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Universidade do Minho lança livro sobre imprensa clandestina

A exposição está aberta ao público até 16 de janeiro, no salão medieval do Largo do Paço, em Braga

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Livro-calálogo 'A imprensa Clandestina e do Exílio no Período de 1926-1974' acaba de ser lançado em Braga. A obra referencia 592 publicações de cariz antifascista, algumas em exposição comemorativa dos 40 anos do 25 de Abril e dos 40 anos da universidade. 

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

O historiador da Universidade do Minho José Manuel Lopes Cordeiro acaba de lançar um inédito livro-catálogo sobre a imprensa clandestina e do exílio, publicadas no Estado Novo ao longo de 48 anos.

Ao todo, a obra referencia 592 títulos clandestinos, divididos em 18 categorais de imprensa de oposição ao regime salazarista, entre as quais a reviralhista, anarquista, comunista, católica, de unidade antifascista e marxista-lenilista.

"A Voz dos Camaradas", "Luta Popular", "O Grito do Povo" e o jornal "Avante", "que chegou a ter tiragens superiores a 10 mil exemplares", estão entre as seis centenas de jornais elencados no livro de 125 páginas, à venda pelo Conselho Cultural da Universidade do Minho e que integram a exposição aberta ao público até 16 de janeiro, no salão medieval do Largo do Paço, em Braga.

Docente de História Contemporânea da Inuversidade do Minho há 30 anos, José Manuel Cordeiro afirma que "nunca se fez em Portugal uma investigação deste teor", embora não tenha pretendido apresentar "um reportório um repertório completo" da imprensa clandestina portuguesa e do exílio publicada no Estado Novo.

"Julgo que é o maior levantamento jamais feito sobre esta temática e um bom instrumento de trabalho para mestrados e doutoramentos, dado todos os títulos, dos mais importantes ao mais efémeros, vários só de um número, estarem devidamente sinalizados", refere o historiador.

Arquivo Distrital do Porto, Centro de Documentação 25 de Abril, Fundação Mário Soares ou Arquivo da Torre do Tombo e bibliotecas estrangeiras são alguns dos espaços onde os títulos que durante quase 50 anos circularam clandestinamente podem agora ser consultados.

Depois de Braga, a mostra itenerante vai estar patente ao público em Guimarães, Barcelos e Famalicão, prevendo-se exposições posteriores no Porto, Coimbra e Lisboa.

Depois de Braga, a mostra itenerante vai estar patente ao público em Guimarães, Barcelos e Famalicão, prevendo-se exposições posteriores no Porto, Coimbra e Lisboa.

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"Todos os sectores da oposição recorreram à edição e difusão de jornais que abordavam questões e pontos de vista que o regime queria silenciar", diz o investigador, lembrando as condições extramamente difíceis em que circulavam.

"Eram imprenssas em tipografias clandestinas de organizações políticas como o PCP ou em copiógrafos manuais de pequenas organizações, correndo os autores e colaboradores destas publicações risco de vida para as difundir", refere o docente.

Depois de Braga, a mostra itenerante vai estar patente ao público em Guimarães, Barcelos e Famalicão, prevendo-se exposições posteriores no Porto, Coimbra e Lisboa. O Conselho Cultural pretende ainda que o livro, comemorativo da dupla efeméride dos 40 anos do 25 de Abril e da criação da Universidade do Minho, sob a égide do Prémio Victor de Sá de História Contemporânea, seja colocado à venda em livrarias de todo o país.