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YouTube insiste em canal para cidadãos repórter

Pela terceira vez desde 2007 o YouTube volta à carga com um canal de jornalismo do cidadão. Desta feita, pede ajuda aos jornalistas profissionais a quem caberá seleccionar o que é notícia.

Carlos Abreu (www.expresso.pt)

Durante os dois ou três minutos que levar a ler este artigo mais de 40 horas de vídeo entraram nos servidores do YouTube. Muitos deles poderão ter inequívoco interesse jornalístico. A discussão entre uma aluna e a professora numa escola do Porto por causa de um telemóvel ou as recentes manifestações na capital do Irão são disso um bom exemplo. Mas encontrá-los no popular site de partilha de vídeos não é nada fácil.

Numa altura em que os media tradicionais, cientes de que jamais terão o dom a ubiquidade, procuram estimular os seus leitores a filmar, fotografar e contar as histórias de que são testemunhas, o YouTube acaba de anunciar mais um relançamento do seu canal de jornalismo do cidadão.

Apresentado pela primeira vez em 2007 como um agregador de reportagens e vídeos de cariz político e relançado em Abril deste ano, o CitizenTube passa a ser tecnicamente suportado por uma plataforma - YouTube Direct - que permitirá aos cidadãos repórter inserir os seus vídeos e comentários directamente no YouTube através de um qualquer site noticioso. Claro que isto só será possível se o site em causa já estiver ligado a esta plataforma.

Para que um vídeo submetido por esta via no YouTube seja publicado, os editores do site noticioso terão de aprová-lo previamente. Uma vez aprovado o vídeo ficará imediatamente disponível no YouTube acompanhado de um link para o website através do qual foi feito submetido.

Caso julguem necessário, os editores poderão ainda contactar o autor do vídeo para obter mais informações sobre as imagens.

Bom negócio

Os responsáveis pelo YouTube acreditam que os vídeos com valor noticioso, depois de devidamente seleccionados, chegarão mais rapidamente junto do grande público. E no negócio das notícias, tempo também é dinheiro. Em contrapartida, os sites das estações de televisão e dos jornais terão ao seu dispor imagens que de outra forma poderiam ficar perdidas entre as centenas de horas de vídeo que todos os dias chegam aos servidores do YouTube.

Para o director do Observatório da Comunicação o sucesso deste novo canal reside precisamente na capacidade de seleccionar os vídeos.

"Os agregadores e distribuidores de conteúdos como o YouTube e as empresas jornalísticas têm lógicas diferenciadas", lembra Gustavo Cardoso. "Embora ambas utilizem processos editoriais, para por um site de jornalismo do cidadão a funcionar é mais importante a qualidade dos editores do que a qualidade dos jornalistas".

O YouTube Direct já foi testado por conceituados media norte-americanos tais como: NPR (rádio pública), "The San Francisco Chronicle" (jornal), canal afiliado da estação de televisão NBC em Boston e pelos sites Politico.com e The Huffington Post. Será desta que vai avante?

Oiça já a seguir como é que, na opinião de Gustavo Cardoso, os media poderiam conquistar mais cidadãos repórter.