou pôr em causa a seriedade ou o carácter dos nossos adversários", declarou Sócrates no início da sua intervenção.
Segundo o secretário-geral socialista, perante este tipo de campanhas, a resposta do PS terá como base "a elevação e o respeito democrático".
"Não andamos a tentar desqualificar moralmente os nossos adversários para tentar ganhar votos, nem nos presumimos detentores únicos da verdade, com um 'vê' grande, como se na política a verdade fosse uma graça divina concedida a uns e negada a outros; ou como se alguém pudesse ter em exclusivo a patente registada da verdade", disse.
Sócrates referia-se então de forma crítica ao "slogan" de campanha do PSD, "uma política de verdade", ponto da sua intervenção em que se recebeu prolongadas palmas.
Neste contexto, o secretário-geral do PS referiu-se a outros políticos no passado "que pretenderam ser a verdade dos povos, mas que acabaram ridicularizados pela História".
"Para aqueles que se julgam os únicos detentores da verdade, quero dizer-lhes que o uso e o abuso da verdade como única linha política é o maior sinal de arrogância a que já assisti na vida política portuguesa", declarou.