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Violência doméstica. Preto e azul não são só as cores de um vestido

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Salvation Army

A violência contra as mulheres é o tema da campanha lançada pela Salvation Army, que usa o vestido que gerou debate nas redes sociais sobre as suas verdadeiras cores. Preto e azul ou branco e dourado? Sejam quais forem as cores, há outras coisas para as quais os olhos têm ficado fechados.

Azul e preto ou branco e dourado? A pergunta estendeu-se durante dias pelas redes sociais, dividindo-se entre o que os olhos de uns e os olhos de outros veem. A surpresa era clara: como é possível ver preto e azul quando o vestido é, sem dúvida, branco e dourado? Como há quem veja branco e dourado quando já se sabe que o vestido é preto e azul? Dadas as explicações científicas sobre a ilusão e sobre como os nossos olhos podem ver as mesmas coisas de forma diferente, a questão agora lançada é outra. E mais séria: "Por que é tão difícil ver preto e azul?"

Em causa está a violência contra as mulheres e uma campanha lançada na sexta-feira pelo Exército de Salvação (Salvation Army) da África do Sul, aproveitando o debate que se estendeu por vários países e que alimentou a sensação curiosa de ilusão e de surpresa sobre como, afinal, não vemos tudo da mesma maneira. "A única ilusão é se pensar que foi uma escolha dela. Uma em cada seis mulheres é vítima de abuso", lê-se na imagem publicada no Twitter pela Salvation Army da África do Sul.

A frase surge ao lado de uma mulher loira, deitada, com o vestido que gerou controvérsia e que foi capaz de despertar tanta atenção. Mas na mesma mulher vê-se muito mais do que isso: várias nódoas negras nas pernas, nos joelhos, nos olhos e na boca. Marcas claras da violência, nos mesmos tons negros e azulados, as mesmas cores de um vestido que conseguiram fazer o assunto chegar a tantos países, através das redes sociais ou dos meios de comunicação social.

A pergunta - "Por que é tão difícil ver preto e azul?" - deixa uma alusão ao fechar de olhos à violência contra as mulheres, refletida nos elevados números de casos de abuso. 

"Ligaram o vestido com o trabalho do Exército de Salvação junto de mulheres e crianças abusadas, assim como mulheres traficadas", disse ao "Washington Post" Carin A. Holmes, porta-voz do Exército de Salvação da África do Sul. A campanha foi criada pela agência Ireland/Davenport, em Joanesburgo, segundo avançou a porta-voz, e surge pouco antes de se comemorar o Dia Internacional da Mulher, a 8 de março.